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Dólar R$ -- 19:03:00 | 26 de outubro de 2026
POLÍTICA

A República decidiu que cidadania era coisa de homem

Com colaboração de Lenora Barbo para Bolha

/**
* nwe-wp-gallery.js
*
* Extraído do bundle (public.js) para uso em arquivo separado.
* Requer:
* – jQuery (window.jQuery)
* – Viewer (a lib usada no bundle; pode ser importada ou estar em window.Viewer)
*
* Estrutura esperada no HTML:
* .nwe-wp-gallery
* .nwe-wp-gallery-img img (imagem principal)
* .nwe-wp-gallery-cont-list
* .nwe-wp-gallery-arrow.left/.right (setas)
* .nwe-wp-gallery-list (container com scroll horizontal)
* .nwe-wp-gallery-list-item (thumb)
* data-original=”URL” (imagem grande)
* data-pos=”1″ (posição para o contador)
* .page span (contador/posição)
*/

(function (global) {
const DEFAULTS = {
selector: “.nwe-wp-gallery”,
viewerOptions: { title: true, url: “src” },
animation: {
scrollMs: 200,
fadeMs: 200,
arrowFadeInMs: 300,
scrollPadding: 10,
scrollMultiplier: 2,
},
};

function getJquery($) {
const jq = $ || global.jQuery;
if (!jq) {
throw new Error(“[nwe-wp-gallery] jQuery não encontrado (window.jQuery).”);
}
return jq;
}

function getViewer(ViewerClass) {
// No bundle ele aparece como “new y.a(…)”.
// Aqui aceitamos via injeção ou via global window.Viewer.
return ViewerClass || global.Viewer;
}

/**
* Liga os eventos e o comportamento do “thumb strip” + setas.
* @param {jQuery} $gallery – container .nwe-wp-gallery
* @param {object} opts
*/
function bindGalleryControls($gallery, opts) {
const $ = $gallery.constructor; // jQuery ref
const $list = $gallery.find(“.nwe-wp-gallery-list”);

// Clique nas setas para scroll horizontal
$gallery
.find(“.nwe-wp-gallery-cont-list .nwe-wp-gallery-arrow”)
.off(“click.nweGallery”)
.on(“click.nweGallery”, function () {
const itemWidth = $list.find(“.nwe-wp-gallery-list-item”).outerWidth();
const step = opts.animation.scrollMultiplier * itemWidth;

let next = $list[0].scrollLeft + step + opts.animation.scrollPadding;
if ($(this).hasClass(“left”)) {
next = $list[0].scrollLeft – step – opts.animation.scrollPadding;
}

$list.animate({ scrollLeft: next }, opts.animation.scrollMs);
});

const $items = $gallery.find(“.nwe-wp-gallery-list .nwe-wp-gallery-list-item”);

// Mostra as setas quando o usuário scrolla a lista
$list
.off(“scroll.nweGallery”)
.on(“scroll.nweGallery”, function () {
const $arrows = $(this).parent().find(“.nwe-wp-gallery-arrow”);
if ($arrows.is(“:visible”) === false) {
$arrows.fadeIn(opts.animation.arrowFadeInMs);
}
});

// Força um pequeno scroll inicial (como no bundle)
$list.scrollLeft(1);

// Clique em um thumb: ativa, troca imagem principal, atualiza contador
$items
.off(“click.nweGallery”)
.on(“click.nweGallery”, function () {
$items.removeClass(“active”);
$(this).addClass(“active”);

const $main = $gallery.find(“.nwe-wp-gallery-img”);
const data = this.dataset || {};
const original = data.original;
const pos = data.pos;

if (!original) return;

const $caption = $main.find(“span”);
const $img = $main.find(“img”);
$img.fadeOut(opts.animation.fadeMs, () => {
$img.attr(“src”, original);
$caption.html(data.caption);
$img.fadeIn(opts.animation.fadeMs);
});

if (pos != null) {
$gallery.find(“.page span”).html(pos);
}
});
}

/**
* Inicializa UMA galeria: Viewer + controles.
* @param {Element|jQuery} galleryEl
* @param {object} options
* @returns {void}
*/
function initSingleGallery(galleryEl, options = {}) {
const opts = mergeDeep({}, DEFAULTS, options);
const $ = getJquery(opts.$);
const ViewerClass = getViewer(opts.Viewer);

const $gallery = $(galleryEl);
if ($gallery.length === 0) return;

// 1) Viewer (clique na imagem e abre lightbox)
if (ViewerClass) {
// Evita duplicar Viewer caso você reinicialize via AJAX/hook
// (a lib geralmente seta “element.viewer”, mas isso depende da versão).
try {
// eslint-disable-next-line no-new
new ViewerClass($gallery[0], opts.viewerOptions);
} catch (e) {
// Se o Viewer não estiver disponível/compatível, segue só com os controles
// para não quebrar a página.
}
}

// 2) Controles (setas + thumbs)
bindGalleryControls($gallery, opts);
}

/**
* Inicializa TODAS as galerias que existem no DOM.
* @param {object} options
*/
function initAllGalleries(options = {}) {
const opts = mergeDeep({}, DEFAULTS, options);
const $ = getJquery(opts.$);

$(opts.selector).each(function () {
initSingleGallery(this, opts);
});
}

/**
* Reproduz o comportamento do bundle:
* – Ao DOMContentLoaded inicializa tudo
* – Se existir wp.hooks, registra o addAction para reinicializar galerias inseridas dinamicamente
*/
function bootstrapNweWpGallery(options = {}) {
const opts = mergeDeep({}, DEFAULTS, options);

global.addEventListener(“DOMContentLoaded”, function () {
initAllGalleries(opts);
});

// Hook usado no bundle: “nwe_next_post_after_insert”
if (global.wp && global.wp.hooks && typeof global.wp.hooks.addAction === “function”) {
global.wp.hooks.addAction(
“nwe_next_post_after_insert”,
“theme_next_post_after_insert”,
(containerEl) => {
if (!containerEl) return;

const galleries = containerEl.querySelectorAll(opts.selector);
if (!galleries || galleries.length === 0) return;

galleries.forEach((el) => initSingleGallery(el, opts));
}
);
}
}

// Helpers simples (sem depender de libs)
function isObject(item) {
return item && typeof item === “object” && !Array.isArray(item);
}

function mergeDeep(target, …sources) {
if (!sources.length) return target;
const source = sources.shift();
if (isObject(target) && isObject(source)) {
for (const key in source) {
if (isObject(source[key])) {
if (!target[key]) Object.assign(target, { [key]: {} });
mergeDeep(target[key], source[key]);
} else {
Object.assign(target, { [key]: source[key] });
}
}
}
return mergeDeep(target, …sources);
}

// Exports globais (pode trocar para export default se estiver em bundler)
global.NweWpGallery = {
initSingleGallery,
initAllGalleries,
bootstrapNweWpGallery,
};
})(window);
window.NweWpGallery.bootstrapNweWpGallery();

Em outubro de 2026, as mulheres são maioria do eleitorado brasileiro. Há 135 anos, o Congresso discutia se elas podiam fazer parte dele. Entre os que responderam que sim estavam dois representantes de Goiás: o deputado Leopoldo de Bulhões, futuro ministro da Fazenda, e o senador Antônio da Silva Paranhos.

Seus nomes estão associados a três emendas preservadas pelo Arquivo Histórico da Câmara dos Deputados. No registro da primeira, datada de 10 de janeiro de 1891, aparecem entre 31 autores relacionados no catálogo. As propostas não passaram. A República preferiu continuar sendo um assunto de homens.

O regime tinha pouco mais de um ano quando precisou enfrentar uma pergunta que hoje parece elementar: uma mulher também cabia na palavra “cidadão” escrita na Constituição?

Parecia gramática. Era disputa de poder.

O Império caíra em novembro de 1889, apenas dezoito meses depois da abolição da escravidão. O país reorganizava os poderes, construía uma federação, discutia eleições, direitos individuais e autonomia dos estados. A República se anunciava nova. Boa parte da sociedade que a sustentava permanecia antiga.

Antes da urna, a escravidão

Em 18 de agosto de 1882, na Câmara dos Deputados, Leopoldo de Bulhões cobrou do ministro Paranaguá “que se desfeche um golpe decisivo sobre o cancro que nos devora e envilece — a escravidão”. Secretário da Confederação Abolicionista, apresentou, em 3 de setembro de 1883, o Projeto nº 120, que propunha a abolição completa da escravidão, cinco anos antes da Lei Áurea. Segundo a pesquisa de Maria Augusta Sant’Anna Moraes, a iniciativa teve boa acolhida na imprensa da Corte, mas foi rejeitada. O verbete da FGV acrescenta uma condição que precisa acompanhar essa história: à libertação imediata se seguiria um curto período de serviço gratuito dos libertos. A ruptura com o cativeiro ainda carregava uma obrigação de trabalho sem remuneração.

Lavagem do ouro por escravizados em Minas Gerais, 1880. Leopoldo de Bulhões, abolicionista propôs o fim da escravidão cinco anos antes da Lei Áurea | Foto: Marc Ferrez/Acervo Instituto Moreira Salles

Leopoldo já conhecia a resistência que uma proposta de ampliação de direitos podia encontrar naquele Parlamento. Anos antes, ainda sob a monarquia, havia defendido o fim do cativeiro.

Uma fresta na Constituição

Instalado em 15 de novembro de 1890, o Congresso Nacional Constituinte reunia 205 deputados e 63 senadores. Entre eles estava José Leopoldo de Bulhões Jardim, de 34 anos, escolhido para a Comissão dos 21: um representante de cada estado e do Distrito Federal, encarregados de examinar o projeto constitucional do Governo Provisório.

Compromisso constitucional na Primeira República

É ali, na comissão que discutia a primeira Constituição republicana, que começa sua participação nessa história. Não é uma convicção atribuída ao personagem 135 anos depois. É uma posição registrada nos trabalhos constituintes.


Conheça Leopoldo de Bulhões

LER PERFIL
Leopoldo de Bulhões

Nasceu na Cidade de Goiás em 28 de setembro de 1856 e morreu em Petrópolis, no Rio de Janeiro, em 15 de dezembro de 1928. Neto do senador do Império José Rodrigues Jardim, formou-se em Direito em São Paulo, em 1880. Aos 25 anos, foi eleito deputado geral para a legislatura de 1882–1884. Defendeu o federalismo e a abolição. Na Constituinte de 1890–1891, integrou a Comissão dos 21. Foi senador por Goiás, ministro da Fazenda nos governos Rodrigues Alves e Nilo Peçanha, diretor do Banco do Brasil e membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. A carreira que o tornou conhecido pelas finanças também passou pela discussão dos direitos políticos femininos.


Leopoldo, Lopes Trovão e Casimiro Júnior defenderam, na Comissão dos 21, que mulheres pudessem votar sob determinadas condições. A proposta alcançava diplomadas com títulos científicos e de professora, desde que não estivessem sob poder marital nem paterno, bem como aquelas na posse dos próprios bens. A comissão a rejeitou.

A historiadora Teresa Cristina de Novaes Marques registra a atuação dos três em estudo publicado pela Câmara dos Deputados a partir do acervo parlamentar. O Tribunal Superior Eleitoral também preserva a descrição da proposta em seu histórico do voto feminino.

Havia filtros de educação, patrimônio, condição civil e autonomia jurídica. A mulher pobre, sem diploma, sem propriedade e submetida às relações familiares do século XIX continuava quase sempre do lado de fora. Era uma cidadania aberta por frestas. Naquele Congresso, até a fresta encontrava resistência.

A mulher podia criar os futuros cidadãos, educá-los, administrar a casa em que cresciam e suportar as consequências das decisões que tomavam. Participar da escolha de quem fazia as leis às quais ela própria estava submetida já parecia excessivo.

A República prometera cidadania. Na hora de escrevê-la, queria saber o sexo do cidadão. A República prometera cidadania. Na hora de escrevê-la, queria saber o sexo do cidadão.

Dois representantes de Goiás e três emendas

A derrota na comissão não encerrou a discussão. Em janeiro de 1891, no plenário, César Zama e Sá Andrade apresentaram uma emenda favorável ao sufrágio feminino. Joaquim Saldanha Marinho apresentou outra, mais abrangente, que reuniu dezenas de assinaturas.

O Arquivo Histórico da Câmara guarda três registros ligados aos nomes de Leopoldo de Bulhões e Silva Paranhos. O primeiro é o item BR DFCD AC1891-DISC-1-30-359, de 10 de janeiro de 1891: uma emenda de Saldanha Marinho, Ferreira Pires, Costa Machado e outros à Declaração de Direitos do projeto constitucional.

Emenda dos constituintes ao artigo 71 do projeto de Constituição, de janeiro de 1891 com relação de signatários, que dispõe sobre declaração de direitos (de voto às mulheres)

O catálogo descreve uma proposta de garantia de direitos civis às mulheres e de direitos eleitorais às diplomadas, professoras, mulheres na posse dos próprios bens e casadas. Entre os 31 autores relacionados estão os dois representantes de Goiás.


Conheça Silva Paranhos

LER PERFIL
Antônio da Silva Paranhos, senador por Goiás e pai de Ricardo Paranhos. Reprodução: Jornal Opção/Bolha (foto de divulgação).

Nascido em Portugal em 1840, chegou a Catalão por volta de 1850 e naturalizou-se brasileiro, segundo o Dicionário Histórico-Biográfico da Primeira República, da FGV. Na década de 1870, consolidou-se como chefe republicano na região. Eleito senador por Goiás em setembro de 1890, tomou posse no Congresso Constituinte em 15 de novembro. Seu nome está associado, no Arquivo da Câmara, às três emendas de plenário aqui examinadas. Signatário da Constituição de 1891, exerceu o mandato ordinário até 1893. Foi assassinado em Catalão, em 30 de novembro de 1897, pelo capitão Carlos Antônio de Andrade, juiz adjunto e chefe do Partido Republicano Federal em Goiás, em meio às disputas políticas locais.


LEIA TAMBÉM · BOLHA: Ricardo Paranhos: o homem que desapareceu dentro do próprio nome

Na passagem da comissão para o plenário, uma palavra muda o alcance da proposta: casadas.

A formulação anterior ressalvava a sujeição ao poder marital ou paterno. A emenda de janeiro mencionava expressamente mulheres casadas entre as categorias contempladas. Casar-se deixava de ser, naquele texto, razão suficiente para negar à mulher qualquer possibilidade de vontade política própria.

Não se sabe quem redigiu cada linha. Sabe-se a quem o documento está associado. A presença de Leopoldo e Silva Paranhos está registrada; a mudança de formulação também.

As emendas de Zama e Sá Andrade e de Saldanha Marinho foram derrotadas. A partir de 26 de janeiro, na segunda discussão do projeto constitucional, os defensores do voto feminino tentaram outra vez. Alteraram redações, procuraram construir maioria. O arquivo preservou o percurso.

O item 507, BR DFCD AC1891-DISC-2-40-507, é uma emenda ao artigo 71 do projeto constitucional, na Declaração de Direitos. Sua descrição resume o objeto: “direito de voto às mulheres”. Leopoldo e Silva Paranhos voltam a aparecer entre os autores relacionados.

Declaração de voto do constituinte Almeida Nogueira, contra à emenda Saldanha Marinho e outros ao Projeto de Constituição, dispondo dos direitos eleitorais das mulheres. 16/01/1891

O item 509, BR DFCD AC1891-DISC-2-40-509, avança para a elegibilidade. A proposta previa que mulheres diplomadas, professoras, aquelas no exercício de cargos públicos, na posse e administração dos próprios bens e casadas pudessem votar e ser votadas para cargos municipais. Os dois representantes de Goiás estão novamente associados ao documento.

Declaração de voto constituinte à emenda ao Projeto de Constituição, que dospõe sobre o direito de voto das mulheres. 15/01/1891 | Foto: arquivo histórico da Câmara

O limite municipal importa. Não se propunha ali abrir às mulheres todos os cargos da República. Mas admitir que uma mulher escolhesse um governante e admitir que ela própria governasse eram passos diferentes.

Uma mulher poderia atravessar a porta de uma câmara municipal para ocupar uma cadeira. Discutir orçamento, impostos, educação. Representar homens e mulheres da sua cidade. A proposta mantinha restrições, mas colocava essa possibilidade no papel em 1891.

Essa é uma passagem bem mais incômoda — e mais interessante — do que a nota breve à qual a participação de Leopoldo nessa disputa costuma ser reduzida.

Os defensores do sufrágio feminino perderam outra vez. As emendas da segunda discussão foram rejeitadas em 11 de fevereiro de 1891. Para compreender a dimensão da derrota, convém ouvir os vencedores.

A família corria perigo

Os adversários falavam em desastre. Lauro Sodré classificou a proposta como “anárquica, desastrada, fatal”. Lacerda Coutinho recorreu à obrigação militar: se a mulher não era soldado nem marinheiro, não poderia ter, no Estado, o mesmo valor político do homem.

Retrato oficial de Leopoldo de Bulhões em 1890; deputado eleito pelo estado de Goiás | Foto: arquivo histórico da Câmara

Na sessão de 12 de janeiro, Moniz Freire advertiu que aprovar a proposta equivaleria a decretar “a dissolubilidade da família brasileira”. Era uma família aparentemente robusta, desde que a mulher não tivesse um título de eleitor.

O alarme ajuda a entender o que estava em disputa. Uma eleitora poderia discordar do marido, do pai, do irmão ou do chefe da família. Poderia formar opinião e transformá-la em ato. O voto nem sequer era secreto. Ainda assim, permitir que uma mulher o depositasse ameaçava uma hierarquia que começava dentro de casa.

Não faltava organização à sociedade que aqueles parlamentares defendiam. Cada pessoa tinha seu lugar. O problema surgia quando alguém queria sair dele.

A reivindicação já estava na rua

As mulheres não esperavam que um grupo de homens esclarecidos resolvesse descobrir seus direitos. Josephina Álvares de Azevedo já fazia campanha. Criado em 1888, seu jornal A Família discutia educação e emancipação feminina e se tornou um espaço de defesa do sufrágio.

Josephina Álvares de Azevedo; em 1888 já fazia campanha pelo voto feminino

Durante a Constituinte, as colaboradoras mantiveram a campanha e procuraram deputados. Eram poucas, mas politicamente ativas. A Biblioteca Nacional preserva exemplares do periódico na Hemeroteca Digital e documenta sua trajetória.

/**
* nwe-wp-gallery.js
*
* Extraído do bundle (public.js) para uso em arquivo separado.
* Requer:
* – jQuery (window.jQuery)
* – Viewer (a lib usada no bundle; pode ser importada ou estar em window.Viewer)
*
* Estrutura esperada no HTML:
* .nwe-wp-gallery
* .nwe-wp-gallery-img img (imagem principal)
* .nwe-wp-gallery-cont-list
* .nwe-wp-gallery-arrow.left/.right (setas)
* .nwe-wp-gallery-list (container com scroll horizontal)
* .nwe-wp-gallery-list-item (thumb)
* data-original=”URL” (imagem grande)
* data-pos=”1″ (posição para o contador)
* .page span (contador/posição)
*/

(function (global) {
const DEFAULTS = {
selector: “.nwe-wp-gallery”,
viewerOptions: { title: true, url: “src” },
animation: {
scrollMs: 200,
fadeMs: 200,
arrowFadeInMs: 300,
scrollPadding: 10,
scrollMultiplier: 2,
},
};

function getJquery($) {
const jq = $ || global.jQuery;
if (!jq) {
throw new Error(“[nwe-wp-gallery] jQuery não encontrado (window.jQuery).”);
}
return jq;
}

function getViewer(ViewerClass) {
// No bundle ele aparece como “new y.a(…)”.
// Aqui aceitamos via injeção ou via global window.Viewer.
return ViewerClass || global.Viewer;
}

/**
* Liga os eventos e o comportamento do “thumb strip” + setas.
* @param {jQuery} $gallery – container .nwe-wp-gallery
* @param {object} opts
*/
function bindGalleryControls($gallery, opts) {
const $ = $gallery.constructor; // jQuery ref
const $list = $gallery.find(“.nwe-wp-gallery-list”);

// Clique nas setas para scroll horizontal
$gallery
.find(“.nwe-wp-gallery-cont-list .nwe-wp-gallery-arrow”)
.off(“click.nweGallery”)
.on(“click.nweGallery”, function () {
const itemWidth = $list.find(“.nwe-wp-gallery-list-item”).outerWidth();
const step = opts.animation.scrollMultiplier * itemWidth;

let next = $list[0].scrollLeft + step + opts.animation.scrollPadding;
if ($(this).hasClass(“left”)) {
next = $list[0].scrollLeft – step – opts.animation.scrollPadding;
}

$list.animate({ scrollLeft: next }, opts.animation.scrollMs);
});

const $items = $gallery.find(“.nwe-wp-gallery-list .nwe-wp-gallery-list-item”);

// Mostra as setas quando o usuário scrolla a lista
$list
.off(“scroll.nweGallery”)
.on(“scroll.nweGallery”, function () {
const $arrows = $(this).parent().find(“.nwe-wp-gallery-arrow”);
if ($arrows.is(“:visible”) === false) {
$arrows.fadeIn(opts.animation.arrowFadeInMs);
}
});

// Força um pequeno scroll inicial (como no bundle)
$list.scrollLeft(1);

// Clique em um thumb: ativa, troca imagem principal, atualiza contador
$items
.off(“click.nweGallery”)
.on(“click.nweGallery”, function () {
$items.removeClass(“active”);
$(this).addClass(“active”);

const $main = $gallery.find(“.nwe-wp-gallery-img”);
const data = this.dataset || {};
const original = data.original;
const pos = data.pos;

if (!original) return;

const $caption = $main.find(“span”);
const $img = $main.find(“img”);
$img.fadeOut(opts.animation.fadeMs, () => {
$img.attr(“src”, original);
$caption.html(data.caption);
$img.fadeIn(opts.animation.fadeMs);
});

if (pos != null) {
$gallery.find(“.page span”).html(pos);
}
});
}

/**
* Inicializa UMA galeria: Viewer + controles.
* @param {Element|jQuery} galleryEl
* @param {object} options
* @returns {void}
*/
function initSingleGallery(galleryEl, options = {}) {
const opts = mergeDeep({}, DEFAULTS, options);
const $ = getJquery(opts.$);
const ViewerClass = getViewer(opts.Viewer);

const $gallery = $(galleryEl);
if ($gallery.length === 0) return;

// 1) Viewer (clique na imagem e abre lightbox)
if (ViewerClass) {
// Evita duplicar Viewer caso você reinicialize via AJAX/hook
// (a lib geralmente seta “element.viewer”, mas isso depende da versão).
try {
// eslint-disable-next-line no-new
new ViewerClass($gallery[0], opts.viewerOptions);
} catch (e) {
// Se o Viewer não estiver disponível/compatível, segue só com os controles
// para não quebrar a página.
}
}

// 2) Controles (setas + thumbs)
bindGalleryControls($gallery, opts);
}

/**
* Inicializa TODAS as galerias que existem no DOM.
* @param {object} options
*/
function initAllGalleries(options = {}) {
const opts = mergeDeep({}, DEFAULTS, options);
const $ = getJquery(opts.$);

$(opts.selector).each(function () {
initSingleGallery(this, opts);
});
}

/**
* Reproduz o comportamento do bundle:
* – Ao DOMContentLoaded inicializa tudo
* – Se existir wp.hooks, registra o addAction para reinicializar galerias inseridas dinamicamente
*/
function bootstrapNweWpGallery(options = {}) {
const opts = mergeDeep({}, DEFAULTS, options);

global.addEventListener(“DOMContentLoaded”, function () {
initAllGalleries(opts);
});

// Hook usado no bundle: “nwe_next_post_after_insert”
if (global.wp && global.wp.hooks && typeof global.wp.hooks.addAction === “function”) {
global.wp.hooks.addAction(
“nwe_next_post_after_insert”,
“theme_next_post_after_insert”,
(containerEl) => {
if (!containerEl) return;

const galleries = containerEl.querySelectorAll(opts.selector);
if (!galleries || galleries.length === 0) return;

galleries.forEach((el) => initSingleGallery(el, opts));
}
);
}
}

// Helpers simples (sem depender de libs)
function isObject(item) {
return item && typeof item === “object” && !Array.isArray(item);
}

function mergeDeep(target, …sources) {
if (!sources.length) return target;
const source = sources.shift();
if (isObject(target) && isObject(source)) {
for (const key in source) {
if (isObject(source[key])) {
if (!target[key]) Object.assign(target, { [key]: {} });
mergeDeep(target[key], source[key]);
} else {
Object.assign(target, { [key]: source[key] });
}
}
}
return mergeDeep(target, …sources);
}

// Exports globais (pode trocar para export default se estiver em bundler)
global.NweWpGallery = {
initSingleGallery,
initAllGalleries,
bootstrapNweWpGallery,
};
})(window);
window.NweWpGallery.bootstrapNweWpGallery();

Josephina também levou a disputa ao palco. Sua comédia O Voto Feminino estreou no Teatro Recreio Dramático, no Rio de Janeiro, em 26 de maio de 1890, antes da promulgação da Constituição. Uma mulher escrevia e submetia ao julgamento de uma plateia a política que pretendia mantê-la fora das decisões.

Obra de Teresa Cristina de Novaes conta a história do voto feminino no Brasil

Quando Lopes Trovão, Casimiro Júnior, Leopoldo de Bulhões, Silva Paranhos, César Zama, Sá Andrade, Saldanha Marinho, Costa Machado e outros discutiram o tema no Congresso, a reivindicação já vinha de fora. Eles não a inventaram. Aceitaram que ela pudesse entrar na Constituição.

Até onde ia a convicção de Leopoldo? Não foi localizado, nas fontes oficiais consultadas, um grande discurso em que ele expusesse detalhadamente uma concepção de igualdade entre homens e mulheres. As assinaturas não autorizam atribuir-lhe uma teoria feminista, uma militância equivalente à das sufragistas ou a defesa da igualdade política integral tal como hoje a entendemos.

Autorizam reconhecer uma posição reiterada. Ele participou da discussão na comissão e seu nome reaparece nas tentativas em plenário. Não foi uma presença irrelevante. O arquivo documenta o gesto, ainda que não revele por inteiro suas razões.

Há também uma mulher nessa formação familiar que merece aparecer pelo próprio nome.

Antônia Emília e a autoridade dentro de casa

Antônia Emília Rodrigues Jardim, identificada também como Antônia Emília de Bulhões Jardim em registros biográficos, era filha do senador do Império José Rodrigues Jardim. Casou-se com Inácio Soares de Bulhões e teve nove filhos, entre eles Leopoldo. Criou-os na Cidade de Goiás, em um ambiente de estudo, literatura e música. Maria Augusta Sant’Anna Moraes a descreveu como “altamente feminista”: na casa dos Bulhões, nada se decidia sem o seu beneplácito. Netos e bisnetos a chamavam de “Mãe de Longe”. Essa autoridade familiar é parte de sua história; por si só, não prova a origem das posições constituintes do filho.


ANTÔNIA EMÍLIA RODRIGUES JARDIM, MÃE DE LEOPOLDO DE BULHÕES

Quarenta e um anos dentro de uma palavra

Promulgada em 24 de fevereiro de 1891, a Constituição escreveu no artigo 70:

Promulgação da Constituição de 1891

“São eleitores os cidadãos maiores de 21 anos que se alistarem na forma da lei.”

ARTIGO 70 · CONSTITUIÇÃO DE 1891

Em seguida, enumerou os impedidos de se alistar: mendigos, analfabetos, determinadas praças militares e religiosos sujeitos a votos de obediência. As mulheres não apareciam na lista.

A Constituição não dizia que elas podiam votar. Também não dizia expressamente que não podiam. Deixava a disputa alojada dentro de uma palavra masculina: cidadãos.

João Barbalho, importante intérprete da Carta, entendeu posteriormente que a rejeição das emendas revelava a intenção dos constituintes de excluí-las. Agenor de Roure enxergou outro caminho: sem proibição expressa ao alistamento feminino e sem as mulheres na relação dos inelegíveis, uma lei ordinária poderia resolver a questão. O TSE registra essa divergência de interpretação.

O país conviveria quatro décadas com a contradição. A Constituição proclamava igualdade perante a lei. No acesso à urna, a igualdade dependia de quem se apresentava.

Leolinda Daltro: pioneira na luta pelo sufrágio feminino

O texto que calou sobre a mulher é de 24 de fevereiro de 1891. O Código Eleitoral que a incluiu expressamente é de 24 de fevereiro de 1932. Exatos 41 anos.

Integrantes do movimento sufragista do Rio Grande do Norte, 1928

O artigo 2º do Decreto nº 21.076 estabeleceu: “É eleitor o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo, alistado na forma deste Código.” Permaneciam outras exclusões, entre elas a dos analfabetos. Para as mulheres alfabetizadas que cumprissem as exigências legais, porém, o sexo e o estado civil deixavam de ser impedimentos ao alistamento.

Entre uma data e outra, passaram presidentes, revoltas, estados de sítio, transformações urbanas, crises econômicas e uma guerra mundial. Organizaram-se movimentos de mulheres, apresentaram-se projetos, acumularam-se derrotas e experiências estaduais de participação feminina. A questão que o Congresso recusara em 1891 continuava sendo disputada.

Bertha Lutz em campanha pelo voto feminino, 1928

Nem 1932 encerrou o percurso. A Constituição de 1934 incorporou os direitos políticos femininos, mas preservou uma diferença na obrigatoriedade: o alistamento e o voto eram obrigatórios para os homens e, entre as mulheres, para aquelas que exercessem função pública remunerada. As demais podiam votar; não estavam submetidas à mesma obrigação. A igualdade também chegava aos poucos.

Celina Guimarães Viana, pioneira do voto feminino no Brasil

O nome que ficou no papel

A biografia pública de Leopoldo de Bulhões costuma passar pelas finanças. Deputado, senador, ministro da Fazenda, personagem decisivo da política goiana e da Primeira República. Uma cidade receberia seu nome.

Entre as páginas da Constituinte, aparece outra parte dessa trajetória. Aos 34 anos, representante de um estado distante dos grandes centros de decisão, ele participou da comissão encarregada de examinar a nova Constituição e tomou posição diante de uma pergunta que boa parte dos colegas preferia encerrar sem discussão: mulher era cidadã?

Leopoldo associou seu nome a propostas que admitiam o voto feminino sob determinadas condições. Voltou a aparecer nas tentativas seguintes, ao lado de Silva Paranhos. Em uma delas, ambos estavam entre os que aceitavam que mulheres pudessem também ocupar cargos municipais.

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Enquanto colegas anunciavam a destruição da família ou exigiam experiência militar para reconhecer capacidade política, os dois representantes de Goiás estavam entre os que apoiavam a abertura. Essa é a medida histórica de sua participação.

As brasileiras fariam a parte decisiva da luta: Josephina, depois Leolinda Daltro, Bertha Lutz, Celina Guimarães Viana e tantas outras, conhecidas ou apagadas. O direito não lhes foi oferecido. Foi disputado.

Muito antes de 1932, a reivindicação chegou ao Congresso e encontrou homens dispostos a registrá-la. Entre eles, Silva Paranhos. E, da Comissão dos 21 às novas tentativas em plenário, José Leopoldo de Bulhões Jardim.

Os arquivos às vezes esperam mais de um século para devolver ao presente uma história que ele quase deixou de reconhecer como sua.

A emenda perdeu. O papel sobreviveu.

Constituição de 1891, a primeira do Brasil República

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