Prisão de operador expõe comando de facção de MT a partir do RJ
Reprodução/PJC-RJ
Guilherme Silva foi preso em uma academia, nas proximidades do Complexo do Alemão, onde a facção criminosa é atuante
A prisão de um homem apontado como operador financeiro do Comando Vermelho revelou uma das frentes investigadas pela Polícia Civil para entender como integrantes da facção continuariam mantendo atividades criminosas em Mato Grosso, mesmo instalados a mais de 1,5 mil km do Estado.
Guilherme Moura da Silva, conhecido como “Vasco”, foi preso na noite de quinta-feira (20), dentro de uma academia, na Avenida Itaóca, em Inhaúma, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
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O local fica nas proximidades do Complexo do Alemão, onde a facção criminosa é atuante.
Contra ele havia mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça de Mato Grosso.
A localização foi resultado do cruzamento de informações entre a 44ª Delegacia de Polícia do Rio, a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e a Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado (Draco), ambas da Polícia Civil mato-grossense.
Mais do que a captura de um foragido, porém, a operação lança luz sobre a estrutura atribuída pelos investigadores a Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “Batman”.
Apontado pela Polícia como uma das lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso, ele está foragido desde 2024.
Segundo as investigações, Vasco ocupava uma posição estratégica dentro da organização e seria responsável pela movimentação financeira ligada a Batman.
A Polícia Civil trabalha com a informação de que o líder esteja escondido no Complexo do Alemão e, a partir do Rio de Janeiro, continue coordenando atividades relacionadas ao tráfico e à logística da organização criminosa em Mato Grosso.
A investigação, portanto, aponta para uma estrutura na qual a distância física entre os integrantes e Mato Grosso não teria interrompido as atividades atribuídas ao grupo.
DINHEIRO – A atuação financeira é um dos pontos centrais do histórico das investigações envolvendo Batman.
Ele foi preso em agosto de 2018, durante a Operação Red Money, deflagrada pela GCCO e pela Diretoria de Inteligência.
Conforme o histórico reunido pela Polícia Civil, Batman é apontado em investigação envolvendo um esquema de lavagem de dinheiro superior a R$ 52 milhões.
Depois de permanecer preso, ele foi solto pela Justiça, em setembro de 2024.
Dois dias após deixar a prisão, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) constatou o rompimento da tornozeleira eletrônica. Desde então, ele é considerado foragido.
Agora, a captura de um homem apontado justamente como responsável pela movimentação financeira ligada a Batman abre uma nova frente para a investigação da estrutura mantida pelo grupo.
De acordo com a polícia, Vasco estava escondido no Rio enquanto continuaria desempenhando funções relacionadas à facção em Mato Grosso.
Ele foi abordado enquanto treinava na academia e não ofereceu resistência.
Após a prisão, foi encaminhado ao sistema prisional e permanece à disposição da Justiça.
Veja a prisão de “Vasco”:
CERCO AO GRUPO – A prisão de Vasco não é uma ação isolada contra pessoas próximas a Batman.
No mês passado, a Polícia Civil de Mato Grosso prendeu Rhavenna Barcelos de Almeida durante a Operação Fariseus.
Ela é apontada pelos investigadores como companheira de Batman e suspeita de ter desempenhado funções de suporte operacional e comunicação para a organização criminosa.
Segundo a investigação, Rhavenna utilizaria um projeto religioso como forma de aproximação com integrantes da facção e manteria contato com presos e foragidos.
Os pais dela, pastores evangélicos, também foram alvos da operação. As suspeitas ainda são objeto de investigação.
Com as duas operações, a polícia atinge áreas diferentes atribuídas ao entorno do foragido: de um lado, o suporte operacional e a comunicação; de outro, a movimentação financeira.
A prisão no Rio também reforça a conexão investigada entre integrantes do Comando Vermelho de Mato Grosso e o Complexo do Alemão.
A polícia afirma que Batman pode estar escondido na comunidade juntamente com outros foragidos.
As investigações prosseguem para identificar outros integrantes e esclarecer de que maneira a estrutura conseguiria manter atividades criminosas em Mato Grosso mesmo com parte de sua liderança fora do Estado.
| A REDE INVESTIGADA
JONAS “BATMAN”
→ Apontado pela polícia como liderança do CV em Mato Grosso
→ Preso na Operação Red Money, em 2018
→ Investigação envolveu lavagem superior a R$ 52 milhões
→ Solto em setembro de 2024
→ Rompeu a tornozeleira dois dias depois
→ Está foragido
→ Polícia suspeita que esteja no Complexo do Alemão
GUILHERME “VASCO”
→ Apontado como homem de confiança de Batman
→ Suspeito de ocupar posição estratégica na facção
→ Polícia atribui a ele a movimentação financeira ligada ao grupo
→ Estaria escondido no Rio
→ Preso em academia próxima ao Complexo do Alemão em 20 de agosto de 2026
RHAVENNA BARCELOS
→ Apontada como companheira de Batman
→ Investigada por suposto suporte operacional e comunicação
→ Presa na Operação Fariseus
Fontes: Polícia Civil de Mato Grosso e Polícia Civil do Rio de Janeiro

