EDUCAÇÃO
Últimas Notícias
Dólar R$ -- 10:38:23 | 5 de novembro de 2026
POLÍTICA

De lojas de tarô a fintechs: operação investiga esquema bilionário de bets com alvos em Goiás

Três cidades goianas estão entre os alvos de uma operação que investiga um esquema bilionário de exploração de apostas ilegais e lavagem de dinheiro. Deflagrada nesta quinta-feira, 5, a Operação Azzardo, coordenada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), cumpre mandados em Goiânia, Planaltina de Goiás e Valparaíso de Goiás. A investigação aponta que a rede utilizava empresas de fachada, contas bancárias e plataformas financeiras para movimentar recursos provenientes de sites de apostas sem autorização federal.

Segundo a PCDF, Goiás aparece na estrutura investigada como parte da rede de atuação do grupo, que conectava empresas e movimentações financeiras no Distrito Federal e em diferentes estados. Conforme informações divulgadas pelo Metrópoles, as apurações identificaram o uso de pessoas jurídicas fictícias e endereços comerciais para ocultar a origem dos valores movimentados.

As autoridades, entretanto, ainda não detalharam quais empresas ou pessoas foram identificadas especificamente nos municípios goianos, nem o volume de recursos movimentados no estado.

A operação mobilizou aproximadamente 200 policiais civis do Distrito Federal, Goiás, São Paulo, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte. Ao todo, são cumpridos 50 mandados de busca e apreensão, sendo 24 no DF e 26 distribuídos entre os cinco estados.

Como funcionava o esquema

As investigações começaram há cinco meses, após a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda identificar plataformas de apostas de quota fixa que funcionavam sem autorização do governo federal.

Durante simulações de pagamentos, os investigadores descobriram que os valores depositados pelos apostadores por meio do Pix não eram encaminhados diretamente às casas de apostas. O dinheiro era direcionado a contas de empresas que, oficialmente, exerciam atividades sem qualquer relação com o setor.

Entre os exemplos identificados estavam uma clínica de assistência psicossocial e uma loja de tarô, ambas registradas em Sobradinho, no Distrito Federal.

As diligências revelaram que dezenas de empresas haviam sido abertas entre fevereiro e julho de 2026, muitas com capitais sociais idênticos e endereços compartilhados. Em Ceilândia, dez pessoas jurídicas utilizavam o mesmo telefone e indicavam um único lote como endereço.

Parte dos imóveis informados nos registros estava vazia ou era ocupada por estabelecimentos diferentes daqueles declarados pelas empresas.

Segundo a investigação, essas pessoas jurídicas funcionariam como intermediárias para receber os pagamentos dos apostadores, concentrar o dinheiro e posteriormente distribuí-lo entre outras empresas, pessoas físicas e instituições financeiras. Parte dos recursos também teria sido convertida em criptomoedas, dificultando o rastreamento.

Movimentações chegam a R$ 1 bilhão em fintech paulista

A análise financeira identificou aproximadamente R$ 739 milhões em movimentações relacionadas à rede investigada.

Outro braço da apuração envolve uma fintech sediada em São Paulo, autorizada pelo Banco Central a funcionar como sociedade de crédito direto. A instituição mantinha contas utilizadas por empresas suspeitas de receber pagamentos das plataformas clandestinas.

Dados analisados pela polícia indicam que a fintech e empresas do mesmo grupo movimentaram cerca de R$ 1 bilhão, incluindo transferências para pessoas jurídicas investigadas e pagamentos associados a sites de apostas não autorizados.

A instituição também apresentava movimentações envolvendo empresas com frequentes substituições de procuradores. Em julho deste ano, o Banco Central havia divulgado a intenção de cancelar sua autorização de funcionamento.

Justiça determina bloqueio bilionário

Diante das suspeitas, o Juízo das Garantias de Sobradinho autorizou o bloqueio de contas e ativos financeiros de 64 pessoas físicas e 120 pessoas jurídicas, até o limite global de R$ 3,483 bilhões.

A decisão também estabeleceu a suspensão dos CNPJs e registros comerciais de 100 empresas e empresários individuais, além da proibição de abertura de novas contas bancárias pelos investigados durante 90 dias.

A Justiça autorizou ainda o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 pessoas jurídicas.

O valor de R$ 3,483 bilhões representa o limite autorizado para os bloqueios, e não necessariamente a quantia efetivamente localizada ou apreendida durante a operação.

No caso da fintech investigada, as restrições atingem apenas os recursos próprios da instituição, sem alcançar os valores de clientes que não são alvo das apurações.

Empresas utilizavam autorizações estaduais

Outro ponto identificado pela PCDF envolve três empresas que haviam obtido autorizações de loterias estaduais do Rio de Janeiro e da Paraíba.

Segundo os investigadores, essas permissões eram limitadas a determinados territórios, marcas e plataformas, não abrangendo os sites investigados. As autorizações também não substituíam a exigência de autorização federal para o funcionamento das bets.

As empresas passaram a integrar a investigação devido a vínculos societários e movimentações financeiras consideradas suspeitas.

Os policiais buscam agora identificar os responsáveis pelo controle das plataformas e os beneficiários finais dos recursos movimentados. Durante as buscas, são recolhidos documentos, celulares, computadores e materiais relacionados a transações com criptoativos.

Os envolvidos poderão responder por exploração de loteria não autorizada, estelionato mediante fraude eletrônica, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa. Somadas em abstrato, as penas previstas para os delitos podem chegar a 33 anos de prisão, conforme as circunstâncias de cada caso.

Leia também: Mike Johnson deixa presidência da Câmara dos EUA após derrota eleitoral dos republicanos

O post De lojas de tarô a fintechs: operação investiga esquema bilionário de bets com alvos em Goiás apareceu primeiro em Jornal Opção.

Fonte: www.jornalopcao.com.br