Josely Teixeira Carlos
Especial para o Jornal Opção
A pesquisadora Josely Teixeira Carlos escreve a Belchior no aniversário de seus 80 anos, entre memórias de uma amizade, reflexões sobre a democracia e os direitos sociais e uma análise da permanência de sua obra, revisitada em livros, homenagens e na minissérie Alucinação, que marca os 50 anos do álbum homônimo.
Porto Alegre, 26 de outubro de 2026
Meu caro Bel,
Escrevo-te neste 26 de outubro de 2026, dia em que celebrarias teus 80 anos, para te contar como o tempo tem mexido com a gente, como tu mesmo cantaste em “Comentário a respeito de John”. E como mexeu, Bel! Como em nossa última conversa epistolar, na qual retomei tua máxima de que “o novo sempre vem”, trago-te notícias de um Brasil em transformação, das lutas políticas e sociais que continuam a nos mobilizar e das muitas maneiras pelas quais tua obra permanece viva: nas canções que atravessam gerações, nos livros que renovam a leitura de teu cancioneiro, nas homenagens que celebram teu legado e nas imagens que agora revisitam teu percurso. Neste dia de comemoração, escrevo-te com esperança, porque tua voz permanece entre nós como um sopro de lucidez ética, uma convocação à coragem de pensar e à disposição de transformar o mundo.

A vitória do presidente Lula da Silva representou a continuidade de um projeto político comprometido com a democracia, os direitos fundamentais e a preservação do pacto social inscrito em nossa Constituição Cidadã
A primeira notícia vem das urnas, Bel. No dia 25 de outubro, os brasileiros voltaram às urnas para decidir quem ocuparia a Presidência da República pelos próximos quatro anos. De um lado, Luiz Inácio Lula da Silva; de outro, Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A vitória de Lula, nosso conterrâneo, com mais de 64 milhões de votos, representou a continuidade de um projeto político comprometido com a democracia, os direitos fundamentais e a preservação do pacto social inscrito em nossa Constituição Cidadã. Para nós, foi também a derrota de um projeto que identificamos com o autoritarismo, o obscurantismo e o retrocesso.
Foi bonito de ver, querido Bel! A militância e a sociedade civil organizada ocuparam as ruas e as redes, numa mobilização que reuniu mulheres, trabalhadores, jovens e idosos dispostos a erguer a voz em defesa da democracia. A festa me lembrou teu verso sobre “o amor e o humor nas praças cheias de pessoas” e reafirmou que nenhum direito é conquista definitiva: a cidadania precisa ser exercida cotidianamente, como prática de resistência e participação.
A cena me transportou àquela tua fala antológica, em 1987, nos bastidores da Assembleia Nacional Constituinte. Na ocasião, defendias que a nova Carta garantisse espaço ao trabalho, ao pão, à mulher, ao negro, ao indígena e à festa. Não se tratava apenas de enumerar direitos, mas de reivindicar um país em que a dignidade humana não fosse privilégio de poucos. Lula, que completa 81 anos um dia depois de ti, encarna, neste momento, o teu imperativo “amar e mudar as coisas me interessa mais”, que ganha corpo e sentido na vida política brasileira.
Quem parte em busca de sobrevivência descobre que o sol não é tão bonito para quem tem fome na rua. Em “Ter ou não ter” (1978) e “Pequeno perfil de um cidadão comum” (1979), aproximas o dilema de Hamlet da lógica do capitalismo
Ao longo de mais de duas décadas de pesquisa sobre teu cancioneiro, compreendi que aquela declaração não foi fortuita. Ela condensa uma posição que atravessa tua obra e dialoga com os direitos consagrados na Constituição de 1988. Antes mesmo de esses direitos receberem sua formulação constitucional, tu já fazias da canção um espaço de interpelação social, trazendo para o centro da palavra cantada aqueles que tantas vezes permanecem à margem do discurso oficial.
Em “Fotografia 3×4” (1976), mobilizas a lei da gravidade de Isaac Newton para traduzir o drama da migração nordestina: “pois o que pesa no Norte, pela Lei da Gravidade, cai no Sul, grande cidade”. A ironia científica expõe uma realidade brutal: quem parte em busca de sobrevivência descobre que o sol não é tão bonito para quem tem fome na rua. Em “Ter ou não ter” (1978) e “Pequeno perfil de um cidadão comum” (1979), aproximas o dilema de Hamlet da lógica do capitalismo: “to be or not to be quer dizer: ter ou não ter/”. A questão da existência converte-se em problema material, revelando uma sociedade em que o valor do ser parece subordinado à possibilidade de possuir.
Já em “Como o diabo gosta” (1976), tua rebeldia assume a forma de desobediência à submissão: “a única forma que pode ser norma é nenhuma regra ter; é nunca fazer nada que o mestre mandar”. Em “Populus” (1977), a imagem do cão brutalizado e silenciado transforma-se em denúncia da violência e do terror de Estado sob a ditadura. Essas canções recusam a aceitação passiva do mundo. Tua palavra não se limita a registrar o sofrimento: transforma-o em questão, desarruma certezas e nos obriga a olhar para aquilo que a sociedade prefere não ver.

A segunda novidade, estimado Bel, vem dos livros e das muitas formas de manter viva tua criação. Entre essas iniciativas está a coletânea em três edições “Cartas para Belchior”, organizadas pelo Nonato Nogueira e publicadas pela Editora Revista Sarau entre 2025 e 2026. Lançadas no emblemático Teatro Chico Anysio, em Fortaleza, as obras reúnem cartas de amigos, pesquisadores e admiradores de diferentes gerações. Conto-te que tive a alegria de escrever os prefácios, apresentando esse encontro de vozes que transformam a escrita em memória compartilhada.
Quando cantas a experiência com coisas reais e recusas as “fantasias astrais”, afirmas uma posição estética e filosófica que ultrapassa 1976. Não se trata de rejeitar o futuro, mas de questionar as promessas que nos afastam da vida concreta
Neste mesmo ano em que celebramos os 80 anos de teu nascimento, não poderíamos deixar de comemorar os 50 anos de Alucinação (1976), álbum que se tornou um manifesto de sua época. Para marcar a data, Nonato organizou também o livro “Belchior: 50 Anos de Alucinação”, que reúne catorze autores de diferentes áreas. Tive a honra de assinar a apresentação com um ensaio no qual retomo o processo de criação do disco, gestado ao longo de dois anos, a partir de 1974, como me contaste certa vez.

Detenho-me num detalhe da contracapa, Bel: o desenho que fizeste de teu próprio perfil, com componentes elétricos ocupando o lugar das terminações nervosas do cérebro e conexões que se projetam pela boca. A imagem dialoga visualmente com “Cérebro eletrônico” (1969), de Gilberto Gil, e ganha uma dimensão inesperada no contexto atual de expansão acelerada da inteligência artificial.
Coloquei esse desenho em diálogo com as reflexões do neurocientista Miguel Nicolelis — chegaste a conhecê-lo? —, para quem a inteligência está ligada à natureza orgânica e viva do cérebro humano e não pode ser reduzida à simulação digital. Quando cantas a experiência com coisas reais e recusas as “fantasias astrais”, afirmas uma posição estética e filosófica que ultrapassa 1976. Não se trata de rejeitar o futuro, mas de questionar as promessas que nos afastam da vida concreta. Até que ponto podemos delegar às máquinas aquilo que depende da experiência, da consciência e da responsabilidade humanas, não é mesmo, Bel?
O livro oferece um percurso plural pelas muitas camadas de teu cancioneiro. Jorge Mello, teu parceiro, recupera a efervescência do Pessoal do Ceará no histórico apartamento do oitavo andar. Nonato Nogueira e Evaldo Lima reconstituem o ambiente de angústia e resistência da juventude dos anos 1970, enquanto Ubiratan Pereira de Oliveira e Orlando Athayde exploram a clínica do desejo e os sentidos da alucinação. Cinquenta anos depois, Alucinação permanece aberto a novas leituras porque as questões que formula não se esgotaram com a geração que o ouviu pela primeira vez.

Essa continuidade também se manifesta na voz de tua filha Vannick, que assumiu a tarefa de interpretar teu repertório com coragem e sensibilidade, aproximando-o de novos públicos. Agora em 2026, lançou o EP e o espetáculo Meu Nome é Cem, com releituras de “Conheço Meu Lugar”, “Notícia de Terra Civilizada”, “Meu Cordial Brasileiro”, em parceria com o rapper Don L, e “Tudo Outra Vez”, ao lado de Renato Teixeira. Ao percorrer teatros e centros culturais pelo país, ela demonstra que transmitir uma obra não significa apenas repeti-la, mas também encontrar, em cada tempo, uma maneira própria de fazê-la ressoar.
Ah, Bel, a força de Alucinação também chegou aos palcos. Em agosto, o projeto “Belchior 80: A palavra incendeia”, promovido pelo Sesc Mogi das Cruzes, reuniu diferentes linguagens artísticas para celebrar teu 80º aniversário e o cinquentenário do álbum. No texto de apresentação que elaborei para o evento, destaquei a capacidade de tua escrita de alcançar raízes humanas profundas e universais sem se deixar aprisionar por modismos ou clichês.
A programação reuniu música, poesia e artes visuais. Além de Vannick, que apresentou Meu Nome é Cem, Silvero Pereira, cearense como nós, levou ao público o concerto Silvero Interpreta Belchior. Daíra revisitou integralmente as faixas de Alucinação, enquanto a banda Selvagens à Procura de Lei levou teu repertório ao território do rock. Sob a direção de Poliana Savegnago, o sarau contou com intervenções poéticas de Lirinha e Jô Freitas.
Bel, acredita que tua história chegou às telas? A minissérie Alucinação, exibida no Canal Brasil, reconstrói tua trajetória a partir da pesquisa biográfica do livro Belchior — Apenas um rapaz latino-americano, de Jotabê Medeiros
As artes visuais e as oficinas de Priscila Barbosa, Danise Eliom, Julian Campos, Tutano Nômade e Leandro Carvalho acrescentaram novas imagens à homenagem. Entre tantas manifestações artísticas, os versos de “Sujeito de Sorte” — “ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro” — ganharam especial força, reafirmando a capacidade de tuas canções de transformar resistência em esperança e de encontrar, em diferentes gerações, novos sentidos para continuar viva. Foi lindo, meu amigo.

Bel, acredita que tua história chegou às telas? A minissérie Alucinação, dirigida por Eduardo Albergaria, produzida por Leonardo Edde e exibida no Canal Brasil, reconstrói tua trajetória a partir da pesquisa biográfica do livro Belchior – Apenas um rapaz latino-americano, do jornalista Jotabê Medeiros. Em vez de seguir uma cronologia linear, a narrativa entrelaça tempos e espaços distintos, aproximando o vigor criativo dos anos 1970 do período em que viveste mais recolhido no Sul do Brasil e no Uruguai, entre 2007 e 2017. Nesse movimento, tua história ganha novas imagens e sentidos, sem perder de vista as contradições, os silêncios e a inquietude que marcaram tua caminhada.
E para falar um pouquinho de teoria (eu sei que tu estás interessado nessa teoria rs), a construção narrativa da minissérie remete ao conceito de paratopia, formulado pelo linguista francês Dominique Maingueneau, meu orientador de doutorado na Sorbonne — já te falei dele? O conceito designa a condição paradoxal do criador, que não encontra um lugar definitivo de pertencimento e transforma essa instabilidade em força de criação. Em tua vida e em tua obra, Bel, partir nunca significou apenas mudar de lugar — Sobral, Rio, São Paulo, Porto Alegre ou Montevidéu —, mas também questionar posições estabelecidas e fazer do não pertencimento um princípio poético.

A minissérie apresenta diferentes fases de tua vida por meio de três intérpretes, Bel: Márcio Levi representa tua infância em Sobral; Caian Zattar, a juventude em Fortaleza e os anos de efervescência criativa no Rio de Janeiro e em São Paulo; e Luiz Carlos Vasconcelos — grande ator, que viste em Carandiru — interpreta tua maturidade e tua caminhada itinerante. Na fase da juventude, acompanhamos momentos decisivos de tua formação, da experiência monástica em Guaramiranga, como Frei Sobral, à passagem pela Faculdade de Medicina, em Fortaleza. É também nesse período que se delineia a cena musical cearense que te aproximou de Fagner, Jorge Mello, Rodger Rogério e Amelinha, nomes posteriormente associados ao denominado Pessoal do Ceará.
À luz de minhas pesquisas, o afastamento de Belchior da vida pública, iniciado em 2007, pode ser interpretado como parte de uma trajetória marcada pela busca de autonomia e pela recusa às exigências do show business
A narrativa, saudoso amigo, recupera ainda os estímulos sonoros de tua infância: a radiadora da praça de Sobral, a música de Luiz Gonzaga e os versos do poeta popular Zé Limeira. Esses elementos ajudam a compreender como a música se tornou, em teu universo, muito mais que entretenimento: uma forma de pensar a existência e traduzir o desconcerto do mundo, aproximando saberes e linguagens que a tradição costuma manter separados.

Na fase final, Luiz Carlos Vasconcelos acompanha tua saída de São Paulo e tua passagem pelo Rio Grande do Sul e por cidades uruguaias. Nesse percurso, tua companheira Edna Prometheu, interpretada por Isabela Garcia, surge como cúmplice de uma vida compartilhada à margem das expectativas convencionais. A relação entre vocês permite entrever a dimensão humana do recolhimento, sem transformá-lo em mistério nem reduzi-lo a espetáculo para a curiosidade pública.
Bel, muita gente me questiona sobre as razões de teu autoexílio, sabia? Sempre respondo que, à luz de minhas pesquisas, teu afastamento da vida pública, iniciado em 2007, pode ser interpretado como parte de uma trajetória marcada pela busca de autonomia e pela recusa às exigências do show business. Essa leitura encontra ressonâncias em canções anteriores ao teu isolamento, não é verdade? Em “Passeio” (1974), o sujeito cercado pelos prédios de São Paulo deseja fugir dali num disco voador. Em “Seixo Rolado” (1980), resta-lhe o próprio corpo, com o qual cai na estrada. Em “E que Tudo Mais Vá para o Céu” (1982), manifesta-se a disposição de partir. Mais adiante, “Arte Final” (1988) e “Até Mais Ver” reforçam a imagem de uma despedida que tua própria obra parecia ensaiar.
E tu nos ensinaste, Bel, com tua poesia, que é preciso olhar de frente para as injustiças, reconhecer o outro em sua humanidade e manter viva a inquietação diante de tudo o que ainda precisa mudar
Não pretendo oferecer uma explicação definitiva para tuas escolhas pessoais, claro. Mas, como pesquisadora, reconheço em teu cancioneiro uma coerência entre a errância cantada e a trajetória vivida: a busca por autonomia, mesmo diante das renúncias e da incompreensão. Há, ainda, um paradoxo na minissérie, Bel: a ausência de tuas gravações originais na trilha sonora, relacionada a questões de direitos autorais — a história é longa! Essa lacuna desloca o olhar do espectador para tua trajetória humana e evoca um verso que sintetiza tua visão de mundo: “qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa”, como defendeste. Tua existência, afinal, ultrapassa os registros que deixaste, assim como tua criação continua a ganhar novos sentidos nas interpretações de outros artistas e no encontro com novas gerações.

Então, meu querido Bel, neste aniversário, o Brasil volta os ouvidos para tua expressão artística. De Norte a Sul, ela ressoa em shows, festivais, teatros, praças, salas de aula e telas. Mais do que revisitar o passado, essas manifestações mostram como tuas canções continuam a interpelar o presente e a despertar reflexões necessárias.
Não ofereceste respostas fáceis nem prometeste um mundo sem contradições. Fizeste da canção um espaço de confronto com a realidade, de questionamento das certezas e de busca por outras formas de viver. Partindo da experiência social, transformaste dores particulares em questões coletivas e fizeste da liberdade um compromisso ético.

Ao longo de minha trajetória de pesquisa — do mestrado na Universidade Federal do Ceará ao doutorado na USP e na Paris-Sorbonne, passando pelo pós-doutorado na Université Paris X —, procurei compreender como construíste essa linguagem singular. Nosso encontro em Fortaleza, em 1999, quando a paixão pelas línguas e pela música nos aproximou, marcou também uma amizade que ultrapassou os limites da pesquisa acadêmica. Tua generosidade humana e intelectual deixou marcas profundas, e nossas conversas me ensinaram a escutar tua obra para além do que parece evidente.
Hoje, Bel, ao celebrar teus 80 anos e os 50 de Alucinação, volto àquilo que, em tua obra, nunca deixou de me provocar: a necessidade de mudar as coisas. Não por acreditar em transformações fáceis, nem por desconhecer as contradições da vida, mas porque aceitar o mundo tal como ele está também é uma escolha. E tu nos ensinaste, com tua poesia, que é preciso olhar de frente para as injustiças, reconhecer o outro em sua humanidade e manter viva a inquietação diante de tudo o que ainda precisa mudar.
Aqui em Porto Alegre, vou comemorar teu aniversário lembrando, com imenso carinho, nossas conversas em italiano e sobre latim, as piadas que contavas, tuas risadas largas, os livros que me deste e tudo o que aprendi contigo. Escrevo-te para celebrar o que permanece de nosso encontro e de tudo o que compartilhamos.
Aos 80 anos de teu nascimento, tua presença se renova nas interpretações que dão novas sonoridades às tuas canções, nas pesquisas que aprofundam a compreensão de teu legado e nos jovens que encontram em teus versos perguntas para suas próprias vidas. Tua obra nos lembra que o futuro não se constrói pela espera passiva, mas pela coragem de participar da vida e de construir outros caminhos.
Afinal, como nos ensinaste, amar e mudar as coisas interessa mais.
Com profunda admiração, saudade e afeto,
Professora Josy
Josely Teixeira Carlos (Josy Teixeira) é pesquisadora da obra de Belchior, tema de seu mestrado, doutorado e pós-doutorado. Doutora em Letras pela USP, realizou parte de seus estudos nas Universités Paris-Sorbonne (Paris IV) e Paris-Est Créteil (Paris XII), sob orientação de Dominique Maingueneau. Atua nas áreas de Linguagem, Discurso e Música Popular, com pesquisa reconhecida por seu alcance nas Ciências Humanas, integrando análise verbal e não verbal. É pós-doutora pela Université Paris X e possui experiência docente no Brasil e no exterior. Radialista e jornalista, integrou veículos como a Rádio Universitária (Fortaleza) e a TVE/FM Cultura (Porto Alegre), além de ter artigos publicados na “Folha de S.Paulo”, “Zero Hora” e “CartaCapital”.
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Fonte: www.jornalopcao.com.br

