Delegada é acusada de vigiar e fotografar casa de delegado e advogada após briga

Fonte: Daffiny Delgado. Repórter | Estadão Mato Grosso

A delegada de Polícia Civil Angelina de Andrade Ferreira é acusada de perseguir, vigiar e fotografar a residência da advogada Silvana Alves de Souza e de seu companheiro, o delegado Bruno Sérgio Magalhães Abreu, no Condomínio Pérola Rara, no bairro Morada do Ouro, em Cuiabá. As denúncias constam de uma ação judicial protocolada na quarta-feira, 7 de outubro, no 2º Juizado Especial Cível da Capital, que pede indenização de R$ 64,8 mil por danos morais.

Segundo a petição, Angelina teria passado a monitorar a movimentação da casa dos vizinhos, inclusive em horários de descanso, fotografando e observando o imóvel. Os autores classificam a conduta como perseguição e intimidação, alegando que os episódios comprometeram a tranquilidade e a privacidade da família. Registros audiovisuais e boletins de ocorrência foram apresentados à Justiça para sustentar as acusações.

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O conflito começou com reclamações sobre o barulho provocado por araras mantidas na residência de Angelina. De acordo com os autores, as aves emitiam gritos intensos durante a madrugada e nas primeiras horas da manhã, prejudicando o descanso de moradores. Após uma retirada temporária dos animais, em abril, as araras retornaram ao condomínio em julho, reacendendo a disputa.

A situação ganhou novos contornos em agosto, quando o advogado Reinaldo Américo Ortigara, também incluído na ação, se envolveu em uma discussão no grupo de WhatsApp dos moradores. Segundo a petição, ele teria dirigido ofensas e mensagens intimidatórias à advogada Silvana, episódio que resultou em um procedimento judicial anterior e na concessão de medidas protetivas.

Os autores afirmam que, mesmo após a repercussão do caso, os episódios de vigilância e os transtornos envolvendo as araras continuaram, motivando o ingresso da nova ação cível.

Na ação, Silvana e Bruno pedem que Angelina seja obrigada a acabar com a perturbação sonora em até 24 horas, inclusive com a retirada das araras, caso necessário. O casal também solicita que os dois réus sejam proibidos de vigiar, fotografar ou filmar a residência, além de permanecer em determinadas áreas comuns próximas ao imóvel, respeitando distância mínima de dois metros, com as ressalvas previstas no pedido.

Para garantir o cumprimento das medidas, os autores requerem multa diária de R$ 10 mil pelo descumprimento da ordem relacionada ao barulho e multa de R$ 10 mil por ocorrência de vigilância ou aproximação proibida, caso as restrições sejam determinadas pela Justiça. Também pedem indenização de R$ 32.420 para cada um, totalizando R$ 64.840.

Em manifestações apresentadas no procedimento anterior, Angelina e Reinaldo contestaram as acusações e sustentaram que o caso envolve um conflito de vizinhança. A nova ação ainda depende de análise judicial dos pedidos, e uma audiência de conciliação está marcada para 2 de dezembro.