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Período chuvoso aumenta risco de escorpiões dentro de casa; veja como se proteger

Com a chegada do período chuvoso, aumenta a preocupação com a presença de escorpiões dentro das residências em Goiânia. Isso porque as chuvas podem desalojar os animais das redes de esgoto e levá-los a procurar abrigo em locais secos, como casas e apartamentos. O alerta é do biólogo Daniel Graziani, da Gerência de Controle de Animais Sinantrópicos da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), em entrevista ao Jornal Opção.

Segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), Goiânia contabilizou 779 atendimentos relacionados a acidentes com escorpiões em 2026. Ao todo, foram registrados 1.963 atendimentos por animais peçonhentos, considerando pacientes de qualquer localidade atendidos na capital. O número já supera os 1.773 atendimentos registrados durante todo o ano de 2025, dos quais 824 envolveram escorpiões.

De acordo com Graziani, os escorpiões encontraram nas cidades condições favoráveis à sobrevivência e à reprodução, especialmente nas redes de esgoto, onde há abrigo, água e alimento em abundância. Entretanto, durante as chuvas, esses ambientes podem ser inundados, fazendo com que os animais migrem para o interior dos imóveis. “Com as chuvas, desaloja os escorpiões e as baratas. E aí pode ser que eles migrem mais para o interior da residência, que é um local onde está seco”, explicou o especialista.

O biólogo destaca que as baratas são a principal fonte de alimento dos escorpiões, o que contribui para a permanência desses animais no ambiente urbano. “São animais silvestres que se adaptaram para viver em um ambiente urbano, onde encontram abrigo, água, alimento e ausência de predadores”, afirmou.

Entre as espécies que mais preocupam está o escorpião-amarelo, associado a acidentes que podem provocar complicações graves e até a morte. Outro fator que favorece sua proliferação é a capacidade de reprodução por partenogênese, processo em que as fêmeas conseguem gerar filhotes sem a necessidade de fecundação. Segundo Graziani, cada reprodução pode resultar em até 20 filhotes.

Daniel Graziani | Foto: Arquivo Pessoal

Prevenção dentro de casa

O biólogo recomenda que moradores bloqueiem os possíveis acessos dos animais às residências, principalmente ralos de pias e chuveiros e caixas de esgoto. A orientação é manter os ambientes limpos, sem acúmulo de matéria orgânica e livres de baratas, além de realizar desinsetização periódica com empresas especializadas.

Graziani, porém, faz uma ressalva: os inseticidas disponíveis no mercado não têm eficácia comprovada para matar escorpiões. A aplicação pode eliminar as baratas, que servem de alimento, mas também pode desalojar os aracnídeos e fazê-los migrar para outros espaços. “Não tem nenhum veneno com comprovação para o controle do escorpião. A única coisa que a gente pode fazer é bloquear o acesso dele para o interior da residência, manter o ambiente limpo e controlar seu alimento”, destacou.

Outra ferramenta que pode ajudar na identificação dos animais é a lanterna de luz ultravioleta. Segundo o biólogo, os escorpiões brilham intensamente quando expostos a esse tipo de iluminação, o que facilita a localização. Caso seja encontrado um animal dentro de casa, a recomendação é evitar a captura com as mãos e utilizar uma vassoura ou outro objeto de haste longa para eliminá-lo, reduzindo o risco de acidente.

Os escorpiões têm hábitos noturnos e costumam procurar locais escuros para se esconder durante o dia. Entre os esconderijos mais comuns estão atrás de móveis, dentro de sapatos e em toalhas ou roupas deixadas no chão. Por isso, Graziani orienta afastar os móveis de paredes, manter roupas e toalhas guardadas e verificar calçados e objetos antes de utilizá-los.

O biólogo ressalta que os animais também podem chegar a apartamentos em andares elevados, pois conseguem escalar tubulações e estruturas dos edifícios. Segundo ele, a Secretaria recebe demandas de diferentes regiões da Capital, sem identificar, até o momento, bairros específicos com maior incidência.

Acidentes exigem atendimento imediato

Em caso de picada de escorpião, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente. A dor costuma ser intensa e característica, mas a gravidade pode variar conforme a vítima e o acidente. Crianças menores de 10 anos e adultos acima de 65 anos estão entre os grupos com maior risco de complicações.

Graziani recomenda que a população procure o Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT), referência em Goiânia para o atendimento desse tipo de ocorrência, onde pode ser administrado o soro antiescorpiônico e realizado o acompanhamento clínico.

A SMS também mantém equipes de vigilância em zoonoses e controle de animais sinantrópicos que podem ser acionadas pelos moradores para receber orientações e solicitar visitas às residências. Além disso, quando há registro de acidente com escorpião na Capital, a Secretaria recebe a notificação e realiza visitas aos imóveis das vítimas para orientar medidas que reduzam o risco de novas ocorrências.

Agentes de combate às endemias também foram capacitados para orientar a população sobre prevenção e controle desses animais. A recomendação da Secretaria é que os moradores adotem medidas de bloqueio dos acessos, higiene dos ambientes e controle de insetos, especialmente baratas, para diminuir a possibilidade de entrada dos escorpiões nas casas.

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Fonte: www.jornalopcao.com.br