O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu nesta quarta-feira, 4, que a guerra contra o Irã contribuiu para a derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. Apesar disso, o republicano afirmou que repetiria os ataques ao país do Oriente Médio, sob a justificativa de impedir o desenvolvimento de armas nucleares pelo governo iraniano.
A declaração foi dada durante uma conversa com jornalistas na Casa Branca, na primeira aparição pública do presidente após a vitória dos democratas, que conquistaram a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado americano.
Trump concordou com a avaliação de seu vice-presidente, J.D. Vance, de que o conflito militar teve impacto negativo sobre o desempenho eleitoral dos republicanos, principalmente por provocar o aumento dos preços dos combustíveis.
“Bem, acho que isso é em grande parte verdade, porque fez a gasolina subir um pouco no curto prazo, e provavelmente é verdade. Mas, ao mesmo tempo, se eu tivesse que fazer de novo, eu teria que fazer de novo, porque, a longo prazo, é a única resposta. Não se pode deixar o Irã ter uma arma nuclear”, declarou.
Questionado se considerava que a ofensiva militar havia valido a pena, o presidente voltou a defender a decisão e afirmou que não havia outra alternativa para impedir o avanço do programa nuclear iraniano.
“Não há escolha. Tem que ser feito. Não se pode deixar o Irã ter uma arma nuclear, ou tudo o que vocês veem aqui pode, um dia, deixar de existir”, acrescentou.
Guerra elevou custo de vida dos americanos
Iniciada em 28 de fevereiro, a guerra conduzida pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã provocou consequências econômicas que passaram a afetar diretamente a população americana. Entre os principais impactos estão a elevação dos preços dos combustíveis, o encarecimento das passagens aéreas e o aumento das pressões inflacionárias.
Estimativas atribuídas a fontes do Pentágono indicam que o conflito pode ter custado até US$ 100 bilhões aos cofres americanos, aproximadamente R$ 508 bilhões.
O impacto econômico também apareceu nas preocupações dos eleitores. Uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada na véspera das eleições mostrou que 48% dos entrevistados apontaram o custo de vida como a principal questão considerada na hora de votar.
O levantamento também revelou resistência à ofensiva militar. Apenas 25% dos entrevistados avaliaram que a guerra justificava seus custos, enquanto 55% consideraram que não. Outros 18% disseram estar indecisos.
Embora Trump tenha afirmado inicialmente que o conflito terminaria rapidamente, os confrontos continuaram ao longo dos meses, mesmo após tentativas frustradas de estabelecer um cessar-fogo.
Na segunda-feira (2), os Estados Unidos teriam realizado um novo ataque contra a ilha iraniana de Qeshm. A informação foi divulgada pelo jornal The Wall Street Journal, com base em relatos de autoridades americanas.
Trump ameaça usar poder de veto contra democratas
Com a perda do controle das duas Casas do Congresso, Trump terá de lidar com uma maioria de oposição durante a segunda metade de seu mandato presidencial.
Apesar da derrota republicana, o presidente afirmou acreditar que poderá estabelecer uma relação de negociação com os democratas. Entretanto, deixou claro que pretende utilizar seu poder de veto caso discorde das propostas aprovadas pelo Legislativo.
“Provavelmente vou me dar bem com os democratas, a menos que queiram ser destrutivos, mas nós temos poder de veto. Então, se não gostarmos do que estão fazendo…”, afirmou.
Segundo Trump, representantes democratas já procuraram a Casa Branca para iniciar conversas sobre a nova composição política do país.
Antes mesmo da votação, o presidente havia antecipado que poderia recorrer frequentemente ao veto presidencial caso os adversários conquistassem a maioria no Congresso.
Em entrevista ao podcast Pod Force One, do jornal New York Post, Trump chegou a afirmar que se tornaria o “Sr. Veto”.
“Eles vão enviar algumas coisas. Você veta. E, eventualmente, depois de um ou dois meses sendo vetados, eles só estão perdendo tempo, vêm até nós e fazemos um acordo”, declarou na ocasião.
Após os primeiros resultados desfavoráveis aos republicanos, Trump também publicou nas redes sociais a imagem de um boné vermelho com a palavra “veto”, em referência ao instrumento constitucional que poderá utilizar para barrar projetos aprovados pelos democratas.
Presidente afirma que venceria se estivesse na disputa
Durante a conversa com jornalistas, Trump também minimizou o impacto pessoal da derrota republicana e voltou a afirmar que teria vencido caso seu nome estivesse nas cédulas eleitorais.
Para sustentar o argumento, citou a participação de apoiadores nos comícios realizados durante o período eleitoral.
“Vocês viram as pessoas lotando os comícios, milhares e milhares de pessoas em todos os comícios”, disse.
As declarações ocorreram durante uma visita ao canteiro de obras de um novo salão de baile da Casa Branca. Segundo a Reuters, o presidente convocou jornalistas para acompanhar a instalação da última viga de aço da estrutura, que havia sido assinada pelos trabalhadores.
Trump também deixou sua assinatura na peça e elogiou o projeto arquitetônico.
A manifestação ocorreu em um momento de reorganização do cenário político americano. Com a maioria democrata no Congresso, o governo republicano deverá enfrentar maior resistência legislativa, enquanto os efeitos econômicos da guerra contra o Irã continuam entre os principais desafios da administração presidencial.
Leia também: Saúde de Goiás prevê suplementação de R$ 919,3 milhões para 2027; oposição questiona orçamento
O post Trump culpa guerra no Irã por derrota republicana, mas diz que repetiria ataques apareceu primeiro em Jornal Opção.
Fonte: www.jornalopcao.com.br

