O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), articula nos bastidores a obtenção de votos suficientes no Senado Federal para aprovar o projeto que determina o fim da escala de trabalho 6×1. Segundo levantamento de aliados do parlamentar, a proposta tem perspectivas reais de aval da Casa e deverá contar, inclusive, com o apoio de nomes expressivos da direita, como o senador e governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho (Republicanos).
A pauta de forte impacto social ganhou tração política após ter sido aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, em votação expressiva. A discussão, no entanto, encontra resistência entre lideranças alinhadas ao setor produtivo e ao empresariado.
O reflexo em Mato Grosso e a resistência de Mauro Mendes
Em Mato Grosso, o debate sobre o fim da escala 6×1 ganha um peso forte com a chegada dos novos representantes à Casa Alta. Recém-eleito senador pelo estado com mais de 1,18 milhão de votos, Mauro Mendes (União) já se posicionou de forma frontalmente contrária à proposta e deu o tom de como pretende atuar no Senado a partir de 2027.
Em entrevista logo após o pleito, Mendes criticou o avanço da medida e argumentou que mudanças nas regras de trabalho sem profundidade podem ser graves para o país. Defensor de um modelo de maior liberdade econômica e flexibilização, o ex-governador comparou a situação brasileira com a rotina de imigrantes nos Estados Unidos:
“Lá nos Estados Unidos nós temos milhares e milhares de brasileiros que fogem daqui, entram clandestinamente para trabalhar 12, 14, 16 horas por dia, e ganham muito mais por isso, e têm uma qualidade de vida melhor”, declarou, criticando o fato de que no Brasil uma jornada estendida pode gerar processos trabalhistas severos contra as empresas.
Para o futuro senador, o Estado não precisa manter leis rígidas de proteção paternalista, apostando que a tecnologia e a informação dão autonomia para os trabalhadores se autotutelarem, desde que haja incentivo para produzir e ganhar mais. A postura de Mendes antecipa o forte embate que a bancada conservadora mato-grossense promete travar contra a pauta no Senado.
O acordo político e a disputa presidencial
A decisão de Alcolumbre de manter o compromisso de pautar a medida no plenário decorre de articulações políticas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O chefe do Executivo aposta na aprovação da pauta trabalhista como um eixo estratégico de contraste direto com a oposição, mirando especialmente o grupo de Flávio Bolsonaro, que adota postura crítica ao fim obrigatório do modelo.
Por outro lado, a campanha oposicionista avalia que o impacto eleitoral da medida já se encontra precificado no debate público, minimizando possíveis danos políticos. A leitura nos bastidores do PL é de que a defesa de caminhos alternativos baseia-se na flexibilización das regras trabalhistas através da livre negociação direta entre empregadores e empregados.
Consequências para a sucessão no Senado
A movimentação de Alcolumbre também reconfigura o tabuleiro de poder interno no parlamento. Aliados de Flávio Bolsonaro apontam que o cenário deve polarizar a disputa pela futura presidência do Senado, com o grupo oposicionista articulando o nome de Rogério Marinho para o comando da Casa Alta, o que tenderia a isolar a permanência de Alcolumbre no cargo.
Enquanto as negociações avançam no plano legislativo, a pauta do fim da escala 6×1 consolida-se como um dos temas mais sensíveis da agenda econômica e social do Congresso, unindo articulação governista, pragmatismo do Centrão e o rigoroso escrutínio da bancada mato-grossense e nacional.
Fonte: cenariomt.com.br

