Júri do Caso Zampieri é suspenso após um jurado passar mal

Josi Dias/Secom-TJMT



O juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal da Capital, decidiu dissolver o júri e suspender a sessão, nesta quarta-feira (29)

O julgamento dos três acusados de envolvimento no assassinato do advogado Roberto Zampieri, de 57 anos, foi interrompido na manhã desta quarta-feira (29), no Fórum de Cuiabá.

A medida foi adotada após um dos integrantes do Conselho de Sentença apresentar problemas de saúde.

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Diante da situação, o juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal da Capital, decidiu dissolver o júri e suspender a sessão, sem definir uma nova data para a retomada do julgamento.

A decisão interrompeu um julgamento que havia começado na terça-feira (28) e entraria nesta quarta em sua fase decisiva.

A previsão era ouvir a última testemunha de acusação, iniciar os debates entre Ministério Público e defesa e, depois, submeter os três réus ao interrogatório antes da votação pelos jurados.

Respondem pelo homicídio Antônio Gomes da Silva, que confessou ter efetuado os disparos contra Roberto Zampieri; Hedilerson Fialho Martins Barbosa, apontado pelo Ministério Público como intermediário entre o executor e o financiador; e o coronel da reserva do Exército, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, acusado de financiar a execução.

PROBLEMA DE SAÚDE – Ao anunciar a suspensão do julgamento, o magistrado informou que um dos jurados passou mal durante a noite, e recebeu atendimento da equipe médica do Tribunal de Justiça.

Segundo José Mauro Nagib Jorge, o jurado apresentou comprometimento na região do peito e precisará ser submetido com urgência a exames para esclarecer o quadro clínico, inicialmente tratado como uma infecção viral.

Diante da impossibilidade de prosseguir com o julgamento, o juiz determinou a dissolução do Conselho de Sentença e informou que a Vara Criminal marcará uma nova data para reinício do Tribunal do Júri.

“Diante dessa relevante questão e para preservar a saúde do jurado, dos demais jurados que tiveram contato com ele e que podem ser prejudicados pelo quadro viral, bem como de todos os presentes, decido pela dissolução do Conselho de Sentença”, afirmou o magistrado.

DEPOIMENTOS REFORÇAM ACUSAÇÃO – Antes da suspensão, o primeiro dia do julgamento foi dedicado à oitiva de seis testemunhas.

Entre elas, os delegados da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Nilson Farias e Edison Pick, responsáveis pela investigação do assassinato, além do delegado da Polícia Federal, Marco Bontempo, que conduz a apuração sobre o conteúdo do telefone celular de Roberto Zampieri.

Também prestaram depoimento José Marcos Marini, amigo e sócio do advogado; Mariana Costa Pinto, secretária da vítima; e Lucilene Gonçalves da Silva, administradora do hotel onde Antônio Gomes da Silva e Hedilerson Fialho Martins Barbosa ficaram hospedados, nos dias que antecederam o crime.

Durante os depoimentos, os investigadores apresentaram aos jurados os principais elementos que sustentam a denúncia do Ministério Público.

O delegado Nilson Farias destacou ligações telefônicas realizadas por Caçadini antes e logo após o assassinato, enquanto Marco Bontempo detalhou mensagens encontradas em aparelhos celulares que, segundo a Polícia Federal, demonstram as tratativas para a execução do homicídio.

Entre os elementos destacados pela acusação está a mensagem atribuída a Hedilerson enviada ao coronel Caçadini após o crime com a frase “Coronel, missão cumprida”, considerada pela investigação um dos principais indícios da articulação entre os acusados.

REPERCUSSÃO NACIONAL – Embora o Tribunal do Júri tenha como objetivo julgar exclusivamente os acusados pelo assassinato de Roberto Zampieri, o caso ganhou repercussão nacional, após a perícia realizada no telefone celular da vítima revelar milhares de mensagens, documentos e registros que deram origem a investigações sobre um suposto esquema de negociação de decisões judiciais.

As apurações passaram a envolver procedimentos conduzidos pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Superior Tribunal de Justiça (STJ), Polícia Federal e Ministério Público, alcançando magistrados, advogados, empresários e outros investigados.

Com a dissolução do Conselho de Sentença, todo o julgamento precisará ser retomado em nova data, que ainda será definida pela Justiça.



Diário de Cuiabá