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POLÍTICA

Aliados de Lula defendem redução da pena de Bolsonaro para evitar nova crise com Congresso e STF

Integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) próximos ao presidente Lula da Silva defendem que o governo avalie alternativas jurídicas para diminuir o período de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A articulação teria como objetivo evitar novos confrontos políticos envolvendo o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF). As informações foram divulgadas pela jornalista Mônica Bergamo, em sua coluna na Folha de S.Paulo.

,De acordo com a publicação, interlocutores diretos de Lula consideram que uma iniciativa do próprio presidente poderia encerrar parte das disputas relacionadas à condenação de Bolsonaro, especialmente diante da possibilidade de o Senado voltar a discutir propostas de anistia.

A avaliação dessas lideranças é que o prolongamento do debate poderia comprometer a tramitação de projetos considerados prioritários pelo governo federal.

Outro ponto de preocupação seria a possibilidade de avanço de pedidos de impeachment contra ministros do STF, principalmente Alexandre de Moraes, responsável pela relatoria de processos relacionados à tentativa de golpe de Estado.

Na visão dos petistas ouvidos pela colunista, antecipar uma solução jurídica poderia reduzir a tensão entre os Poderes e impedir que o assunto se transformasse em uma nova crise institucional.

Quais alternativas Lula poderia adotar?

Embora o presidente da República não tenha competência para conceder anistia, existem outros instrumentos previstos na legislação que permitem alterar ou extinguir determinadas penas.

A anistia depende de aprovação do Congresso Nacional e pode afastar os efeitos penais de determinados crimes. O STF, entretanto, já estabeleceu entendimento contrário à concessão de anistia para crimes contra a ordem democrática.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado e outros delitos relacionados ao caso.

Entre as possibilidades discutidas estão a concessão de graça, indulto ou comutação da pena.

A graça é direcionada a uma pessoa específica, enquanto o indulto possui caráter coletivo. Ambos podem extinguir a punição, mas não eliminam necessariamente todas as consequências jurídicas da condenação.

Já a comutação permite reduzir o período de cumprimento da pena, sem afastar integralmente a condenação.

Eventuais medidas dessa natureza, porém, estariam sujeitas aos limites constitucionais e ao controle judicial.

Lei da dosimetria também é considerada alternativa

Outra possibilidade mencionada na reportagem de Mônica Bergamo seria uma iniciativa de Lula junto ao Supremo para defender a constitucionalidade da chamada lei da dosimetria.

A legislação, aprovada pelo Congresso Nacional, estabeleceu mudanças no cálculo das penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e pela tentativa de golpe de Estado.

Caso as novas regras fossem aplicadas à condenação de Bolsonaro, a estimativa apresentada na reportagem é que o ex-presidente precisaria cumprir aproximadamente mais um ano em regime fechado.

Entretanto, a aplicação da legislação foi suspensa pelo ministro Alexandre de Moraes em maio de 2026, enquanto o STF analisa questionamentos sobre sua constitucionalidade.

Segundo a colunista, ministros do próprio Supremo têm defendido que Moraes encaminhe o tema para julgamento, mas ainda não houve uma definição sobre quando a discussão será realizada.

Uma das alternativas cogitadas por interlocutores de Lula seria a apresentação de uma Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC), com o objetivo de obter uma manifestação definitiva da Corte sobre a validade das novas regras.

Decisão exigiria articulação com o Supremo

A possibilidade de Lula atuar para reduzir o tempo de prisão de Bolsonaro ainda está no campo das discussões entre integrantes do PT, conforme a reportagem da Folha de S.Paulo. Não há informação de que o presidente tenha decidido adotar alguma das alternativas.

Qualquer iniciativa nesse sentido exigiria uma avaliação jurídica e diálogo com o Supremo Tribunal Federal, uma vez que a condenação e as discussões sobre o cálculo das penas estão sob análise da Corte.

Para os aliados que defendem a medida, o principal argumento é político: evitar que a situação do ex-presidente continue mobilizando o Congresso e alimentando disputas com o Judiciário, desviando a atenção de outras pautas do governo.

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Fonte: www.jornalopcao.com.br