“Ela teve um surto psicótico”, diz advogado que pede revogação de prisão de suspeita de matar jornalista
A defesa da empresária e dentista Renata de Almeida Pedreira e Sousa protocolou pedido de revogação da prisão preventiva junto à 3ª Vara dos Crimes Dolosos contra a Vida de Goiânia. Apontada como principal suspeita pela morte do jornalista Delson Carlos Barros, ela sustenta, por meio de seus advogados, que estava em um grave surto psicótico provocado por intoxicação medicamentosa no momento dos fatos, circunstância que teria comprometido totalmente sua capacidade de compreender a ilicitude de seus atos.
Segundo a petição apresentada pelos advogados Paulo Henrique Maia, Pollyana Luiza Neville e Maurício Neville, vídeos, depoimentos e outros elementos já reunidos no processo indicariam que Renata não possuía condições de autodeterminação quando o crime ocorreu. A defesa argumenta que ela é ré primária, possui residência fixa, exerce atividade profissional regular como dentista e não representa risco à ordem pública nem à instrução criminal.
Os advogados também sustentam que a manutenção da prisão preventiva contraria o chamado princípio da homogeneidade. A tese é de que, caso a Justiça reconheça ao final do processo a inimputabilidade da acusada, a consequência jurídica seria a aplicação de medida de segurança, e não uma pena privativa de liberdade.
“Ela teve um surto psicótico por uma reação a sedativos, sem qualquer consciência do que fazia. É uma evidência tão forte que, para a defesa, não cabe sequer uma acusação formal do Ministério Público, e esse processo deve ser arquivado”, afirmou o advogado Paulo Henrique Maia. Segundo ele, a prisão preventiva seria “ilegal e desumana” diante do quadro clínico alegado pela defesa ao Jornal Opção.
Caso ocorreu em apartamento no Setor Bueno
O jornalista Delson Carlos Barros foi encontrado morto na noite de 24 de julho em um apartamento no Edifício Don Lourenzzo, no Setor Bueno, em Goiânia. Conforme as investigações, o imóvel pertencia a Renata e havia sido cedido ao jornalista.
Informações iniciais apontam que os dois consumiam bebidas alcoólicas antes do ocorrido. Após a morte, Renata permaneceu trancada no apartamento por mais de três horas, ameaçando se jogar do prédio. Equipes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros realizaram negociações até conseguirem efetuar a prisão.
Na audiência de custódia, a empresária afirmou que foi submetida ao uso de arma de choque durante a abordagem policial, alegando que já havia se rendido quando a contenção ocorreu. Ela também declarou não possuir transtornos mentais diagnosticados, não fazer uso de drogas ilícitas e consumir bebidas alcoólicas apenas ocasionalmente.
O Ministério Público de Goiás defendeu a manutenção da prisão preventiva, destacando a gravidade do crime e os indícios já reunidos pela investigação. A defesa, por sua vez, pediu a substituição da prisão por medidas cautelares e agora busca a revogação da custódia com base na tese de inimputabilidade decorrente do suposto surto psicótico.
A Polícia Civil segue investigando o caso, enquanto a Justiça deverá analisar o pedido de liberdade apresentado pela defesa nos próximos dias.
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