A Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT) apoia a segunda edição da Oficina de Chibe: Reavivando a Língua Calon, realizada neste sábado (17), na Chácara WR, em Tangará da Serra. A iniciativa busca preservar a língua falada pelo povo cigano da etnia Calon, fortalecer a identidade cultural e aproximar crianças, jovens e adultos de uma tradição transmitida principalmente pela oralidade, conforme informações divulgadas pela organização do projeto.
O encontro foi proposto pelo multiartista e produtor cultural Aluízio de Azevedo, em parceria com a Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT). A atividade prevê a participação de cerca de 50 integrantes da comunidade cigana, com idades entre cinco e 80 anos, respeitando a orientação das lideranças locais de manter o ensino do Chibe restrito aos próprios ciganos.
Preservação da língua Calon
O Chibe, nome pelo qual os Calon denominam a própria língua, representa um elemento de memória coletiva e de transmissão de conhecimentos entre gerações. A oficina procura ampliar o contato dos participantes com o idioma e incentivar seu uso dentro da comunidade, especialmente entre aqueles que compreendem algumas expressões, mas ainda não conseguem falar com desenvoltura.
Tangará da Serra abriga a terceira maior comunidade cigana de Mato Grosso, segundo as informações divulgadas pelos organizadores. Nesse contexto, a realização da oficina no município contribui para manter viva uma tradição cultural cuja continuidade depende do envolvimento das famílias, dos mestres do idioma e das novas gerações.
O projeto também valoriza pessoas que dominam fluentemente o Chibe. Esses conhecedores participam da construção das atividades pedagógicas e ajudam a transmitir palavras, expressões e referências culturais que fazem parte da história do povo Calon.
Material didático e aprendizado
A programação foi desenvolvida em diálogo com a cultura e a identidade Calon. O projeto utiliza materiais didáticos inéditos, elaborados com a participação de uma equipe de consultoria pedagógica formada por mestres do idioma.
Segundo Aluízio de Azevedo, a oficina adota o formato de gincana para tornar o aprendizado acessível a participantes de diferentes idades. Entre os recursos está um Caderno de Atividades em Chibe, com exercícios de fixação, caça-palavras, atividades para completar e relacionar frases, além de conteúdos sobre numerais e gênero.
A proposta combina atividades educativas e manifestações culturais. A intenção é estimular o aprendizado sem afastar o ensino das referências e das experiências compartilhadas pela comunidade. O formato também permite que crianças, adolescentes e adultos participem juntos do processo de recuperação do idioma.
Comunidade e identidade cultural
A presidente da AEEC-MT, Taize Aracelli Alves Caiado, considera o Chibe um dos principais patrimônios culturais imateriais dos ciganos Calon. Ela defende o reconhecimento da língua nos inventários de idiomas brasileiros e afirma que a associação pretende ampliar o alcance do projeto.
De acordo com Taize, a proposta é levar a oficina a outros municípios, especialmente Cuiabá e Rondonópolis, onde também existem comunidades ciganas que podem se beneficiar de ações de preservação cultural. A expansão, porém, depende da continuidade da iniciativa e da articulação com as comunidades interessadas.
Além da presidente, participam da atividade Irandi Rodrigues Silva, primeira-secretária da associação, e Orceni Rodrigues Angola, segunda-secretária. Ambas integram a comunidade local. A programação inclui ainda uma apresentação do grupo de dança Calins do Cerrado e a exibição do documentário Oficina de Chibe, que registra a primeira edição do projeto, realizada em 2024.
Transmissão entre gerações
Aldi Rodrigues, produtora e mediadora do evento, destaca que a língua expressa a história e os vínculos do povo Calon. Para ela, manter o Chibe vivo significa preservar a conexão com os antepassados e a memória coletiva da comunidade.
Simone Carla Rodrigues, também produtora local, explica que a segunda edição foi motivada pela necessidade de ampliar o conhecimento do idioma entre familiares de diferentes idades. Segundo ela, muitos participantes reconhecem expressões, mas ainda dominam poucas palavras. Como a tradição é transmitida oralmente, os encontros ajudam a recuperar lembranças e fortalecer a identidade cultural.
A iniciativa evidencia a importância de ações conduzidas com a participação das próprias comunidades, respeitando suas decisões sobre o compartilhamento de conhecimentos tradicionais. No caso do Chibe, a preservação está associada tanto ao aprendizado da língua quanto à autonomia dos Calon para definir como essa herança será transmitida.
Interessados em acompanhar futuras atividades podem buscar informações junto à Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso e aos organizadores do projeto, respeitando as orientações da comunidade sobre a participação nas oficinas.
Reportagem baseada em informações da assessoria do projeto, da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso e da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso. As declarações foram atribuídas às fontes citadas no material original.
Fonte: cenariomt.com.br

