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Dólar R$ -- 13:31:52 | 31 de outubro de 2026
POLÍTICA

França enfrenta nova onda de protestos em meio à tensão antes da eleição presidencial

A França mobiliza 70 mil policiais e agentes de segurança neste sábado, 31, para conter possíveis episódios de violência durante uma nova rodada de manifestações contra o aumento do custo de vida e em defesa de melhores condições de ensino. Os protestos ocorrem em diversas regiões do país e reúnem estudantes do ensino médio, universitários, sindicatos e integrantes do movimento dos coletes amarelos.

O reforço na segurança ocorre após os confrontos, saques e incêndios registrados durante as manifestações de 17 de outubro. Na ocasião, grupos de manifestantes entraram em estabelecimentos comerciais e prédios públicos, além de entrar em confronto com as forças policiais.

Em Paris, o clima de tensão levou o Conselho de Estado, a mais alta instância administrativa francesa, a determinar uma mudança no percurso da principal manifestação. O trajeto inicialmente previsto entre as praças da Bastilha e da Nação, na região central da capital, foi substituído por um itinerário entre Porta de Bagnolet e Porta de Charenton, na periferia.

A decisão foi tomada após o governo recorrer de uma autorização concedida parcialmente pela Justiça administrativa de Paris. O Conselho de Estado considerou que havia um risco elevado de novos distúrbios e manteve a posição da prefeitura e do Ministério do Interior.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, também classificou como muito elevado o risco de confrontos durante a mobilização deste sábado.

Protestos ampliam reivindicações

As manifestações começaram com reivindicações relacionadas ao custo de vida, à desigualdade social e às condições de ensino. Com a intensificação dos confrontos e a resposta policial, parte dos participantes passou a incorporar novas pautas, como a defesa das liberdades civis e o direito de manifestação.

O movimento reúne diferentes grupos sociais e políticos, entre eles estudantes, sindicatos e ativistas dos coletes amarelos, que ganharam projeção na França em protestos contra medidas econômicas e o aumento dos preços.

A mobilização anterior, realizada em 24 de outubro, teve um cenário mais tranquilo. Segundo dados do Ministério do Interior, aproximadamente 410 mil pessoas participaram dos atos em todo o território francês, sendo 110 mil em Paris.

Para evitar a repetição dos episódios de violência, as autoridades intensificaram operações preventivas desde a noite de sexta-feira (30), principalmente em rodovias, estações ferroviárias e centros urbanos. Em Mulhouse, no leste do país, foram apreendidos 175 artefatos pirotécnicos.

Halloween aumenta preocupação das autoridades

A realização dos protestos na mesma data do Halloween também entrou no planejamento das forças de segurança. O governo teme que participantes utilizem fantasias e máscaras para esconder o rosto durante eventuais confrontos.

A legislação francesa proíbe a ocultação do rosto em manifestações quando há distúrbios ou motivos para acreditar que eles possam ocorrer. O Ministério do Interior também alertou sobre a proibição de portar armas ou objetos que possam ser utilizados para agredir outras pessoas.

De acordo com Laurent Nuñez, mensagens divulgadas nas redes sociais convocaram encontros durante a noite e utilizaram expressões como “revolução” e “noite de escuridão”. O governo teme que grupos violentos aproveitem a concentração de pessoas nas ruas para provocar confrontos.

Transporte público sofre alterações em Paris

As manifestações também provocaram mudanças na circulação da capital francesa. As primeiras interdições começaram durante a madrugada, atingindo áreas como Champs-Élysées, Concorde, Invalides e Assembleia Nacional.

Ao longo da manhã, as restrições foram ampliadas para regiões como République, Châtelet e Les Halles, além de áreas próximas à Nação, Porta Dourada, Saint-Germain-des-Prés, Odéon e Quartier Latin.

O funcionamento dos bondes também foi afetado, com interrupções em trechos das linhas T3a e T3b, especialmente nas proximidades da Porta de Vincennes.

Serviços de bicicletas e patinetes compartilhados adotaram medidas preventivas, bloqueando temporariamente áreas próximas ao percurso das manifestações e retirando veículos durante a madrugada.

Protestos ocorrem em meio à tensão política

A nova onda de manifestações acontece em um momento de instabilidade política na França, a aproximadamente seis meses da eleição presidencial. O cenário é marcado pelo aumento da insatisfação social e pelo avanço da direita radical nas pesquisas de intenção de voto.

Marine Le Pen, líder do partido de extrema direita Reunião Nacional, aparece entre os nomes em destaque nas sondagens para a disputa presidencial.

O presidente Emmanuel Macron reconheceu nesta semana a dimensão da turbulência política e social enfrentada pelo país às vésperas do próximo processo eleitoral.

Enquanto o governo concentra esforços para evitar novos episódios de violência, organizadores dos protestos criticam as restrições impostas às manifestações. A Confederação Geral do Trabalho (CGT), uma das principais centrais sindicais francesas, contestou a mudança do percurso em Paris e afirmou que a decisão pode prejudicar a organização dos atos.

Leia também: França prende 135 pessoas durante nova onda de protestos e mobiliza 70 mil policiais para conter violência

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Fonte: www.jornalopcao.com.br