VÍDEO: Promotor critica estratégia da defesa de Carlinhos Bezerra: “arranha a imagem do Tribunal”

TJMT

 Vinícius Gahyva

O promotor de Justiça Vinícius Gahyva criticou a estratégia da defesa de Carlinhos Bezerra de abandonar a sessão do Tribunal do Júri nesta terça-feira, 21 de julho, e afirmou que a medida tem como objetivo atrasar o julgamento do acusado pelo assassinato da ex-companheira Thays Machado e do namorado dela, William Moreno.

Segundo Gahyva, esse tipo de estratégia tem se tornado frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente em casos de grande repercussão.

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“Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente no julgamento que aflige de forma intensa o interesse da coletividade, como é um caso concreto de um feminicídio, um homicídio, de dois jovens, duas pessoas que efetivamente traduzem a necessidade de nos firmarmos um papel social de não banalização da vida humana e nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, disse. 

“São estratégias, assim, lamentáveis, que estão fora do nosso modo de ver, do direito à plenitude de defesa e que traduzem um mecanismo pelo qual arranha a imagem do Tribunal do Júri”, destacou. 

Questionado se a defesa poderá continuar atuando no próximo julgamento, remarcado para o dia 31 de julho, o promotor pontuou que os advogados de confiança do réu deverão comparecer à nova sessão, mas, caso não participem ou abandonem novamente o plenário, a Defensoria Pública poderá ser acionada para garantir a realização do julgamento

Gahyva destacou que a defesa já tentou suspender o julgamento por meio de habeas corpus e que os argumentos apresentados não justificavam o adiamento. “Ontem, ainda ontem, impetraram um HC, um HC do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, tiveram que eliminar a alegada e não havia razão para não proceder”. 

Segundo o promotor, uma das alegações apresentadas pela defesa envolvia suposta quebra de cadeia de custódia relacionada aos registros de comunicações telefônicas.

“A alegação que foi feita é uma alegação de quebra, de suposta quebra de cadeia de custódia e desconsiderando, evidentemente, as chamadas horários de registros das comunicações telefônicas, que é objeto técnico, na realidade há um delay de horários e essa alegação deles evidentemente não se comporta, além de que vem desprovida em absoluto de prova”, ressaltou. 

“No mais, as outras matérias todas já foram analisadas, estão todas preclusas, já foram levadas a conhecimento de tribunais superiores, de maneira tal que não haveria razão para a redesignação do julgamento, não fosse o interesse de retardá-lo para mais algum tempo”, completou. 

Gahyva ainda criticou o fato de a defesa ter publicado informações em redes sociais relacionadas às vítimas. “Eu verifiquei que a Defesa andou publicando algumas matérias em redes sociais, dizendo que apuraram, através dos documentos que eles analisaram, questões que atingem a imagem das vítimas, e isso evidentemente não interessa ao processo”, afirmou. 

“Vítima de um crime de homicídio é vítima de qualquer maneira. Tem pessoas que efetivamente gozam da amizade, do amor, do respeito, vítimas indiretas, seus pais, filhos, irmãos, pessoas que amargam e amargarão o sofrimento da perda desse querido durante o resto da sua existência”.

O representante do Ministério Público concluiu dizendo que espera que o julgamento ocorra na nova data marcada e criticou a tentativa de retirar o caso de Cuiabá.

“Esperamos que no dia 31, agora do mês de julho, tenhamos o julgamento desse caso, como disse, interessa toda a sociedade, muito embora já se tenha inclusive tentado retirar da sociedade guiabana o julgamento desse processo para levar, sob uma tese inovadora, até para um outro estado, o que me parece não seja razoável. Onde o crime ocorreu é que deve ser julgado e é aquela sociedade que aflige a morte do sangue derramado de mais um cidadão guiabano, dois cidadãos guiabanos, que deve julgar a causa concreta. É o povo no tribunal do júri”, finalizou. 



Estadão MT