EDUCAÇÃO
Últimas Notícias
Dólar R$ -- 20:54:46 | 4 de novembro de 2026
POLÍTICA

Saúde de Goiás prevê suplementação de R$ 919,3 milhões para 2027; oposição questiona orçamento

A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) prevê a necessidade de uma suplementação orçamentária de R$ 919,3 milhões para garantir o funcionamento dos serviços em 2027. A informação foi confirmada pelo secretário Rasível dos Reis Santos nesta quarta-feira, 4, durante prestação de contas dos dois primeiros quadrimestres de 2026 na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).

“A gente tem uma suplementação necessária que é de R$ 919,3 milhões”, afirmou Rasível. Segundo ele, a execução do orçamento da saúde exige ajustes ao longo do ano, incluindo remanejamentos e adequações para assegurar a continuidade dos atendimentos e o cumprimento das obrigações financeiras. “O orçamento da saúde é diferente porque a gente faz cancelamentos, anulações e remanejamentos para utilizar o máximo possível dos recursos disponíveis”, completou.

A previsão, no entanto, foi questionada pelo deputado estadual Antônio Gomide (PT). O parlamentar criticou a diferença entre os recursos previstos para 2027 e os gastos realizados em 2026, além de estimar que a necessidade de suplementação poderá ultrapassar R$ 2 bilhões. “O que gastou em 2026 tem R$ 1 bilhão e 100 milhões a mais do que esse orçamento que está sendo aprovado para 2027”, declarou.

Durante a apresentação, Rasível também cobrou maior participação do Governo Federal no financiamento da saúde estadual. Segundo o secretário, Goiás solicitou a incorporação de aproximadamente R$ 500 milhões ao teto de Média e Alta Complexidade (MAC), mas não obteve o repasse. Ele afirmou que o Estado precisou recorrer a recursos próprios para manter os pagamentos a hospitais, contratos e municípios.

Regulação de Internações nas Macrorregiões

O secretário informou que Goiás estabeleceu como uma de suas metas ampliar a regulação de internações de urgência dentro das próprias macrorregiões do estado. De acordo com ele, o objetivo era alcançar 70% dos atendimentos dentro dessas regiões, mas o índice já teria chegado a 80,86%. Ele explicou que esse resultado demonstra o fortalecimento da regionalização da saúde, permitindo que a maioria dos pacientes permaneça próxima de seus municípios de origem.

Meta: Aumentar para 75% o índice de regulação de internações de urgências dentro das macrorregiões até 2027.

Indicador: Percentual de acesso de regulação de internações de urgências realizado dentro das macrorregiões no ano.

Indicador Linha de Base (Valor) Indicador Linha de Base (Ano) Meta PES 2026 (Estimado) Meta PES 2026 (Resultado Parcial)
60% 2023 70% 80,86%

Fonte: Sistema Saúde Integrada de Goiás – SIGO, módulo de Gerenciamento de Internações. Dados atualizados em 11/09/2026.

Segundo o secretário, os casos que não conseguem ser resolvidos dentro das próprias macrorregiões envolvem serviços de alta complexidade que dependem de grande volume de procedimentos para garantir qualidade e segurança. Como exemplo, ele citou cirurgias cardíacas infantis e neonatais, afirmando que esses atendimentos exigem equipes altamente especializadas e hospitais de referência.

Rasível afirmou que a regionalização busca garantir que cada paciente seja encaminhado ao local adequado, no momento adequado e com a qualidade necessária. Ele também destacou que a Secretaria da Saúde trabalha para ampliar a capacidade dos hospitais do interior, que vêm ultrapassando a marca de 100 leitos e incorporando leitos de terapia intensiva para aumentar a resolutividade da assistência.

Sobre cirurgias eletivas, o secretário informou que o Estado segue avançando rumo à meta de ampliar em 46% a realização desses procedimentos até 2027. Ele apontou que o governo está estruturando um modelo que separa hospitais destinados a cirurgias eletivas daqueles voltados para urgência e emergência. A iniciativa deverá ser lançada pelo governador Daniel Vilela (MDB) no início do próximo ano.

Realização de Cirurgias Eletivas

Meta: Ampliar em 46,8% a realização de cirurgias eletivas até 2027.

Indicador: Número de cirurgias eletivas realizadas no ano.

Indicador Linha de Base (Valor) Indicador Linha de Base (Ano) Meta PES 2026 (Estimado) Meta PES 2026 (Resultado Parcial)
45.000 2023 62.000 44.382

Projeção até o fim do ano: 66.573 Fonte: Sistema de Regulação de Cirurgias Eletivas – REGNET/ Painel REGULATRON em 11/09/2026.

Rasível relatou que determinados hospitais precisarão continuar atendendo simultaneamente os dois perfis de pacientes. Citou como exemplos o HUGO e o novo HUGO, onde haverá expansão das salas cirúrgicas. Nesses casos, os fluxos serão separados para evitar concorrência entre pacientes eletivos e pacientes de urgência.

A Secretaria da Saúde também estuda especializar unidades hospitalares em determinadas modalidades cirúrgicas dentro das cinco macrorregiões goianas. O secretário mencionou a possibilidade de haver hospitais mais voltados para procedimentos como retirada de vesícula, correção de hérnias ou cirurgias ortopédicas de ombro. Segundo ele, a estratégia permitirá maior volume de atendimentos, aumento da qualidade assistencial e redução do tempo de espera.

A superlotação dos prontos-socorros foi apontada como uma das prioridades da gestão, Rasível afirmou que acompanha diariamente a situação das unidades estaduais e relatou que, sempre que há pacientes nos corredores, ele próprio, a subsecretária Amanda e demais integrantes da equipe entram em contato com os diretores dos hospitais e realizam visitas presenciais para cobrar soluções. O secretário revelou que, no próprio dia da apresentação, três hospitais receberam ligações da Secretaria da Saúde devido à existência de pacientes acomodados em corredores.

Já os dados relacionados às doenças crônicas não transmissíveis também foram apresentados. Rasível informou que a taxa de mortalidade prematura pelas quatro principais doenças crônicas possuía meta estimada em 170, mas já alcançou o índice de 168 ainda no segundo quadrimestre de 2026. Segundo ele, o resultado está relacionado ao manejo adequado dessas condições e à redução das internações e óbitos.

Taxa de Mortalidade Prematura por Doenças Crónicas Não Transmissíveis

Meta: Reduzir a taxa de mortalidade prematura pelo conjunto das 4 principais Doenças Crónicas Não Transmissíveis (DCNT).

Indicador: A taxa de mortalidade prematura pelo conjunto das 4 principais DCNT se mantém abaixo do estimado para o ano de 2026.

Indicador Linha de Base (Valor) Indicador Linha de Base (Ano) Meta PES 2026 (Estimado) Meta PES 2026 (Resultado Parcial)
287,08 2022 270,2 168,18

Fonte: SIM (PENTAHO) e DATASUS dados extraídos em 03/09/2026.

A mortalidade materna foi descrita pelo secretário como um dos maiores desafios enfrentados atualmente pela rede estadual. Rasível afirmou que Goiás sofreu severamente durante a pandemia de Covid-19 e ainda busca reduzir os impactos que aquele período causou nos indicadores.

Segundo ele, uma das dificuldades está relacionada ao elevado número de locais onde são realizados partos no estado. O secretário citou a existência de hospitais com taxas de cesariana superiores a 70%, chegando em alguns casos a ultrapassar 80% e 90%, além da falta de infraestrutura adequada em determinadas unidades.

Rasível destacou que o sangramento representa a principal causa de mortalidade materna e afirmou que 95% desses óbitos são considerados evitáveis. Também declarou que cada morte materna é tratada como um evento catastrófico devido ao impacto causado às famílias.

O secretário informou que foi estruturada a Rede Nascer em Goiás e implantado o programa de madrinhas para acompanhamento das gestantes. Apesar disso, apontou dificuldades no cadastramento das pacientes pelos municípios. Segundo ele, esse registro é fundamental para que a Secretaria acompanhe o pré-natal e o desenvolvimento das crianças até os dois anos de idade.

Segudo ele, quase todas as gestantes finalizam a gravidez com pelo menos seis consultas pré-natais realizadas, mas a qualidade desse atendimento ainda precisa avançar. Rasível afirmou que muitas pacientes chegam em estado grave ao HUGOL, ao Hospital da Mulher e ao Hospital de Águas Lindas por falhas no acompanhamento ou atraso nos encaminhamentos. A meta apresentada é reduzir a mortalidade materna para menos de 30 óbitos por 100 mil nascidos vivos até 2030, em conformidade com recomendações da Organização Mundial da Saúde.

Razão de Mortalidade Materna

Meta: Reduzir a razão de mortalidade materna para 55 mortes para cada 100.000 nascidos vivos (NV).

Indicador: Razão de mortalidade materna (Taxa/100.000 NV).

Indicador Linha de Base (Valor) Indicador Linha de Base (Ano) Meta PES 2026 (Estimado) Meta PES 2026 (Resultado Parcial)
61,29 2022 56 49,4

Fonte: SIM – Sistema de Informação de Mortalidade / SINASC – Sistema de Informação de Nascidos Vivos. Dados extraídos em 03/09/2026.

A mortalidade infantil também foi destacada durante a apresentação, o secretário informou que o índice previsto era de 12 e atualmente está em 7,4. A meta estabelecida pela pasta é manter o indicador abaixo de 10. Segundo ele, o saneamento básico, educação e outras políticas públicas são fatores decisivos para a redução desse índice.

Taxa de Mortalidade Infantil

Meta: Reduzir a taxa de mortalidade infantil para menos de 10 óbitos por 1.000 nascidos vivos.

Indicador: Taxa de mortalidade infantil (Taxa/1.000 NV).

Indicador Linha de Base (Valor) Indicador Linha de Base (Ano) Meta PES 2026 (Estimado) Meta PES 2026 (Resultado Parcial)
12,68 2022 12 7,4

Fonte: SIM – Sistema de Informação de Mortalidade / SINASC – Sistema de Informação de Nascidos Vivos. Dados extraídos em 03/09/2026.

Os resultados relacionados à Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) também foram apresentados. Segundo Rasível, a cobertura populacional prevista era de 0,77, mas o Estado já atingiu 0,97. O secretário associou esse avanço ao crescimento dos transtornos mentais observado no Brasil e no mundo.

Cobertura Assistencial da RAPS

Meta: Aumentar o índice de cobertura assistencial da Rede de Atenção Psicossocial (IRAPS) para 0,75.

Indicador: Índice de cobertura assistencial da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

Indicador Linha de Base (Valor) Indicador Linha de Base (Ano) Meta PES 2026 (Estimado) Meta PES 2026 (Resultado Parcial)
0,58 2022 0,7 0,97

Fonte: SPAIS/GESM-11/09/2026/CEESMI-09/09/2026.

Ele também apontou que os dados sobre a doença de Chagas indicaram redução de 5% no número de óbitos em relação ao ano anterior. A linha de base apresentada era de 648 mortes registradas em 2022. A projeção era chegar a 555 óbitos, enquanto o número atualmente informado pela Secretaria corresponde a 215 mortes.

Óbitos por Doença de Chagas Crónica

Meta: Reduzir o número de óbitos por doença de Chagas crónica em 5% em relação ao ano anterior.

Indicador: Número de óbitos por doença de chagas crônica.

Indicador Linha de Base (Valor) Indicador Linha de Base (Ano) Meta PES 2026 (Estimado) Meta PES 2026 (Resultado Parcial)
648 2022 555 215

Fonte: SIM – Sistema de Informação de Mortalidade / SINASC – Sistema de Informação de Nascidos Vivos. Dados extraídos em 03/09/2026.

A Vigilância Sanitária superou as metas estabelecidas para 2026. Rasível explicou que o objetivo era alcançar 9 mil ações de controle sanitário de produtos, serviços, saúde e meio ambiente, mas o número já ultrapassa 13 mil avaliações realizadas.

Ações de Controle Sanitário

Meta: Ampliar para 13.000 ações de controle sanitário de produtos, serviços de saúde e ambiente.

Indicador: Número de ações de controle sanitário de produtos e serviços de saúde sujeitos à vigilância sanitária.

Indicador Linha de Base (Valor) Indicador Linha de Base (Ano) Meta PES 2026 (Estimado) Meta PES 2026 (Resultado Parcial)
1.480 2022 9.000 13.947

Fonte: Sistema Nacional de Informação em Vigilância Sanitária – SINAVISA / 31/08/2026.

A qualificação de serviços destinados a populações específicas também apresentou desempenho acima do planejado. A meta era qualificar 250 serviços, porém 269 já haviam sido alcançados até o período analisado.

Os números referentes às auditorias do SUS também foram apresentados. De acordo com os dados divulgados pelo secretário, de janeiro a agosto de 2026 foram realizadas 46 auditorias e outras sete permaneciam em execução.

Auditorias (Realizadas e Em Execução)

Ano Realizadas Em Execução
2022 81 26
2023 100 14
2024 87 7
2025 71 16
2026 (Jan a Ago) 46 7

Fonte: SSAUD, consulta em 02/09/2026.

A distribuição do orçamento da saúde estadual foi detalhada durante a prestação de contas. Segundo Rasível, 63% dos recursos autorizados são destinados à assistência hospitalar e ambulatorial. Despesas com pessoal e administração representam 25,3%. O suporte profilático e terapêutico responde por 7,5%. A atenção básica, principalmente por meio de repasses aos municípios, corresponde a 3,2%, enquanto a vigilância epidemiológica representa 0,6%.

Percentual de Despesas com Saúde por Subfunção Destinado pela Dotação Autorizada

Subfunção Percentual (%)
Assistência Hospitalar e Ambulatorial 63,0%
Outras Subfunções (Pessoal e Administrativo) 25,3%
Suporte Profilático e Terapêutico 7,5%
Atenção Básica 3,2%
Vigilância Epidemiológica 0,6%

Fonte: Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO).

Os números da execução orçamentária apresentados apontam R$ 4,29 bilhões empenhados em ações e serviços públicos de saúde, R$ 2,8 bilhões liquidados e R$ 2,55 bilhões pagos.

Despesas Computáveis em ASPS (em R$ Bilhões)

Categoria Valor (em R$ bilhões)
Empenhadas 4,29
Liquidadas 2,80
Pagas 2,55

Valores exatos (detalhados no rodapé):

– Empenhadas: R$ 4.287.865.177,43

– Liquidadas: R$ 2.804.172.330,41

– Pagas: R$ 2.564.101.682,08

Fonte: Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO).

Sobre as iniciativas de inovação e acessibilidade, o secretário citou avanços na saúde digital, o envio de mensagens para acompanhamento de consultas e gestantes por meio de aplicativos, debates sobre inteligência artificial, apresentação de projetos em eventos nacionais e internacionais e ações ligadas ao CORA.

A expansão de serviços especializados foi mencionada durante a exposição. Rasível destacou a implantação da hemodiálise peritoneal em Quirinópolis, Posse e Goianésia, a ampliação de leitos de terapia intensiva, a criação do Centro de Processamento Celular no Hemocentro para transplantes de medula óssea e o fortalecimento de estratégias de governança por meio do Command Center.

Deputado estadual Talles Barreto (UB)

Na sessão, o líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado estadual Talles Barreto (UB), ressaltou que os investimentos estaduais em saúde superaram o mínimo constitucional de 12%. Segundo ele, o percentual aplicado em 2026 ficou próximo de 16%, enquanto a previsão para 2027 está em torno de 12,5%.

Talles Barreto | Foto: Guilherme Alves/ Jornal Opção

O parlamentar classificou a regionalização como um dos principais marcos da saúde pública goiana e citou a expansão de UTIs em cidades como Quirinópolis, Catalão, Águas Lindas, Formosa, Cidade de Goiás, São Luís de Montes Belos e Uruaçu. Talles também questionou o volume de recursos federais destinados ao Estado e manifestou preocupação com a situação financeira de hospitais que dependem desses repasses.

O deputado relatou reclamações relacionadas às policlínicas estaduais e ao alto número de faltas em consultas previamente agendadas. Segundo ele, pacientes marcam procedimentos e não comparecem, mesmo com profissionais disponíveis para atendimento. A visita realizada ao Hospital e Maternidade Dona Iris também foi relatada pelo líder do governo. Talles afirmou ter ficado impressionado com o atendimento humanizado, a estrutura das UTIs e o equilíbrio observado entre partos normais e cesarianas.

O parlamentar defendeu maior divulgação dos indicadores positivos apresentados pela Secretaria da Saúde e elogiou os avanços em cirurgias eletivas e a implantação do novo Hospital Geral administrado pelo Einstein. A saúde mental e as doenças neurológicas receberam atenção especial em sua fala. Talles Barreto pediu maior integração entre a Assembleia Legislativa e a Secretaria Estadual da Saúde, defendendo a ampliação das ações voltadas para diagnóstico precoce, qualificação de profissionais e assistência especializada.

O deputado citou, como exemplo, um projeto-piloto desenvolvido em São Luís de Montes Belos para identificação precoce de casos de Esclerose Lateral Amiotrófica. Segundo ele, havia inicialmente dois casos registrados e, após o trabalho de busca ativa, foram identificados 20 pacientes.

Rasível afirmou que a prioridade da gestão é ampliar o acesso aos serviços

Após a prestação de contas, Rasível disse em entrevista coletiva que é um desafio diário lidar com a saúde, mas avaliou de forma positiva. “A saúde é um desafio realmente diário, igual ao nosso governador vem falando o tempo todo, mas a gente avançou muito na saúde aqui no Estado de Goiás”, disse.

O secretário destacou a existência de 25 hospitais estaduais, seis policlínicas e diversos programas voltados para a população. “Temos trabalhado muito unidos aí com os municípios, com os nossos deputados, também trabalhando em conversa e diálogo com o Governo Federal para a gente ampliar o nosso teto MAC”, apontou.

Rasível afirmou que a prioridade da gestão é ampliar o acesso aos serviços, fortalecer ações preventivas e incentivar hábitos saudáveis. “A gente quer fazer entregas mais próximas da casa das pessoas, trabalhar com promoção, com prevenção e com cuidado para todas as pessoas”, afirmou.

Ao ser questionado sobre críticas relacionadas à proposta orçamentária e à ampliação de recursos destinados às Organizações Sociais, o secretário defendeu o modelo adotado pelo Estado. “O modelo que o Estado de Goiás definiu para fazer a assistência adequada não é somente um repassador de recurso para os municípios. Nós decidimos fazer a contratação de hospitais, construção de hospitais e utilizamos nesse modelo a gestão pelas organizações da sociedade civil”, disse.

Segundo Rasível, a cobrança por metas vem sendo ampliada e o Estado continua investindo recursos próprios para garantir o funcionamento dos serviços. “O Governo Federal tem cada vez reduzido a participação no gasto com a saúde em todos os estados, mas especificamente no Estado de Goiás”, apontou.

O secretário também destacou o desempenho do sistema estadual. “Nós somos a primeira saúde do país empatados com o Estado do Paraná”, disse.

Ao citar serviços especializados oferecidos pelo SUS goiano, Rasível mencionou marcos alcançados pela rede. “Vamos comemorar 1.500 transplantes renais agora na sexta-feira no HGG. A gente faz transplante de medula óssea e também cirurgia cardíaca neonatal no Hugol”, afirmou.

Em relação aos questionamentos sobre o Hospital Estadual de Anápolis também foram respondidos durante a coletiva. O secretário afirmou que a unidade passou por reorganização das terapias intensivas, reformas estruturais e ampliação da capacidade operacional. “A gente conseguiu ampliar o hospital. Não a estrutura física completa, mas ampliamos virtualmente e organizamos a parte de terapia intensiva”, explicou.

Segundo ele, uma nova enfermaria com mais 20 leitos está sendo implantada para fortalecer o giro dos leitos hospitalares e ampliar a capacidade de atendimento.

A relação financeira entre Goiás e o Governo Federal também foi abordada. O secretário afirmou que participou de reuniões ao lado do governador Daniel Vilela com o presidente do Congresso Nacional e com o ministro Alexandre Padilha na tentativa de ampliar os recursos destinados ao Estado. “Eu estive com o governador Daniel, com o presidente do Congresso Nacional e também com o ministro Padilha solicitando recursos para incorporação ao teto MAC na ordem de R$ 500 milhões”, disse.

Segundo Rasível, a solicitação não foi atendida. “Infelizmente não conseguimos o repasse do recurso.” O secretário declarou que o Estado precisou utilizar recursos do Tesouro Estadual para garantir pagamentos aos hospitais, contratos, repasses municipais e manutenção dos serviços. “A gente precisou nos virar mesmo aqui com relação ao tesouro para cumprir todas as obrigações que o Estado assumiu”, explicou.

Rasível informou ainda que Goiás acionou o Supremo Tribunal Federal para questionar os critérios de distribuição dos recursos federais da saúde. “Conseguimos ganho de causa na definição dos critérios de repasse, mas o orçamento é anualizado e o ministro não retroagiu essa decisão”, disse.

Ao final da coletiva, o secretário afirmou que ainda existem diversas portarias aprovadas aguardando publicação pelo Governo Federal, condição necessária para a liberação dos recursos. “As portarias a gente aprova, mas eles não publicam. Se não publicar, o dinheiro não vem. Temos uma quantidade grande de portarias aguardando publicação para receber o recurso e não recebemos”, finalizou.

Thiago Albernaz avaliou de forma positiva a apresentação

Após a prestação, deputado estadual Thiago Albernaz (MDB), avaliou de forma positiva a apresentação realizada pela Secretaria Estadual da Saúde (SES). “De forma muito positiva, acho que é esclarecedor. Nós temos essa demanda sempre latente. Acho que a saúde é uma demanda de todos”, disse.

Thiago Albernaz | Foto: Divulgação

Segundo o parlamentar, a exposição realizada pelo secretário Rasível e por toda a equipe técnica apresentou informações de forma clara, detalhada e transparente. “Hoje a gente traz uma explanação por parte do secretário e de toda a sua equipe que se fez presente, de forma muito clara, muito descritiva, muito detalhada e de forma muito humana, de forma muito transparente”, apontou.

Albernaz afirmou que os dados apresentados contribuem para ampliar a segurança dos deputados no acompanhamento das políticas públicas da área. “Esclarecendo todos os questionamentos, trazendo os números na ponta do lápis. E isso traz muito conforto para nós da Assembleia, da Comissão de Tributação, Orçamento e Finanças, para que a gente possa manter esse debate”, apontou.

O deputado destacou que a saúde foi um dos principais temas debatidos durante o período eleitoral e apontou que os resultados apresentados demonstram avanços na rede estadual. “O debate durante o período eleitoral foi muito acalorado, mas é nítido os avanços que a saúde vem tendo no Estado de Goiás”, explicou.

Na avaliação dele, a demanda por serviços de saúde continua crescendo, mas os esforços da equipe da Secretaria Estadual da Saúde e do governador Daniel Vilela têm permitido o enfrentamento dessas necessidades. “Essa demanda também é crescente. Mas a soma de esforço de toda essa equipe, juntamente com o governador Daniel Vilela, vem suprindo essas demandas”, afirmou.

Albernaz afirmou que os resultados apresentados durante a audiência serviram como demonstração prática desse trabalho. “Isso foi colocado à prova e foi demonstrado para todos nós hoje aqui, nessa reunião em audiência pública”, disse.

Ao ser questionado sobre o debate envolvendo transparência nas filas de atendimento da saúde pública, o parlamentar classificou a questão como um fenômeno cultural historicamente presente na política brasileira. “Eu acho que esse é um fato cultural do nosso país. Infelizmente, o político foi tido ao longo dos anos com uma preocupação de poder antecipar resultados”, apontou.

Segundo ele, o avanço da informatização, dos mecanismos de controle e dos portais de transparência reduziu significativamente a possibilidade de interferência política em processos administrativos. “O que isso já não é mais verdade. Com acesso à velocidade de informação, à informatização dos processos, portais de transparência, a ampliação da participação do Ministério Público, faz com que esse poder de persuasão do parlamentar, de forma geral, venha ao longo dos últimos anos perdendo sentido”, afirmou.

O deputado afirmou que ainda existe na população a percepção de que políticos possuem capacidade de resolver demandas individuais de forma mais rápida, especialmente em situações de saúde. “Muitas das vezes, o brasileiro tem essa conotação de acreditar que aquela pessoa pode resolver os seus problemas da sua carência naquele momento. E o político, diante dessas situações, sempre foi muito cobrado”, disse.

Albernaz ressaltou, porém, que atualmente não existe condição para que parlamentares alterem a ordem de filas ou acelerem procedimentos administrativos na saúde. “O parlamentar não tem mais condições, a não ser de poder buscar uma orientação, buscar informação de como está esse devido procedimento”, explicou.

Ele acrescentou que a atuação dos deputados hoje está mais relacionada à busca de informações e ao acolhimento das pessoas que procuram os gabinetes em busca de ajuda. “Hoje já é impossível de se atenuar qualquer participação efetiva em filas ou em benefícios sociais. Isso não é possível mais”, apontou.

O parlamentar explicou, o trabalho parlamentar passa principalmente por intermediar informações junto aos órgãos responsáveis. “O que a gente faz, na verdade, é acalmar os ânimos, é ter uma informação objetiva, é buscar por parte da secretaria. Muitas das vezes, o paciente não tem a informação que ele deseja”, disse.

O deputado também defendeu que a compreensão dessa mudança depende de um processo gradual de transformação cultural. “Isso já não cabe mais. Isso é uma mudança cultural e que vai demandar tempo para que a população perceba que já não é mais assim”, afirmou.

Oposição questiona investimentos para a Saúde

Ao Jornal Opção após a prestação de contas, o deputado estadual Antônio Gomide (PT) afirmou que uma das principais preocupações apresentadas durante a audiência diz respeito à forma como o orçamento da saúde para 2027 está estruturado. Segundo ele, existe uma diferença entre o discurso de fortalecimento do Sistema Único de Saúde e os números previstos na proposta orçamentária.

Antônio Gomide: deputado estadual | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

“Primeiro, porque o secretário fala que vai fortalecer o Sistema Único de Saúde. E nós queremos ver no orçamento como fortalecer o Sistema Único de Saúde. O que nós temos visto no orçamento é uma diminuição da atenção básica. E isso obviamente não fortalece o sistema único”, disse.

Gomide também questionou o aumento de recursos destinados às Organizações Sociais (OSs) em comparação com outras áreas da saúde. “O que nós temos visto no orçamento, e por isso a indagação, a preocupação, é que a gestão indireta, as OSs, vão levar mais de R$ 510 milhões neste próximo orçamento. Então fortalece as OSs, mas não fortalece o sistema único”, afirmou.

O parlamentar apontou ainda redução de recursos em diversas áreas da assistência à saúde previstas na proposta orçamentária. “Ao mesmo tempo, nós temos uma redução, ou seja, um recuo no fortalecimento da média e alta complexidade, mais de R$ 304 milhões. Nós temos um recuo na ação integral de saúde, mais de R$ 105 milhões. Nós temos um recuo no serviço credenciado de média e alta complexidade de mais de R$ 88 milhões. Só aí já deu meio bilhão de reais. Então o questionamento que nós estamos fazendo é que o discurso é um e a lei orçamentária que está na área de saúde aqui na Casa é outro completamente”, declarou.

A situação da regulação de pacientes também foi mencionada pelo deputado como uma das principais reclamações recebidas nos municípios. “A grande reclamação que nós temos nos municípios hoje é a regulação junto ao paciente. Tem muito pouco acesso e muito pouca informação em relação à própria lista daquilo que está sendo feito de regulação no Estado de Goiás”, disse.

Gomide afirmou que há pacientes aguardando longos períodos para procedimentos eletivos sem receber respostas concretas. “Hoje um cidadão que precisa fazer uma cirurgia média, uma cirurgia de vesícula, uma cirurgia eletiva, ele fica meses e meses, para não dizer ano, sem ter qualquer resolutividade”, declarou.

A ampliação do Hospital Estadual de Urgências de Anápolis também esteve entre os questionamentos feitos ao secretário. Segundo o deputado, a obra vem sendo anunciada há vários anos sem que a ampliação física tenha sido executada. “Nós temos ali uma obra que está sendo colocada pelo menos há três anos e meio e que deveria ser feita. Uma ampliação do espaço físico do Hospital de Urgência de Anápolis não foi feita, e questionamos para que essa obra realmente saia do papel e possa melhorar o atendimento à cidade de Anápolis”, afirmou.

O parlamentar disse que aproveitou a prestação de contas para buscar esclarecimentos sobre os planos da Secretaria da Saúde para os próximos anos. “São questões que obviamente é importante fazer e aproveitar o secretário de Saúde nessa prestação de contas para poder até ver qual é o objetivo dele nos próximos quatro anos”, disse.

Ao ser questionado sobre as reclamações da Secretaria da Saúde a respeito da falta de repasses federais, Gomide afirmou que o tema deve ser discutido a partir de dados concretos. “Se tem alguma dificuldade e achar que nós podemos ajudar, que ele venha, apresente os números e apresente os números que foram repassados pelo governo federal”, afirmou.

Na avaliação do deputado, não existem evidências de repasses federais sendo negados de forma irregular ao Estado de Goiás. “Todas as vezes que houve confronto de contas do Estado com o governo federal, não existe nenhum tipo de repasse que está sendo indevidamente feito”, declarou.

Gomide ressaltou que existem instâncias institucionais responsáveis por acompanhar e cobrar a regularidade desses recursos. “O Estado tem toda autonomia, tem os órgãos competentes como os conselhos nacionais, o Conselho Nacional de Saúde, como os conselhos nacionais das secretarias dos estados. Quer dizer, tem órgãos para poder cobrar e realmente fazer com que tenha regularidade não só na transferência, mas também em quais serão as transferências”, disse.

O deputado avaliou que a discussão sobre recursos da saúde deve ocorrer dentro da relação institucional entre os governos estadual e federal. “Esse é o tipo de assunto que deve ser tratado dentro da gestão. Nós temos um governo federal, nós temos um governo estadual e não tenho dúvida de que não existe nenhum tipo de tratamento inadequado ou qualquer retaliação que possa acontecer”, afirmou.

Ao defender a atuação da União na área da saúde, Gomide citou investimentos em andamento em Anápolis. “Se tem alguém que tem feito obras nos municípios aqui no Estado de Goiás em relação à saúde, é o governo federal. Eu vou dar um exemplo na cidade de Anápolis. Nós temos lá três unidades básicas de saúde sendo construídas e uma policlínica sendo construída”, declarou.

O parlamentar também comparou os investimentos federais e estaduais na cidade. “O Estado não construiu nenhuma unidade, não construiu um hospital, não construiu uma policlínica. Ou seja, se for olhar a questão de repasse, aquilo que realmente oferece ao município, o governo federal oferece muito mais daquilo que o Estado oferece aos municípios”, disse.

A previsão de suplementação orçamentária para a saúde em 2027 também foi alvo de críticas por parte do deputado. Segundo ele, a necessidade já admitida pela própria Secretaria deveria estar refletida no orçamento enviado à Assembleia. “Eu quero que o secretário coloque com clareza que será feita suplementação. Ele disse que vamos aprovando isso aqui, mas vamos nos adequar dentro do ano. Isso é gestão. Eu particularmente acho um equívoco”, afirmou.

Leia também:

Mobilização busca espaço para Museu Attilio Corrêa e Armando de Godoy no TCM-GO; presidente do órgão analisa pedido com arquitetos

Goiás projeta ganho de US$ 208 mi ao ano em exportações e incremento de até 26% na indústria com acordo entre Mercosul e a UE; veja estudo inédito

LOA 2027 estima orçamento de R$ 54,31 bi em Goiás; proposta prevê R$ 573,9 mi para emendas parlamentares

O post Saúde de Goiás prevê suplementação de R$ 919,3 milhões para 2027; oposição questiona orçamento apareceu primeiro em Jornal Opção.

Fonte: www.jornalopcao.com.br