Os preços recebidos pelos produtores agropecuários brasileiros apresentaram recuperação no terceiro trimestre de 2026, mas continuam abaixo dos níveis registrados no ano passado. Entre julho e setembro, o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/Cepea) avançou 4,05% em relação ao trimestre anterior. Apesar da alta recente, o indicador acumula queda nominal de 6,83% de janeiro a setembro, na comparação com o mesmo período de 2025.
Os dados foram calculados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP).
A recuperação trimestral reduziu a intensidade da retração observada no primeiro semestre, quando o índice acumulava queda próxima de 10% até junho. O movimento, entretanto, ainda não foi suficiente para reverter as perdas registradas ao longo do ano.
O desempenho também ficou ligeiramente abaixo da variação observada nos preços internacionais dos alimentos. No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, o índice internacional FMI Food & Beverage Index, convertido em reais, apresentou queda de 8,39%.
Café e cana-de-açúcar concentram as maiores perdas
Entre os grupos que compõem o IPPA/Cepea, o segmento de cana-de-açúcar e café registrou a retração mais expressiva. O IPPA-Cana-Café/Cepea recuou 30% na parcial de 2026, refletindo as fortes desvalorizações dos dois produtos.
No período de janeiro a setembro, os preços do café caíram 23,7%, enquanto os da cana-de-açúcar recuaram 18,6%, segundo os dados do levantamento.
O resultado evidencia o peso desses produtos na trajetória do indicador e ajuda a explicar por que a recuperação observada no terceiro trimestre ainda não foi suficiente para compensar as perdas acumuladas nos primeiros meses do ano.
Grãos se recuperam, com destaque para o arroz
O grupo de grãos também apresentou resultado negativo no acumulado de 2026, mas registrou uma recuperação significativa no terceiro trimestre.
O IPPA-Grãos/Cepea caiu 3,5% de janeiro a setembro, na comparação com igual intervalo de 2025. Até junho, porém, a retração acumulada chegava a 9,5%. A alta de 11,45% registrada entre julho e setembro contribuiu para reduzir consideravelmente as perdas.
A reação foi impulsionada principalmente pela valorização do arroz, cujos preços avançaram quase 20% no terceiro trimestre em relação ao período anterior.
De acordo com pesquisadores do Cepea, a oferta de arroz em casca no Rio Grande do Sul ficou mais restrita nos últimos meses. Ao mesmo tempo, produtores demonstraram resistência em ampliar as vendas, enquanto a demanda permaneceu aquecida.
O comportamento dos demais grãos, contudo, continuou pressionando o resultado acumulado do grupo. Entre janeiro e setembro, os preços do arroz apresentaram queda de 18,04% na comparação anual, enquanto o trigo recuou 9,93%, o milho caiu 8,45% e o algodão teve desvalorização de 4,12%.
A soja foi a exceção, mantendo estabilidade nas cotações médias consideradas no levantamento.
A diferença entre os resultados acumulados e a reação trimestral mostra como as oscilações mais recentes podem alterar a trajetória dos indicadores agropecuários ao longo do ano.
Frutas e hortaliças têm resultados opostos
O grupo de hortifrutícolas acumulou queda de 8,58% nos nove primeiros meses de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
O desempenho foi influenciado principalmente pelas desvalorizações da laranja, cujos preços recuaram 46,7%, e da uva, com queda de 15,5%.
Na direção contrária, alguns produtos registraram valorização expressiva. Os preços da batata subiram 39,5%, enquanto os do tomate avançaram 27,8%. A banana também apresentou alta, de 7,6%.
Os resultados mostram que o comportamento dos preços variou significativamente entre os produtos, mesmo dentro de um único segmento da produção agropecuária.
Pecuária registra queda, apesar da valorização do boi
O IPPA-Pecuária/Cepea apresentou retração nominal de 2,85% no acumulado de janeiro a setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado.
O resultado foi influenciado pelas quedas nos preços de diferentes produtos de origem animal. Os valores do suíno recuaram 28,94%, os dos ovos caíram 16,68% e os do frango diminuíram 12,62%. O leite apresentou desvalorização de 6,81%.
Em contrapartida, a arroba bovina registrou valorização de 10,26% no período.
O desempenho positivo do boi, portanto, não foi suficiente para compensar as perdas verificadas nos demais produtos considerados no índice.
No conjunto, os dados do IPPA/Cepea mostram um mercado agropecuário marcado por movimentos distintos entre as cadeias produtivas. Embora a recuperação do terceiro trimestre tenha reduzido as perdas acumuladas, o resultado de janeiro a setembro continua negativo, com diferenças expressivas entre grãos, café, cana-de-açúcar, hortifrutícolas e pecuária.
Fonte: cenariomt.com.br

