Ataque, fuga e sumiço: Polícia tenta decifrar sequência de crimes

PJC



A principal questão que a investigação terá de esclarecer é se os episódios fazem parte de uma mesma cadeia de crimes e possíveis retaliações

Uma sequência de desaparecimento, sequestro, morte, acusações disseminadas pelas redes sociais e um ataque a tiros passou a ser investigada pela Polícia Civil, em Várzea Grande (área metropolitana de Cuiabá).

No centro do episódio mais recente, está Hebert Felipe de Almeida Vieira, de 36 anos, que escapou de homens armados dentro de um hotel e, desde então, não foi mais localizado.

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A principal questão que a investigação terá de esclarecer é se os episódios fazem parte de uma mesma cadeia de crimes e possíveis retaliações.

Ou se foram relacionados apenas por informações ainda não comprovadas, que passaram a circular em grupos de WhatsApp.

Hebert havia informado à família que sairia de Diamantino (208 km a Médio-Norte de Cuiabá) com destino a Várzea Grande e deveria chegar à cidade no dia 10 de agosto. Depois disso, os parentes perderam contato com ele. 

Na noite de terça-feira (11), porém, ele estava hospedado no Hotel Marion Pantanal, no bairro Jardim Mundo Novo, quando três homens armados chegaram ao estabelecimento em um veículo sedan.

Segundo a Polícia Militar, os homens desembarcaram e fizeram vários disparos contra Hebert. Ele conseguiu escapar sem ser atingido.

Os tiros acertaram estruturas do hotel e provocaram danos no hall. Os autores fugiram sem ser identificados. 

O que aconteceu com Hebert depois de ele deixar o hotel é uma das lacunas que a Polícia Civil tenta esclarecer.

A família só tomou conhecimento do ataque posteriormente, por meio de uma reportagem.

Os parentes procuraram o hotel, mas foram informados de que não havia notícias sobre o paradeiro dele, depois da invasão. 

O desaparecimento foi então comunicado à Polícia Civil, e o Núcleo de Pessoas Desaparecidas (NPD) iniciou buscas.

OUTRO CRIME — O caso ganhou uma dimensão mais complexa porque, paralelamente ao ataque, começaram a circular mensagens que tentavam relacionar Hebert a outro episódio violento ocorrido em Várzea Grande: o sequestro, tortura e morte de Wellington Eduardo da Costa, 34 anos.

De acordo com as informações reunidas pela Polícia após o ataque ao hotel, denúncias anônimas e mensagens compartilhadas em grupos de WhatsApp apontavam Hebert como suposto autor ou participante de crimes contra integrantes de grupos criminosos.

As mesmas mensagens o associavam ao caso de Wellington. 

Essa relação, entretanto, não havia sido confirmada oficialmente pela Polícia Civil, e Hebert negou envolvimento nos crimes. 

Por isso, a investigação trabalha diante de duas linhas de informação que precisam ser mantidas separadas: de um lado estão fatos registrados oficialmente — o desaparecimento, o ataque armado no hotel e a morte de Wellington —; de outro, estão acusações difundidas em aplicativos de mensagens cuja veracidade ainda precisa ser estabelecida.

SEQUÊNCIA — A cronologia dos acontecimentos é um dos elementos que chamam a atenção dos investigadores.

Wellington desapareceu e posteriormente foi vítima de sequestro, tortura e morte.

Depois, passaram a circular mensagens relacionando Hebert ao crime.

Na noite de terça-feira, homens armados invadiram o hotel onde Hebert estava hospedado e tentaram matá-lo. Ele escapou dos disparos e, posteriormente, deixou de ser localizado.

O boletim policial registra que Wellington Eduardo foi encontrado decapitado em Várzea Grande. 

Até agora, porém, não há nos documentos disponíveis confirmação policial de que o assassinato de Wellington, o ataque contra Hebert e o posterior desaparecimento sejam ações de uma mesma organização criminosa ou etapas de uma sequência de vingança.

É justamente essa conexão que precisa ser esclarecida pela investigação.

GUERRA DE INFORMAÇÕES — A circulação de acusações em grupos de mensagens acrescenta outro componente ao caso.

Antes mesmo de uma conclusão policial, versões sobre autoria e participação em crimes passam a identificar pessoas e podem, em tese, alimentar represálias.

No caso de Hebert, a própria ocorrência do ataque registra a existência dessas mensagens, mas não valida seu conteúdo.

A distinção é fundamental: há confirmação de que as acusações circularam, mas não de que as acusações sejam verdadeiras.

A Polícia Civil realiza diligências para localizar Hebert e avançar na identificação dos homens que participaram do ataque.

A SEQUÊNCIA SOB INVESTIGAÇÃO

10 DE AGOSTO
Hebert deveria chegar a Várzea Grande, após sair de Diamantino. A família perde contato com ele.

CASO WELLINGTON
Wellington Eduardo da Costa é sequestrado, torturado e morto em Várzea Grande.

MENSAGENS CIRCULAM
Grupos de WhatsApp passam a relacionar Hebert ao crime. Não há confirmação oficial dessa participação, e ele negou envolvimento.

11 DE AGOSTO — ATAQUE
Três homens armados invadem o hotel onde Hebert está hospedado e efetuam vários disparos.

FUGA
Hebert consegue escapar sem ser atingido.

DESAPARECIMENTO
Depois do ataque, seu paradeiro torna-se desconhecido. A família comunica o desaparecimento e a Polícia Civil inicia buscas.

O QUE FALTA SABER
A investigação precisa determinar quem tentou matar Hebert, onde ele está e, principalmente, se o ataque e o desaparecimento têm alguma relação comprovada com a morte de Wellington.



Diário de Cuiabá