MT tem mais de 800 ações pendentes contra o crime organizado

Divulgação



Os dados constam no novo Painel Nacional do Crime Organizado, lançado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ)

Em Mato Grosso, o número de novas ações penais envolvendo organizações criminosas cresceu 100,8% nos últimos seis anos, saltando de 118 processos em 2020 para 237 em 2025.

Apesar do crescimento, existiam mais de 800 ações pendentes de julgamento até o fim do ano passado.

Os dados constam no novo Painel Nacional do Crime Organizado, lançado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), na terça-feira (24).

Leia também:

Mauro vê pressão, mas diz que o sistema prisional não é prioridade

Sob a gestão 2025-2027, presidida pelo ministro Edson Fachin, a plataforma disponibiliza dados públicos sobre processos criminais em todo país, abrangendo o período de 2020 a 2025.

A ideia é que, por meio dos dados extraídos dos processos criminais, a iniciativa forneça subsídios para o aprimoramento das políticas de segurança pública e, em especial, da prestação jurisdicional nesse campo.

O levantamento reúne ações relacionadas a crimes previstos na lei das organizações criminosas (12.850/2013).

Segundo o painel, há 12.448 processos pendentes envolvendo os mesmos tipos de crimes em todo país.

Em 2025, foram registrados também 3.027 casos processuais novos, frente a 1.652 arquivamentos, o que para o CNJ, indica a possibilidade de crescimento do acervo ao longo do tempo.

Na avaliação do juiz auxiliar da presidência do CNJ, Glaucio Brittes, esse movimento pode refletir tanto a ampliação da atuação dessas organizações quanto o aumento da capacidade de identificação e processamento dos casos pelo sistema de justiça.

O aumento na produtividade também se expressa na quantidade de processos baixados e arquivados, ou seja, aqueles que já se encerraram definitivamente.

Foram 1.662 ações penais baixadas em 2025, diante de 306 em 2020.

Entre as cortes brasileiras, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) foi o que mais recebeu casos novos em 2025, contabilizando um total de 7.255.

O número inclui outros tipos de processos, além de ações penais e recursos.

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso aparece na quarta colocação, com 1.675 casos novos.

Em segundo, no entanto, aparece o Tribunal do Ceará (4.801), seguido por Santa Catarina (1.796).

Na sequência, vêm os tribunais do Paraná (1.528), de Minas Gerais (1.126) e de São Paulo (1.095).

Contudo, até o fim de 2025, o Estado contava com 804 processos pendentes contra o crime organizado e milícias, com tempo médio de um ano e 10 meses ou 693 dias, período inferior ao verificado em nível nacional: dois anos e cinco meses ou 880 dias.

Em 2020, o número estadual de ações pendentes era de 239.

Conforme o CNJ, um “processo pendente” é aquele que já foi distribuído e está em tramitação, mas ainda não recebeu decisão definitiva ou não foi arquivado.

Também no ano passado, eram contabilizadas 191 ações baixadas e arquivadas, além de 265 processos penais julgados em nível estadual.

Quanto a incidência de assuntos em casos novos, a principal tipificação refere-se à promoção, constituição, financiamento ou integração de organização criminosa, com 1.634 registros; seguido de homicídio qualificado (266); tráfico de droga (242); e crimes de lavagem e ocultação de bens (237).

De acordo com o CNJ, o painel é alimentado de forma automatizada a partir da Base Nacional de Dados do Poder Judiciário (DataJud).  Os números têm atualização mensal.

O lançamento da ferramenta foi feito durante a realização de um encontro nacional no CNJ sobre os desafios do Judiciário diante do crime organizado.

Uma das propostas apresentadas pelo presidente do CNJ é a criação de uma Rede Nacional de Magistrados com Competência Especializada em Organizações Criminosas.

O objetivo é contribuir com a troca de informações e experiências para aperfeiçoar a abordagem da Justiça em relação a processos envolvendo facções criminosas, criando padrões comuns de atuação.



Diário de Cuiabá