Perda de controle lidera causas de acidentes aéreos em Mato Grosso
Mato Grosso registrou 200 acidentes aéreos nos últimos dez anos, dos quais 53 foram fatais. O levantamento do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Sipaer) mostra ainda que a perda de controle em voo aparece como o tipo de ocorrência mais frequente no Estado, presente em 51 registros no período.
Os dados são do Painel Sipaer, mantido pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão responsável pela investigação de acidentes da aviação civil brasileira. A ferramenta permite acompanhar ocorrências dos últimos dez anos e aplicar filtros por Estado, segmento da aviação, tipo de ocorrência e outras classificações.
Além dos 200 acidentes, Mato Grosso contabilizou no período 191 incidentes e 76 incidentes graves. Somadas as três classificações, foram 467 ocorrências aeronáuticas em uma década.
Em 2026, o Estado já registra 16 acidentes, três deles fatais. Os números ainda são preliminares e podem sofrer alterações à medida que investigações são concluídas e informações são atualizadas pelo Cenipa. A própria Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) alerta que a investigação de uma ocorrência pode levar anos e que os dados tabulados podem mudar durante esse processo.
PERDA DE CONTROLE – Entre os acidentes registrados em Mato Grosso nos últimos dez anos, 51 envolveram perda de controle em voo. O número corresponde a aproximadamente 25,5% dos 200 acidentes contabilizados no período.
Na sequência aparecem falha ou mau funcionamento de motor, com 44 registros, e operação a baixa altitude, com 35. Outros 28 acidentes foram classificados como excursão de pista, situação em que uma aeronave sai lateralmente ou ultrapassa os limites da pista durante uma operação.
As categorias não devem ser interpretadas necessariamente como a causa definitiva de cada acidente. O Cenipa trabalha com classificações de tipos de ocorrência e fatores identificados nas investigações, e uma mesma ocorrência pode envolver diferentes elementos.
A distinção é importante porque o objetivo das investigações conduzidas pelo Cenipa não é estabelecer responsabilidade civil ou criminal, mas produzir informações destinadas à prevenção de novos acidentes.
MANOBRA CONCENTRA OCORRÊNCIAS – Os dados também permitem identificar os momentos do voo em que os acidentes aconteceram.
A fase de manobra aparece em primeiro lugar, com 54 acidentes nos últimos dez anos. Outros 41 ocorreram durante a decolagem, enquanto 28 foram registrados em cruzeiro, etapa em que a aeronave mantém altitude e velocidade depois da subida.
O pouso aparece com 24 acidentes. Os demais registros estão distribuídos por outras fases da operação.
O perfil chama a atenção em Mato Grosso pela presença da aviação de pequeno porte e das operações relacionadas às atividades rurais. Em 2026, por exemplo, duas das três ocorrências fatais registradas até agora envolveram aeronaves utilizadas em operações agrícolas.
A aviação agrícola possui características próprias, com operações realizadas repetidamente em baixa altitude e próximas a obstáculos, o que torna a prevenção de acidentes um componente relevante da atividade.
2024 TEVE 29 ACIDENTES – A série recente mostra oscilação no número anual de acidentes. 2024 teve 29 ocorrências, o maior volume do período recente, sendo sete fatais.
Em 2023 foram 26 acidentes, também com sete fatais. O Estado contabilizou 22 ocorrências em 2022, enquanto 2025 terminou com 20. Em 2020 haviam sido registrados 17 acidentes.
O dado acumulado mostra que pouco mais de um em cada quatro acidentes registrados na década foi fatal: os 53 casos representam 26,5% dos 200 acidentes.
A classificação de acidente fatal, entretanto, não corresponde ao número de mortes. Um único acidente pode provocar mais de uma vítima. Para medir a dimensão humana das ocorrências, é necessário considerar separadamente o total de fatalidades registrado pelo sistema.
DADOS SÃO ATUALIZADOS – O Painel Sipaer trabalha com informações provenientes das notificações recebidas pelo Cenipa e posteriormente consolidadas a partir das investigações. A base oficial disponibiliza informações como data, local, aeronave, fatalidades e classificações utilizadas na investigação.
Como parte das investigações permanece aberta, os números de 2026 podem ser revistos. O próprio Cenipa informa que o painel destinado às pesquisas avançadas é atualizado diariamente, enquanto relatórios finais são publicados à medida que as investigações são concluídas.
Mesmo com essa característica, a série de dez anos revela um padrão: perda de controle em voo, problemas de motor e operações a baixa altitude estão entre os tipos mais recorrentes nos acidentes registrados em Mato Grosso, enquanto manobras e decolagens concentram parcela relevante das ocorrências.

