“Sou a favor da câmera no policial”, afirma Coronel Edson Raiado
“Eu sou a favor da câmera no policial, mas desde que nós coloquemos também o equipamento no vereador, no deputado, no governador, no ministro do STF e nos demais entes públicos que respondem pelo povo”. É com essa comparação que o Coronel Edson Raiado, candidato a deputado estadual por Goiás pelo PSD, defende o uso de câmeras corporais por policiais, mas questiona o que considera uma fiscalização desigual entre os agentes públicos.
Para Raiado, a discussão sobre as câmeras não deve ser restrita aos profissionais que atuam diretamente nas ruas. Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, ele afirma: “Se nós estamos falando de fiscalização, de transparência e de responsabilidade do agente público, isso precisa valer para todos”.
Na avaliação do coronel, o debate deve partir de um princípio de igualdade. “Não podemos colocar somente o policial na condição de ser fiscalizado enquanto outras autoridades que também tomam decisões em nome da população não passam pelo mesmo tipo de controle”, sustenta.
O candidato reconhece que as câmeras corporais podem ser importantes para a segurança pública e para a própria proteção dos policiais. “A câmera pode proteger o policial, pode mostrar exatamente o que aconteceu durante uma ocorrência e pode ajudar na fiscalização da atuação dele”, avalia.
Ao mesmo tempo, ele defende que o equipamento seja tratado como parte de uma política mais ampla de transparência. “Se é bom para o policial, precisamos discutir por que não seria bom também para outros agentes públicos”, questiona.

Tecnologia como aliada do policial
Raiado também defende o uso de tecnologia para aumentar a eficiência das forças de segurança. Na avaliação dele, câmeras, bancos de dados, sistemas de inteligência e ferramentas de inteligência artificial podem contribuir para uma atuação mais preventiva e reduzir a necessidade de confrontos.
“A tecnologia é um aliado do policial”, resume. Segundo o coronel, quanto mais informações estiverem disponíveis para as forças de segurança, maior será a possibilidade de identificar criminosos e antecipar ações. “Nós precisamos fazer com que o policial tenha informação, tenha inteligência e tenha tecnologia para agir antes que o crime aconteça.”
Para Raiado, o investimento em tecnologia não deve ser visto como substituição do trabalho policial, mas como uma forma de aumentar a capacidade operacional das equipes. “O policial precisa estar preparado, mas precisa também ter ferramenta para trabalhar”, diz.
Caiado como referência nacional
Questionado sobre quem considera preparado para enfrentar a crise de segurança pública no Brasil, Raiado cita o ex-governador de Goiás e candidato a presidente da República Ronaldo Caiado. Para Raiado, a experiência política e administrativa de Caiado, somada à atuação na área de segurança em Goiás, o coloca entre os nomes capazes de liderar uma discussão nacional sobre o tema.
“Sem sombra de dúvida, hoje o homem que vai dar um direcionamento e tem a coragem necessária para fazer isso e tem a moral para fazer isso é Ronaldo Caiado”, observa.
Raiado defende que uma política nacional de segurança pública não seja construída de maneira uniforme para todo o país. “Cada Estado tem sua realidade, tem suas características e tem suas necessidades”, argumenta. Para ele, os governadores precisam ter autonomia para estabelecer estratégias próprias de enfrentamento à criminalidade.
“Não dá para imaginar que aquilo que funciona em Goiás necessariamente vai funcionar da mesma maneira no Rio de Janeiro, em São Paulo ou em qualquer outro Estado”, afirma.
PEC da Segurança e endurecimento das leis
Ao comentar a PEC da Segurança Pública, Raiado defende mudanças no sistema de segurança e Justiça criminal. O candidato critica o que considera excesso de garantias concedidas aos criminosos e afirma que o país precisa discutir mecanismos relacionados à execução das penas e ao funcionamento do sistema de Justiça.
“Precisamos discutir o nosso sistema penal. Precisamos discutir a execução da pena e precisamos discutir se aquilo que está sendo feito hoje realmente está protegendo a sociedade”, afirma.
Na avaliação dele, o combate à criminalidade exige uma legislação que dê maior respaldo às forças de segurança. “Não adianta o policial prender e, pouco tempo depois, o criminoso estar novamente nas ruas”, argumenta.
Raiado também faz críticas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) em assuntos que considera relacionados à segurança pública. “Hoje nós temos um Supremo Tribunal Federal que está legislando”, afirma. Para ele, questões relacionadas à legislação penal deveriam ser debatidas e decididas pelo Congresso Nacional.
Críticas ao STF
Raiado também adota tom crítico ao comentar a atuação do STF e, especialmente, do ministro Alexandre de Moraes. O candidato questiona decisões e procedimentos que, segundo ele, extrapolariam as atribuições da Corte.
“Eu entendo que o Alexandre de Moraes não tem autoridade moral nenhuma para estar mais em uma cadeira comum disso, que ele deve ser afastado”, afirma.
Na avaliação do candidato, o Congresso Nacional deveria discutir mecanismos de fiscalização e controle sobre a atuação do STF. “Nós precisamos discutir os limites de cada Poder. Executivo é Executivo, Legislativo é Legislativo e Judiciário é Judiciário”, argumenta.
“Continuidade de uma missão”
Apesar de tratar de temas nacionais, Raiado afirma que sua principal bandeira eleitoral continua sendo a segurança pública. O coronel diz que pretende levar para a Assembleia Legislativa de Goiás a experiência acumulada ao longo de sua trajetória na Polícia Militar e em diferentes setores da segurança pública.
“Eu me coloco na política como uma pessoa que vem de fato dar continuidade a uma missão”, garante.
Para o candidato, a entrada na política representa uma extensão da atividade que desempenhou durante sua carreira. “Eu passei muitos anos da minha vida trabalhando para proteger a sociedade. Agora, entendo que posso continuar fazendo isso de outra forma, através do Legislativo”, frisa.
“Quero levar a experiência que adquiri para dentro da Assembleia. Quero discutir segurança pública, quero defender o cidadão e quero trabalhar para que o Estado tenha condições cada vez melhores de enfrentar a criminalidade”, conclui Raiado.
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