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POLÍTICA

Advogado teria transmitido ordens de facções criminosas por meio de atendimentos em presídios, diz delegado

Um advogado investigado pela Polícia Federal teria utilizado atendimentos em unidades prisionais para transmitir mensagens, orientações e determinações entre integrantes de facções criminosas presos e membros em liberdade. A informação foi confirmada ao Jornal Opção pelo delegado Bruno Zane, chefe da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Goiás (FiCCO/GO), responsável pela investigação que motivou a Operação Desatar, deflagrada nesta quinta-feira, 29.

Segundo Bruno, há indícios de que o profissional teria atuado como intermediário da comunicação entre integrantes das organizações criminosas, ultrapassando os limites da assistência jurídica. A apuração busca esclarecer se as mensagens eram utilizadas para manter ou coordenar as atividades dos grupos e qual seria a participação de lideranças que atuam fora do sistema prisional.

“As investigações apontam, em tese, que o advogado investigado teria utilizado atendimentos realizados em unidade prisional para transmitir mensagens entre integrantes de organizações criminosas recolhidos ao sistema prisional e membros que se encontravam em liberdade”, afirmou o delegado. “Há indícios de que ele atuaria como canal de comunicação entre esses indivíduos, extrapolando os limites da atividade de defesa técnica”, continuou.

A Operação Desatar cumpriu dois mandados de busca e apreensão, um no endereço profissional e outro na residência do investigado, ambos em Planaltina de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. Não houve mandado de prisão contra o advogado, cuja identidade não foi divulgada pela Polícia Federal.

De acordo com o delegado, as mensagens investigadas envolveriam recados e determinações atribuídos a lideranças criminosas em liberdade, além de informações sobre a dinâmica interna das organizações. A investigação identificou indícios de envolvimento de integrantes de facções com comando nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Celulares e computadores serão analisados

Os mandados judiciais autorizaram a apreensão de celulares, computadores, mídias digitais, dispositivos de armazenamento, anotações, registros de atendimentos e documentos que possam contribuir para a investigação. Conforme Bruno Zane, os aparelhos celulares e notebooks serão submetidos à extração pericial dos dados e à análise técnica do conteúdo.

O objetivo é verificar se os materiais armazenados contêm informações relacionadas às suspeitas e podem ajudar a identificar outros envolvidos. A investigação continua em andamento, e o advogado deverá ser formalmente ouvido pela Polícia Federal, com garantia do direito ao silêncio e à assistência por defensor.

Zane ressaltou que a apuração não questiona o exercício regular da advocacia nem as prerrogativas profissionais asseguradas por lei. “O que se apura é a eventual utilização indevida dessas prerrogativas para a prática de condutas ilícitas”, afirmou. Eventual responsabilização dependerá da conclusão das investigações e da análise das provas, com respeito ao contraditório e à ampla defesa.

OAB-GO acompanha o caso

Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) informou que acompanha os desdobramentos da Operação Desatar por meio da Subseção de Planaltina de Goiás e do Sistema de Defesa das Prerrogativas. A entidade afirmou que busca assegurar o respeito às garantias legais durante o cumprimento das medidas judiciais, especialmente quanto à inviolabilidade dos escritórios de advocacia e ao sigilo profissional.

A OAB-GO também informou que os fatos serão analisados na esfera ético-disciplinar, observados os procedimentos legais, o contraditório e a ampla defesa. “A OAB-GO reafirma seu compromisso com a defesa das prerrogativas da advocacia, o devido processo legal e a apuração de eventuais infrações, respeitada a competência das autoridades responsáveis pela investigação”, afirmou a entidade.

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Fonte: www.jornalopcao.com.br