Ramiro Martinez conta como foi a cena de nudez de Nacho em ‘Jogada de Risco’
O argentino Ramiro Martinez, 41, chegou ao Brasil para fazer seu primeiro trabalho no país, “Jogada de Risco”, e já sentiu que seu personagem “pegou”. Na série idealizada por Cauã Reymond, ele interpreta Nacho, um jogador angustiado, de caráter duvidoso e envolvido em um ambiente marcado por dinheiro, poder, traições e excessos.
Fora das telas, a experiência trouxe uma consequência curiosa: depois que uma cena de nudez foi ao ar, ele começou a perceber olhares diferentes e risadinhas até no supermercado que costuma frequentar, na zona sul do Rio. “Agora não estou mais loiro, então não é tão fácil para perceber que sou eu. Mas as pessoas me reconheceram”, conta.
Ele brinca que a série tem bastante “putaria”, mas explica que Nacho não participa das cenas de sexo mais explícitas. O personagem aparece em uma sequência com pouquíssima roupa, o que já foi suficiente para causar certo frisson entre os espectadores.
“Para o meu personagem foi só isso. Talvez tenha outros colegas que tiveram cenas um pouco mais íntimas, mais desafiantes”, afirma.
Ainda assim, a gravação foi um desafio. Antes da cena, Ramiro conversou com o diretor Bruno Safadi e com Eduarda Azevedo, coordenadora de cenas íntimas. Ele admitiu que teria dificuldade para se expor daquela maneira. “Não deixa de ser um desafio enorme. Para fazer essa cena, tenho que defender meu personagem”, diz.
Para Ramiro, Nacho é um jogador é arrogante, gosta de intimidar e incomodar. “Não sou eu, é o personagem. Então eu me abraço a ele para fazer coisas que talvez eu não faria.”
Ele conta que sua carreira artística começou relativamente tarde. Formado em administração de empresas, trabalhou nos setores público e privado até os 30 anos, quando um chefe, que também era dramaturgo, sugeriu que experimentasse a atuação.
Fez aulas de teatro, gostou e logo conseguiu um papel em “El Marginal”, série argentina que ganhou projeção internacional. Depois vieram peças e outros trabalhos. São cerca de dez anos dedicados à atuação. “Eu sempre estava procurando alguma coisa que realmente gostasse. Quando cumpri 30 anos, tomei aulas de teatro e realmente adorei. Larguei tudo para investir na atuação”, conta.
“Jogada de Risco” é, segundo ele, o trabalho dramático mais importante de sua carreira internacional. A série também permitiu que Ramiro retomasse uma antiga paixão: o futebol.Ele sempre jogou bola e chegou a pensar em seguir carreira profissional.
Um problema no joelho, porém, interrompeu a prática. Nas gravações, voltou a jogar e filmou algumas cenas dentro de um estádio real. “Para mim, isso é um sonho”, diz.
O ator também não se surpreendeu tanto com o submundo apresentado na série. Ele afirma conhecer pessoas ligadas ao futebol e já ter ouvido histórias sobre dinheiro, poder e golpes nos bastidores.”Eu não só imaginava. Conheço pessoas que trabalham no mundo do futebol e já tinha ouvido várias histórias”, afirma.
Entre os colegas de elenco, Cauã Reymond foi uma das experiências que mais o marcaram. Ramiro já acompanhava a carreira do brasileiro desde “Avenida Brasil”, que fez sucesso na Argentina, e chegou a mandar uma mensagem para o ator no Instagram anos antes de imaginar que trabalharia com ele.
“Ele foi realmente bem generoso comigo. Aprendi muito só de olhar”, afirma. O intérprete de Nacho define Cauã como “um leão dentro do set”, mas ressalta que o ator abre espaço para os colegas.
Depois de “Jogada de Risco”, Ramiro já participou da terceira temporada de “DNA do Crime”, da Netflix. Ele interpreta um novo personagem ligado ao universo do crime, mas prefere não revelar detalhes. Paralelamente, trabalha com uma fonoaudióloga para melhorar o português e tenta consolidar a carreira no Brasil.
A adaptação ao país, no entanto, passa também pelo futebol. Ramiro percebeu que a rivalidade entre os dois países vai além das provocações dentro de campo.
Ele diz ter se entristecido com alguns estereótipos associados aos argentinos, mas evita generalizações. “Eu não gosto de generalizar, mas é evidente que tem alguma coisa, além da rivalidade, alguns conceitos sobre os argentinos que me entristecem muito.”
Ele cita também a repercussão das provocações de argentinos contra ingleses durante a Copa do Mundo 2026. Na semifinal vencida pela Argentina, os jogadores exibiram no final do jogo uma faixa com a frase “Las Malvinas son argentinas”, em referência à disputa entre os países e à Guerra das Malvinas, em 1982. Para Ramiro, foi uma atitude inadequada, embora prefira não usar o episódio para definir todos os argentinos.
“Foi bem chato. Eu também achei que não foi legal, mas não posso opinar. Eu também erro, sou ser humano. Talvez tenha sido uma má escolha deles”, afirma. Ele diz ter considerado mais agressiva a reação de parte dos torcedores brasileiros contra a Argentina durante a final com a Espanha. “Não foi legal ver a torcida contra o meu país”.
Ramiro diz ter uma relação afetiva com o Brasil: tem familiares no país e já namorou uma brasileira. Por isso, prefere que a rivalidade fique restrita ao futebol. “Eu sou torcedor do amor entre a Argentina e o Brasil”, afirma. Para ele, o esporte deveria servir para aproximar os dois países. “Espero que algum dia seja só um bom espetáculo e um motivo para a gente se divertir e se aproximar.”

