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Dólar R$ -- 15:53:30 | 26 de outubro de 2026
POLÍTICA

“Bunda mole”: Gayer volta a atacar Wilder e reacende disputa interna no PL de Goiás

O senador eleito Gustavo Gayer (PL) voltou a criticar publicamente o senador Wilder Morais (PL) e reacendeu as divergências entre os dois principais nomes do partido em Goiás. Nesta segunda-feira, 26, Gayer cobrou que o colega defenda a anulação do segundo turno da eleição presidencial, vencido por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o chamou de “bunda mole” em um comentário no Instagram.

A crítica foi feita em uma publicação de Wilder que reproduzia um pronunciamento de Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado na disputa presidencial. Na legenda, o senador escreveu: “Mudaram a regra do jogo no meio do jogo! Inaceitável! Não vamos desistir do Brasil”.

Gayer, porém, considerou insuficiente a manifestação e exigiu que Wilder se posicionasse pessoalmente contra o resultado. “Para de pedir para seus assessores ficarem postando nas suas redes e bota sua cara nessa briga”, escreveu. Em seguida, cobrou que o colega mencionasse o ministro Alexandre de Moraes, demonstrasse indignação e defendesse a anulação do pleito. Também ironizou: “Ou você tá no seu barco em Brasília tomando vinho agora também?”.

O senador eleito já havia publicado um vídeo em que questionou uma decisão que atribuiu ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a prorrogação do horário de votação. Na gravação, classificou o resultado como “matematicamente impossível”, mas não apresentou cálculos ou provas que sustentassem a afirmação.

Divergências começaram na estratégia eleitoral

O novo confronto ocorre após meses de desentendimentos entre Gayer e Wilder sobre os rumos do PL em Goiás. As divergências ganharam força durante a pré-campanha de 2026, quando os dois passaram a defender estratégias diferentes para a disputa pelo governo estadual e para a composição das candidaturas ao Senado.

Wilder, presidente estadual do PL, defendia uma candidatura própria ao Palácio das Esmeraldas. Gayer, por sua vez, articulava uma aproximação com a base governista, ligada ao ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) e ao vice-governador Daniel Vilela (MDB). A composição poderia favorecer uma aliança com a ex-primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil) na disputa pelas duas vagas ao Senado.

A decisão de Wilder de manter o projeto próprio do PL para o governo estadual contrariou a estratégia defendida por Gayer e contribuiu para o distanciamento entre os dois grupos políticos. A disputa também envolveu a organização das campanhas e a influência sobre os rumos da legenda em Goiás.

Ausências em eventos ampliaram a crise

A falta de sintonia ficou evidente em abril, quando Wilder não compareceu ao evento “Acorda Goiás”, organizado por Gayer em Goiânia. O encontro reuniu lideranças da direita, entre elas o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), mas a ausência do presidente estadual do partido alimentou as especulações sobre o racha interno.

Dias antes, Gayer também havia faltado a uma reunião do diretório estadual convocada por Wilder. O senador defendia a candidatura própria ao governo, enquanto o deputado federal insistia na possibilidade de uma composição com a base governista.

Apesar dos sinais de afastamento, Gayer procurou minimizar a crise em declarações públicas. Em abril, afirmou que não havia rompimento entre os dois. Em maio, durante um encontro do PL, declarou que as divergências políticas estavam superadas e anunciou apoio à pré-candidatura de Wilder ao governo de Goiás.

Na ocasião, Gayer afirmou que trabalharia pelo projeto eleitoral do colega. A declaração, entretanto, não eliminou as dúvidas sobre a unidade da legenda. As agendas dos dois continuaram a ocorrer, em diferentes momentos, de forma separada, e aliados apontavam a permanência de desconfianças entre os grupos.

Atritos se estenderam a outros aliados

As divergências em torno da candidatura de Wilder também apareceram na relação do senador com o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), que declarou apoio ao projeto de Daniel Vilela para o governo estadual, em vez de acompanhar o candidato de seu próprio partido.

Em setembro, Gayer classificou o conflito entre Wilder e Márcio Corrêa como uma questão pessoal. Na ocasião, afirmou que o prefeito apoiava nomes ligados ao grupo de Jair Bolsonaro, mas havia decidido não apoiar Wilder por causa de um atrito entre os dois.

O episódio evidenciou que as divergências no PL goiano não se limitavam à estratégia eleitoral de Gayer e Wilder, mas envolviam também a relação do senador com outras lideranças da direita no estado.

Nova cobrança expõe diferenças de posicionamento

A discussão sobre o resultado da eleição presidencial abriu uma nova frente de confronto entre os dois. Enquanto Gayer passou a defender publicamente a anulação do segundo turno, Wilder compartilhou uma manifestação de Flávio Bolsonaro contrária ao resultado, mas sem apresentar, na publicação citada, a mesma cobrança explícita por uma nova votação.

A diferença de postura levou Gayer a exigir que o colega assumisse pessoalmente a defesa da anulação. Até a publicação das primeiras notícias sobre o episódio, Wilder não havia respondido publicamente às provocações.

O novo embate retoma uma disputa que, ao longo de 2026, alternou declarações de apoio e sinais de afastamento. Embora ambos tenham afirmado que as divergências estavam superadas, as diferenças sobre alianças, estratégia eleitoral e posicionamento público continuam a expor as tensões internas do PL em Goiás.

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Fonte: www.jornalopcao.com.br