Polícia Civil investiga o desaparecimento de um Porsche que pertencia ao dono do Medellin Bar

A Polícia Civil investiga o desaparecimento de um Porsche Macan vermelho, cujo valor ainda não foi divulgado, que pertencia ao empresário Ricardo Bruno de Medina Lobo, proprietário do Medellin Bar e que faleceu no último dia 30 de julho. O veículo, que estava sob a posse da advogada Jordane Costa da Mota desde o dia 24 de julho, foi retirado da garagem do condomínio onde ela reside, no Setor Bueno, em Goiânia.

Conforme documentos obtidos pela reportagem, Ricardo Medina assinou uma procuração no dia 19 de julho, conferindo à advogada, Jordane Costa da Mota, amplos poderes para administrar seus bens e interesses. O caso foi registrado como “furto consumado” na Delegacia Especializada em Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DERFRVA). De acordo com o delegado Fernando Augusto Lima da Gama, responsável pela investigação, as primeiras oitivas já estão sendo realizadas.

Delegado: denúncia foi registrada como furto

“O caso realmente está aqui. As oitivas têm previsão de acontecer até o fim de semana que vem. Temos uma oitiva fundamental no dia 17 de agosto, que vai ser com a advogada que alega ter o direito do veículo. Vamos ouvir todos os envolvidos e as testemunhas. A denúncia foi registrada como furto sim”, afirmou o delegado.

A Polícia Civil solicitou a preservação das imagens das câmeras de segurança do condomínio, dos registros de entrada e saída de visitantes e veículos, além da oitiva de funcionários e moradores. O veículo segue registrado no sistema policial como furtado, e as autoridades competentes realizam buscas para localizá-lo.

A investigação se concentra em esclarecer como o veículo foi retirado do condomínio e quem teria facilitado o acesso ao local. Segundo o Registro de Atendimento Integrado (RAI), o furto foi comunicado pela advogada Jordane Costa no dia 3 de agosto, por volta das 12h44, na 4ª Delegacia de Polícia de Goiânia.

Jordane Costa, que atuava como advogada de confiança de Ricardo, afirmou ter recebido a posse do veículo no dia 24 de julho, em uma entrega feita de forma livre e espontânea pelo empresário, na presença de testemunhas e com autorização do administrador do condomínio onde ele morava.

RAI apresentado por Jordane no dia 03/08/2026 às 12:44

A procuração foi assinada por Ricardo Bruno de Medina Lobo no dia 19 de julho de 2026. O documento, ao qual o Jornal Opção teve acesso, demonstra que o empresário concedeu à advogada Jordane Costa da Mota poderes para representá-lo em demandas judiciais e extrajudiciais. O texto da procuração estabelece que foram conferidos:

Esse documento é a base da alegação de Jordane Costa de que possui direito de posse do veículo. Ela explicou ao Jornal Opção que, após o falecimento de Ricardo Medina, ocorrido no dia 30 de julho, o Porsche deveria ser preservada para futura discussão judicial sobre a herança, especialmente porque o empresário deixou uma filha menor, que tem 4 anos.

“Quando se é advogado de alguém, a gente se torna guardião e detentor dos bens. Ele faleceu no dia 30, então, eu já estava na posse desse Porsche há uma semana”, afirmou Jordane Costa.

A narrativa da retirada do veículo

De acordo com Jordane Costa à reportagem e o que consta no Boletim de Ocorrência, a retirada do veículo ocorreu no dia 1º de agosto, enquanto ainda estava em luto e afastada de suas atividades profissionais. Segundo seu relato, a irmã de Sabrina Ferreira de Sousa Pimentel, ex-esposa de Ricardo, identificada como Nicoly Ferreira Sousa Fonseca, no caso ex-cunhada dele, teria ingressado no condomínio com a facilitação de uma moradora do local. A entrada teria acontecido pelo portão da Rua T-50 e a saída pelo portão da Rua T-30. A advogada afirmou que a chave reserva do veículo teria sido supostamente obtida por Sabrina Ferreira durante “uma busca e apreensão realizada na casa de Ricardo no dia 28 de julho”.

Vídeo mostra uma mulher que seria Nicolly Ferreira tendo acesso ao carro Porsche e saindo com ele. Advogada disse que ela estava com a chave reserva

Em entrevista ao Jornal Opção, Jordane Costa detalhou sua versão dos fatos: “No dia 1º de agosto, a irmã da Sabrina, que é ex do Ricardo, adentrou o meu condomínio com a facilitação da moradora para a abertura de portões e indicação das minhas garagens. Ela adentrou o condomínio com um carro Jeep Compass supostamente dirigido pelo seu marido, nisso, a irmã da Sabrina seguiu pela garagem, entrou no Porsche e saiu dirigindo o carro.”

Jordane Costa acrescentou que, “se achava que era direito dela pegar o Porsche, que Sabrina agisse com medidas assecuratórias para a retomada do bem. Não é assim de entrar no condomínio dos outros e pegar algo da garagem de alguém”.

Vídeo mostra Jeep Compass entrando na garagem de condomínio quando uma mulher que seria Nicolly Ferreira sai do carro

A advogada informou que o veículo está registrado em nome de Sabrina Ferreira, mas ressaltou que a disputa patrimonial e sucessória impediria a retomada sem autorização judicial. “Em tese, o Porsche estaria no nome dela. Mas, mesmo assim, não é a forma certa de retomada de um bem. Tinha que ter um oficial de justiça, com mandado de busca e apreensão e força policial”, afirmou Jordane Costa. Ela classificou a conduta como criminosa e disse que pretende apresentar uma notícia-crime contra Sabrina Ferreira, Nicoly e a advogada Thaís de Souza Pereira Barros, que seria a representante de Sabrina, em seu comparecimento do DERFVA.

A versão apresentada pela defesa de Sabrina

Procurada pelo Jornal Opção, a advogada Thaís de Souza Pereira Barros informou que existe um Registro de Atendimento Integrado (RAI) por apropriação indébita contra Jordane Costa, registrado antes mesmo da comunicação de furto do veículo.

O registro foi feito no dia 31 de julho, na 4ª Delegacia de Polícia de Goiânia, e tem como comunicante a própria Sabrina. Na ocasião, ela alegou não saber do paradeiro do carro e afirmou ter recebido uma denúncia anônima indicando que o automóvel estaria na garagem de Jordane Costa. O RAI cita ainda crimes de calúnia, difamação, perseguição e cyberbullying contra a advogada de Ricardo Medina.

RAI apresentado por Sabrina Ferreira no dia 31/07/2026 às 13:43

Em conversa com o reportagem, Thaís declarou que “irá aguardar as investigações para apurar a prática de crime de apropriação indébita registrado contra a Jordane Costa, bem como a finalização das investigações acerca da comunicação falsa de furto, que, se considerada falsa, será convertida num processo de denunciação caluniosa contra a comunicante Jordane”.

A advogada afirmou que o RAI por apropriação indébita foi registrado antes da comunicação de furto do Porsche, sugerindo que a narrativa apresentada por Jordane Costa não corresponderia à verdade.

A reportagem buscou um posicionamento mais detalhado da defesa de Sabrina Ferreira, e aguarda as informações para a inclusão de uma nota complementar.

Enquanto Jordane Costa sustenta que recebeu o veículo de forma legítima e que sua posse deveria ser mantida, a defesa de Sabrina Ferreira aponta que a proprietária registral não autorizou a transferência da guarda e que o automóvel estaria sendo indevidamente retido.

A situação se complica diante do falecimento de Ricardo Medina e da existência de uma herdeira menor de idade. Jordane Costa afirma que a família do empresário a apoia e que o advogado da sucessora também acompanhará as investigações. “Ele vai segunda-feira, 17, comigo quando eu for depor sobre o caso”, afirmou.

Por outro lado, a defesa de Sabrina Ferreira relatou que, no RAI de apropriação indébita, já estava separada de fato de Ricardo Medina havia aproximadamente 21 dias e que o divórcio foi formalizado cerca de uma semana antes da morte do empresário. Ela nega qualquer envolvimento com a retirada do veículo e afirma ter sido vítima de perseguição virtual e ataques por parte de Jordane Costa. A comunicante também declarou que não sabia da localização do carro até receber a denúncia anônima.

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