VÍDEO: Medeiros diz que ‘quem for podre que se quebre’, mas trata negócio de Flávio com Vorcaro como privado
Candidato ao Senado, o deputado federal José Medeiros (PL) afirmou na quinta-feira (17) que defende que “quem for podre que se quebre” nas investigações envolvendo o Banco Master. Questionado especificamente sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), que também é investigado no caso, Medeiros, no entanto, classificou a negociação entre o aliado e Daniel Vorcaro como um negócio privado, com objeto e contrapartida definidos.
“Eu defendo que quem for podre que se quebre. É esse o termo que eu defendo. O Banco Master era um banco que tinha negócios pelo Brasil inteiro. Se a régua for colocar o Flávio Bolsonaro, por um negócio privado, com contrapartida clara, com objeto jurídico claro, como criminoso, então vai prender boa parte da clientela do banco”, declarou.
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Medeiros citou ainda Luciano Huck e os jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo ao argumentar que diferentes pessoas e empresas mantiveram relações comerciais com o Banco Master. A menção foi feita pelo próprio parlamentar durante sua defesa de que é necessário diferenciar negócios privados de eventuais relações ilegais.
“A gente precisa separar o que é advocacia administrativa, o que são relações espúrias de contrapartida sobre decisões e sobre proteção jurídica, de negócios privados”, afirmou.
Ao ser questionado diretamente se a frase “quem for podre que se quebre” também valeria para Flávio Bolsonaro, Medeiros voltou a dizer que a regra deveria atingir qualquer pessoa, mas imediatamente ressaltou as características que, segundo ele, diferenciariam a negociação envolvendo o senador.
“Quem for, que se quebre. Mas o negócio é bem claro. É um negócio privado, com contrapartida de bilheteria. Não era assim: ‘me dá tanto aí que eu vou botar assim e assado’”, disse.
Flávio Bolsonaro é formalmente investigado em inquérito relacionado ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro. Documentos da Polícia Federal tornados públicos apontam Flávio como interlocutor direto de Vorcaro nas negociações de recursos para o longa e registram cobranças de pagamentos, contatos e encontros entre os dois. A investigação apura a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários dos valores movimentados.
Segundo os documentos da investigação, a negociação envolveu pelo menos US$ 24 milhões para a produção, dos quais ao menos US$ 12,3 milhões teriam sido efetivamente pagos. A PF também investiga se parte dos recursos teve outra destinação e apura possíveis crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. A existência da investigação não significa que Flávio tenha sido considerado culpado.
Flávio Bolsonaro sustenta que não houve irregularidade na negociação e tem defendido a divulgação integral dos documentos do caso. Segundo o senador, o financiamento estava relacionado exclusivamente à produção cinematográfica e não envolveu contrapartidas políticas ou favorecimento ao Banco Master.

