Alvo de operação, ex-prefeito teve aumento de R$ 16,8 milhões no patrimônio em seis anos
Alvo de uma operação do Ministério Público na manhã desta sexta-feira, 25 de setembro, o ex-prefeito de Pontes e Lacerda, Alcino Pereira Barcelos (PL), declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 19,23 milhões nas eleições de 2026, quando disputa uma vaga de deputado estadual. Em 2020, quando foi eleito prefeito, os bens declarados somavam R$ 2,415 milhões.
A diferença é de R$ 16,815 milhões em seis anos. Em termos percentuais, o patrimônio declarado passou a ser quase oito vezes maior, um aumento de aproximadamente 696%.
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Na declaração apresentada em 2020, Alcino informou possuir uma propriedade rural de 725 hectares, avaliada em R$ 1 milhão, dois terrenos avaliados em R$ 300 mil, uma caminhonete S10, ano 2016, de R$ 100 mil; além de R$ 15 mil em dinheiro e R$ 1 milhão em semoventes (algum tipo de animal, como bois).
Já na declaração apresentada para a candidatura a deputado estadual em 2026, o maior bem é uma propriedade rural de 725 hectares, denominada Fazenda Princípio, na Gleba Ritinha, em Vila Bela da Santíssima Trindade, avaliada em R$ 8 milhões.
A lista inclui ainda a Fazenda Barcelos, de 80 hectares, avaliada em R$ 4 milhões, e um imóvel rural de 261 hectares na Gleba Antonieta, em processo de aquisição. Do negócio, avaliado em R$ 7 milhões, Alcino declarou já ter pago R$ 3,13 milhões.
Também aparecem R$ 1,5 milhão em semoventes, uma propriedade rural de R$ 550 mil, uma casa em Pontes e Lacerda avaliada em R$ 500 mil, um terreno às margens da BR-174 de R$ 500 mil, outro imóvel rural de R$ 300 mil, R$ 220 mil em saldo de conta no Sicredi, dois terrenos urbanos de R$ 150 mil cada e duas caminhonetes S10, avaliadas em R$ 80 mil e R$ 150 mil.
ALVO DO NACO
Alcino é alvo de uma operação deflagrada na manhã desta sexta-feira, 25 de setembro, pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que investiga suspeitas de fraude em licitações, lavagem de dinheiro e associação criminosa envolvendo contratos firmados pela Prefeitura de Pontes e Lacerda entre 2017 e 2024.
Ao todo, foram expedidos 12 mandados de busca e apreensão, além de ordens de quebra dos sigilos bancário, fiscal e financeiro e de indisponibilidade de bens, direitos e valores. Empresários e outros agentes públicos também são investigados.
Entre os fatos apurados está a suspeita de que Alcino tenha usado recursos de origem ilícita para adquirir uma propriedade rural durante o período em que contratos milionários eram firmados pela Prefeitura com uma empresa investigada por possíveis fraudes.
De acordo com as investigações, a propriedade denominada Estância Rancho Fundo I teria sido adquirida por Alcino mediante o pagamento de 100 cabeças de gado da raça Nelore. Segundo o Naco, porém, não foram encontrados registros oficiais de movimentação pecuária compatíveis com a transação.
O MPMT também apura possíveis irregularidades em contratos firmados entre a Prefeitura e a empresa Concretubos Pré-Moldados Ltda. Conforme o Naco, há indícios de favorecimento da empresa nas contratações.
Ao todo, foram identificados sete contratos entre a empresa e a administração municipal. Cinco deles foram celebrados entre 2022 e 2023 e somaram aproximadamente R$ 4,7 milhões. Com atualização monetária, o valor chega a R$ 5,78 milhões.

