A deputada federal eleita Ana Elisa, do Partido dos Trabalhadores (PT), deverá receber proteção após sofrer ameaças de morte e estupro nas redes sociais. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) solicitou providências ao Programa Estadual de Proteção de Minas Gerais para avaliar os riscos e garantir a integridade da futura parlamentar.
Os ataques ganharam intensidade após o primeiro turno das eleições, realizado no domingo (4). Ana Elisa relatou que já recebia ameaças anteriormente, mas afirmou que a situação se agravou com a circulação de notícias falsas. Diante da escalada das intimidações, ela manifestou temor pela própria vida.
Ameaças levaram à desativação de conta
Em relato divulgado após os ataques, a deputada eleita afirmou que sua equipe decidiu desativar sua conta no X, antigo Twitter, diante da frequência das mensagens ameaçadoras. Segundo ela, as intimidações incluíam ameaças de morte e violência sexual, recebidas em intervalos muito curtos.
“Estou sofrendo mais ameaças de morte. Acredito que ninguém mereça ser ameaçado de morte por estar politicamente engajado. O debate político, para mim, nunca foi sobre isso”, declarou Ana Elisa.
A parlamentar também afirmou que não contava, naquele momento, com uma estrutura de segurança específica para enfrentar a situação. O relato evidencia a gravidade das ameaças e a necessidade de avaliar medidas de proteção compatíveis com os riscos identificados.
Ministério solicita avaliação de risco
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania informou que o acompanhamento do caso será realizado pelo Programa Estadual de Proteção de Minas Gerais, em conjunto com o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas.
Entre as providências solicitadas à Secretaria de Desenvolvimento Social de Minas Gerais, responsável pelo programa estadual, estão a elaboração de uma análise de risco, a articulação com órgãos de inteligência policial e a adoção de medidas para investigar as ameaças e identificar os responsáveis.
A pasta não divulgou detalhes sobre as ações de proteção que poderão ser adotadas. Segundo o ministério, a restrição de informações busca preservar a segurança e a integridade da deputada federal eleita.
Investigação busca identificar responsáveis
A apuração das ameaças depende da atuação dos órgãos competentes para verificar as intimidações relatadas e buscar elementos que permitam identificar seus autores. A avaliação de risco também deverá contribuir para definir as medidas de proteção adequadas ao caso.
Até a divulgação das informações utilizadas nesta reportagem, não havia posicionamento da Secretaria de Desenvolvimento Social de Minas Gerais nem do Ministério Público de Minas Gerais sobre o caso. Também não foram apresentados detalhes públicos sobre a identificação dos suspeitos ou sobre eventuais procedimentos investigativos em andamento.
Quem é Ana Elisa
Ana Elisa tem 21 anos, nasceu em Divinópolis, no interior de Minas Gerais, e cursa Direito. Antes de ser eleita para a Câmara dos Deputados, trabalhava como estagiária no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais.
Nas eleições, recebeu mais de 524 mil votos e foi a segunda candidata a deputada federal mais votada no estado. O resultado também a tornou a mulher mais votada da história de Minas Gerais para a Câmara dos Deputados e a pessoa mais jovem eleita para o cargo de deputada federal no Brasil.
As informações sobre as ameaças, as providências solicitadas pelo ministério e a trajetória eleitoral da parlamentar foram divulgadas pela Agência Brasil, responsável pela apuração original dos dados utilizados nesta reportagem.
Fonte: cenariomt.com.br

