Vila Rica registrou 178 ocorrências de violência contra a mulher em 2026, segundo dados do Monitoramento da Violência contra a Mulher, da Secretaria de Estado de Segurança Pública. Mais de 55% dos casos ocorreram no ambiente doméstico, principalmente aos sábados.
O cenário reforça a necessidade de ampliar a prevenção e qualificar o atendimento às vítimas. Nesta quinta-feira (22), quase 50 profissionais que atuam na rede de proteção participaram de uma capacitação promovida pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (Cemulher-MT), no Fórum da Comarca de Vila Rica, a 1.259 quilômetros de Cuiabá.
Capacitação reforça rede de proteção
A atividade foi conduzida por uma equipe multidisciplinar liderada pela coordenadora da Cemulher-MT, desembargadora Vandymara Galvão Ramos Paiva Zanolo. Os participantes receberam orientações sobre os diferentes tipos de violência, a Lei Maria da Penha e outras normas relacionadas à proteção das mulheres.
O encontro também abordou as atribuições dos profissionais e as formas de organização e gestão da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.
Segundo o juiz da comarca, Felipe Barthon Lopez, a iniciativa contou com a participação de moradores interessados em contribuir com as ações de conscientização e proteção.
“Houve grande participação de pessoas da comunidade, que se voluntariaram para integrar a equipe que vai ajudar a conscientizar e tomar todas as medidas necessárias para a proteção da mulher”, afirmou.
Violência doméstica preocupa autoridades
O delegado da Polícia Civil de Vila Rica, Luís Roberto Freitas, destacou que a violência contra a mulher ocupa a primeira posição no ranking de procedimentos policiais do município. Para ele, a situação exige debate permanente e maior integração entre os profissionais responsáveis pelo atendimento.
O delegado também defendeu ações que vão além da repressão após a ocorrência dos crimes. Segundo ele, é necessário enfrentar as causas da violência e trabalhar para prevenir comportamentos que favorecem a prática de agressões.
A secretária municipal de Educação, Juliana Galvão, também ressaltou a importância de fortalecer a rede de apoio. Ela avaliou que a capacitação contribui para conscientizar a sociedade e preparar pessoas que atuam diretamente na proteção de mulheres em situação de vulnerabilidade.
Dados mostram perfil das ocorrências
Os números do monitoramento estadual indicam que a violência contra a mulher em Vila Rica tem características que exigem atenção dos serviços públicos. Além da concentração de casos no ambiente doméstico, os registros apontam maior incidência entre mulheres de 31 a 40 anos.
A violência psicológica aparece como o tipo mais frequente no levantamento. Esse tipo de agressão pode envolver ameaças, humilhações, controle e outras condutas que causam danos emocionais à vítima.
Os dados também mostram que, de janeiro a julho de 2026, o Poder Judiciário recebeu 74 pedidos de medidas protetivas relacionados a casos de violência contra a mulher no município, conforme informações da Cemulher-MT.
Integração ajuda a prevenir novas agressões
O fortalecimento da rede de enfrentamento busca melhorar a articulação entre os serviços públicos e a comunidade. A atuação conjunta permite ampliar a conscientização, orientar as vítimas e facilitar o acesso às medidas de proteção previstas na legislação.
Os dados de Vila Rica mostram a dimensão do desafio: além de responder às ocorrências, as instituições precisam investir na prevenção e no acolhimento para reduzir os riscos e interromper ciclos de violência.
Fonte: cenariomt.com.br

