Mato Grosso reduz investimento e tem maiores índices de violência
Mayke Toscano/Secom-MT
Segundo o levantamento, Mato Grosso reduziu em 10,9% os gastos com Segurança Pública em relação a 2024
Mato Grosso encerrou 2025 com um cenário contraditório na Segurança Pública.
Enquanto o Brasil registrou o menor número de mortes violentas dos últimos 14 anos, o Estado manteve índices de violência acima da média nacional e promoveu um dos maiores cortes de investimentos no setor.
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É o que revela o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Segundo o levantamento, Mato Grosso reduziu em 10,9% os gastos com Segurança Pública em relação a 2024.
O recuo foi o segundo maior entre os 27 estados brasileiros, atrás apenas do Rio Grande do Norte, que diminuiu os investimentos em 21,9%.
O desempenho contrasta com a tendência nacional.
Em 2025, União, estados e municípios destinaram R$ 163,1 bilhões para a área, crescimento de 2,1% sobre o ano anterior.
Apenas quatro estados reduziram despesas com segurança, enquanto outros 23 ampliaram os investimentos.
ENTRE OS MAIS VIOLENTOS – Mesmo com a queda histórica da violência letal no país, Mato Grosso registrou 22,9 mortes violentas intencionais para cada 100 mil habitantes.
Esse índice coloca o Estado na 11ª posição do ranking nacional.
O indicador reúne homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte, feminicídios e mortes decorrentes de intervenção policial.
Entre os estados com maiores taxas, aparecem Amapá (42,5 mortes por 100 mil habitantes), Bahia (36,8) e Ceará (34,7).
Mato Grosso é o primeiro Estado fora das regiões Norte e Nordeste a figurar entre os onze mais violentos do país.
Em nível nacional, foram registradas 40.775 mortes violentas em 2025, uma redução de 8,2% em relação ao ano anterior e o menor número desde o início da série histórica do Anuário.
Apesar disso, o Centro-Oeste foi a região que apresentou a maior redução acumulada nas taxas de assassinatos desde 2012, com queda de 50%.
3ª MAIOR TAXA DE INJÚRIA RACIAL – Outro dado que chama atenção no levantamento é a incidência de injúria racial.
Mato Grosso registrou 20,6 casos por 100 mil habitantes, ocupando a terceira maior taxa do país, atrás apenas do Distrito Federal (28,9) e de Santa Catarina (27,1).
O índice estadual supera com folga a média nacional, de 11,2 casos por 100 mil habitantes.
No Brasil, os registros de injúria racial cresceram 9,2% entre 2024 e 2025, enquanto os casos enquadrados como racismo aumentaram 13%.
MAIORES ÍNDICES DE ESTUPRO – O Anuário também coloca Mato Grosso entre os estados com as maiores taxas de estupro e estupro de vulnerável do Brasil.
O Estado integra o grupo formado por sete unidades da Amazônia Legal — ao lado de Roraima, Rondônia, Acre, Amapá, Amazonas e Tocantins — que concentram sete das oito maiores taxas nacionais desse tipo de crime.
A única exceção entre os oito primeiros é Mato Grosso do Sul.
Embora o país tenha registrado queda de 5,4% nos casos de estupro em 2025, totalizando 84.388 ocorrências, o equivalente a 231 registros por dia, a região amazônica continua concentrando os maiores índices proporcionais.
FEMINICÍDIOS E VIOLÊNCIA POLICIAL – O Anuário aponta que, apesar da redução geral da violência letal, dois indicadores seguiram em trajetória de alta no país.
Os feminicídios cresceram 4%, atingindo o maior número da série histórica, enquanto as mortes decorrentes de intervenção policial chegaram a 6.602 casos, o maior patamar registrado nos últimos 14 anos.
O estudo é elaborado anualmente pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com base em dados oficiais encaminhados pelas secretarias estaduais de segurança, e reúne informações sobre criminalidade, violência e investimentos públicos em todo o país.

