ADVOGADO PRESO: CV condenou jovem à morte em tribunal do crime após suspeitar que ele era “X9”

O delegado Michael Paes, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá, revelou nesta quarta-feira, 14 de outubro, que Gabriel Martins Pereira, de 25 anos, foi morto em um tribunal do crime do Comando Vermelho (CV) após integrantes da facção acreditarem que ele era um “X9”.

Gabriel foi assassinado na madrugada de 8 de novembro de 2024, no bairro Recanto da Siriema, em Cuiabá. Antes do crime, ele havia sido conduzido à Central de Flagrantes pela Polícia Militar, mas acabou liberado por falta de elementos que justificassem sua prisão.

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Conforme Michael Paes, o jovem deixou a unidade acompanhado de um advogado e de outro integrante da facção. Durante o trajeto, o grupo buscou outros dois criminosos e seguiu até uma estrada vicinal, onde ocorreu o homicídio.

“A facção entendeu e acreditou que ele tinha delatado para as forças de segurança. O fato é que a investigação não concluiu dessa forma. A gente acha que nem foi ele. Foi um mérito da Polícia Militar que localizou essa droga”, explicou o delegado.

Segundo a DHPP, Gabriel foi submetido a tortura antes de ser executado com 16 disparos de arma de fogo e 15 golpes de faca. Para os investigadores, a violência empregada tinha como objetivo transformar a morte em um exemplo para intimidar moradores da região e impor a lei do silêncio da organização criminosa.

“A facção entendeu que era importante, acreditando que ele tinha delatado essa droga, fazer com que ele fosse um exemplo”, afirmou Michael Paes.
Advogado preso como suspeito de participação no crime

Após quase dois anos de investigação, a Polícia Civil deflagrou a Operação Silenciar, que resultou na prisão do advogado Ênio Martimiano da Cunha Júnior, apontado como coautor do homicídio e suspeito de colaborar com a organização criminosa.

De acordo com o delegado, o advogado teria acompanhado a vítima desde a Central de Flagrantes e participado diretamente dos acontecimentos que terminaram na execução. A investigação reuniu elementos técnicos que, segundo a DHPP, comprovam a presença dos quatro investigados no local do crime.

“A investigação acabou deixando claro que, nesse caso específico, ele agiu como coautor, participa desse crime de homicídio”, declarou Michael Paes, ressaltando que a situação é excepcional e não representa a advocacia ou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Também foram alvos de mandados Geison dos Santos Nascimento, conhecido como “Todynho” ou “Americano”, apontado como motorista do veículo utilizado no crime e responsável pelo uso da faca, e João Paulo Corbelino Costa. Ambos já estavam presos por outros crimes.

O quarto investigado, Gleison Corrêa dos Santos, identificado como responsável pela disciplina da facção na época, permanece foragido.
Michael Paes destacou que a investigação identificou a atuação dos quatro suspeitos e apontou indícios de participação conjunta no assassinato.

“Ficou muito claro na investigação que os quatro indivíduos estavam no local. A gente tem dados técnicos que comprovam isso”, afirmou.

Os quatro foram indiciados, e a Justiça decretou suas prisões preventivas. A investigação foi concluída pela DHPP, mas a responsabilidade criminal dos envolvidos ainda depende de decisão judicial definitiva.

Daffiny Delgado. Repórter | Estadão Mato Grosso