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POLÍTICA

Missão à China abre caminho para R$ 8,7 bilhões em investimentos em Goiás: “Para eles há disponibilidade de investir”, diz secretário de Indústria

Ao encerrar a missão oficial do Governo de Goiás na China, o secretário de Indústria, Comércio e Serviços (SIC), Joel Sant’Anna Braga Filho, detalhou em entrevista ao Jornal Opção, nesta quarta-feira, 4, os avanços das negociações internacionais que prometem impulsionar a economia goiana.

A agenda em solo asiático resultou em acordos estratégicos para a instalação de um polo logístico de autopeças, expansão da indústria automotiva em Catalão, implementação de hospedagens modulares, atração de laboratórios farmacêuticos e aportes bilionários para a exploração de terras raras no estado. Somados, os investimentos anunciados e projetados ultrapassam R$ 8,7 bilhões.

Sobre o impacto econômico dessas parcerias para os próximos anos, o titular da SIC analisou a relevância de captar investimentos estrangeiros diante do atual cenário macroeconômico brasileiro. “Sabemos da importância desses investimentos, principalmente para o próximo ano, que é um ano mais difícil, de juro alto, e os investimentos com dificuldade. O juro está alto e os chineses têm fundos de investimento com juros mais baixos, então para eles há disponibilidade de investir”, disse.

Polo de autopeças e logística automotiva

Uma das principais reuniões oficiais da comitiva ocorreu na sede da multinacional Sinlink, ao lado do CEO da empresa, Li Ximlong, para avançar no acordo de instalação de um centro de distribuição de peças automotivas no Distrito Agroindustrial Norberto Teixeira (Dianot), em Aparecida de Goiânia, com previsão de assinatura do termo na primeira quinzena de novembro. O empreendimento busca aproximar fornecedores e consumidores, reduzindo custos de manutenção e suprindo a expansão de veículos elétricos e a combustão de montadoras chinesas no Brasil.

Foto: Divulgação

Ao detalhar a estruturação da central de distribuição de peças, o secretário explicou como funcionará o projeto no estado. “Tivemos reuniões principalmente na área de automóveis. O Brasil vai vender este ano mais de 200 mil carros provenientes da China e a gente está com um grupo de empresários que vai montar aqui em Goiás uma central de distribuição de peças de veículos. Eles já estão com um galpão instalado em Senador Canedo e agora esses fundos chineses vão montar uma estrutura para todas as marcas de carros que já estão no Brasil”, disse.

“Também há a intenção, com o incentivo do Comexproduzir, até 2032 ainda temos o incentivo fiscal, e com a perspectiva de montarem as fábricas de peças aqui. As fábricas viriam para cá aproveitando os créditos outorgados que o Comexproduzir vem acumulando, trazendo na sequência as fábricas de peças”, apontou.

O gestor ressaltou a dimensão e a abrangência da transformação industrial planejada. “É um setor gigantesco. A perspectiva é que são quatro indústrias novas, além das que já estão no Brasil. Mais quatro indústrias estão sendo montadas, a GWM, a BYD já está com a indústria aumentando, a Caoa com a Changan, a Omoda também investindo, o grupo Jaecoo Omoda”, disse.

“A gente sabe do mercado gigantesco que Goiás tem para ser um dos fornecedores de peças para o Brasil todo. É um grupo muito grande, já estão fazendo as experiências e faturando por Goiás, já iniciaram com cinco estados e agora estão investindo numa central de distribuição”, completou.

Indústria automotiva e produção de SUV em Catalão

Paralelamente, o titular da SIC realizou uma visita técnica ao Centro de Design da GAC na China para acompanhar a expansão da montadora em Catalão. A empresa confirmou a produção do SUV GS3, com preço anunciado a partir de R$ 139.990 na versão Premium, a partir de 2027, em joint venture com a HPE Automotores e investimento global de US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 7,5 bilhões na cotação atual), prevendo a criação de 2 mil a 3 mil empregos diretos e capacidade para 50 mil veículos anuais. O Governo de Goiás também prepara a licitação de um novo pátio de transbordo multimodal no município, cuja cotação está sendo elaborada pela RG Log e por Cledistonio Salvador Junior, CEO do Lide Goiás, para otimizar o recebimento de contêineres e a montagem via SKD e CKD.

Hotéis-cápsula e hospedagem turística

Uma outra vertente da missão envolveu reuniões com as empresas chinesas Vessel e Volferda, especializadas em estruturas modulares inteligentes. Em parceria com o Grupo Flamboyant, a proposta prevê a instalação de mais de 800 módulos de hotéis-cápsula temporários nas proximidades do Autódromo Internacional de Goiânia para atender a demanda de público, equipes e da cúpula da Dorna durante o MotoGP 2027.

Foto: Divulgação

Joel Sant’Anna detalhou o planejamento desse modelo de acomodação inovador. “A outra reunião grande foi com o pessoal de construtora de módulos modulares, aqueles que fazem as cápsulas para fazer hotel, escola pré-moldada, com toda infraestrutura de modernidade, engenharia, equipamentos, ar-condicionado, tecnologia e computador de última geração. Eles têm a perspectiva de montar um hotel. A gente fez uma reunião lá disponibilizando uma área para montarem um hotel ainda para servir de modelo para o mundo todo ali na região do Flamboyant”, apontou.

Setor farmacêutico e insumos de saúde

Na área da saúde e biotecnologia, a comitiva negociou com grupos internacionais a atração de laboratórios para o Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia). O secretário descreveu os detalhes da aproximação com a Indústria Aulinea. “Outra reunião que a gente teve foi com o setor de fármacos, o pessoal da Indústria Aulinea. É um laboratório que fabrica tanto a parte de hardware como de software e computação para a área de testes e também fabrica os medicamentos e equipamentos e substâncias para fazer testes rápidos, tanto teste de Covid quanto testes de sangue de várias áreas, e eles têm alta resolutividade. Também querem fazer estrutura aqui no Daia plano, que sabem da área principalmente de fármacos e medicamentos que tem aqui em Goiás, com todas as certificações da Anvisa. A gente teve a reunião e eles estão vindo também”, disse.

Operações logísticas e novos parceiros

Sobre a chegada imediata de investidores e parceiros logísticos ao estado, o gestor apontou o que já está chegando aqui em Goiás neste final de semana. “O que já está chegando aqui este final de semana é este grupo do porto de Shenzhen. Eles operam no porto de Shenzhen, a empresa Simtech. É essa estrutura de atacado de peças e também de importação de cápsulas e estruturas metálicas para poder fazer infraestrutura na área de engenharia e construção civil”, apontou.

Arrecadação, empregos e novos insumos industriais

Ao avaliar a projeção de arrecadação de impostos e geração de renda para o estado, Joel Sant’Anna declarou que são áreas estratégicas. “Aumenta muito a questão de arrecadação de impostos para Goiás, o que é bom para o goiano porque empresas de distribuição geram renda. O laboratório gera emprego, deve gerar aí, mas o importante não é tão na área de emprego, além de ser muito importante, mas a importância é que a gente está trazendo novas empresas num momento em que o Brasil vive incerteza e juro alto, e Goiás está dando exemplo”, disse.

O titular da SIC destacou ainda a chegada de um empreendimento pioneiro na matriz de insumos industriais do estado. “Estamos inaugurando brevemente a Indústrias Caroli, um grupo brasileiro junto com italiano que está chegando na semana que vem para ver as instalações em Anápolis, que já são quase 200 milhões de reais investidos na cidade de Anápolis. Vai ser a primeira grande indústria de oxigênio e hidrogênio do Estado de Goiás”, apontou.

Exploração de terras raras e balanço de investimentos

Na etapa final da missão, em Pequim, o governo goiano reuniu-se com empresários do setor minerário e confirmou o interesse de um fundo chinês em aportar R$ 1 bilhão no projeto Carina, desenvolvido pela multinacional Aclara Resources em Nova Roma, consolidando o estado como polo estratégico na exploração de terras raras e minerais críticos.

Somados, os grandes aportes anunciados durante a missão, incluindo os US$ 1,3 bilhão (R$ 7,5 bilhões) da montadora GAC em Catalão, o R$ 1 bilhão do fundo chinês em terras raras em Nova Roma e os R$ 200 milhões da Indústrias Caroli em Anápolis, ultrapassam a marca de R$ 8,7 bilhões em novos investimentos diretos e projeções financeiras para o Estado de Goiás.

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Fonte: www.jornalopcao.com.br