Calor que mata | Diario de Cuiabá
Estamos em pleno inverno, mas o calor, as altas temperaturas, continuam presentes em nossa rotina.
O calor, portanto, é tema de debate não importa qual seja a estação do ano, especialmente em Mato Grosso.
Por conta do fenômeno El Ninõ, temos previsão de um inverno de mais quente em todo o Brasil.
É que “O Menino”, tradução da denominação do nome espanhol, se caracteriza pelo aquecimento da região equatorial do Oceano Pacífico.
Se o inverno será quente em todo país, o que esperar de Mato Grosso?
A semana que se finda, por mais amena que tenham sido nossas noites, alcançamos níveis de Verão.
Tivemos dias de verão, com 34 e até 35°C.
Na próxima semana, a partir da sexta-feira, dia 10, a previsão é de dias tão ou mais quentes.
O sol será escaldante, com emissão de raios que ardem e queimam sem piedade.
Com tudo isso acontecendo, ainda tem muita gente que está certa de que a terra é plana e não acredita em aquecimento global
O astro rei estará lindo, brilhando o dia todo, até se pôr no horizonte pleno, belo e quase inocente da crueldade praticada.
Neste fim de semana, sábado e domingo, o frio pode dar o ar da graça, mas não vai durar muito.
Mas, até 22 de setembro, fim do inverno, os termômetros vão marcar mais dias de temperaturas altas e umidade baixa do que frio.
Pode ser que, mais uma vez, nem percebamos o inverno com uma estação do ano que teria duração de três meses.
Então, é importante que tenhamos consciência sobre os riscos aos quais estamos expostos se não tomarmos alguns cuidados.
Se bem lembramos, nessa época do ano temos queimadas, mesmo sendo um período proibitivo.
Além de proibida, queimada é um crime sujeito à prisão
.Mas, assim como todos os crimes, esse é um dos que são habitualmente infringidos.
É por isso que todos os anos vivemos tragédias no campo, com destruição da vegetação e mortes de animais.
E nas áreas urbanas, a combinação de fumaça, baixa umidade relativa do ar e calor, superlotam os hospitais.
Esta semana, por mais que conheçamos os riscos, surpreendi-me com os dados de uma pesquisa sobre saúde coletiva.
Intitulada “Saúde e ondas de calor do Brasil: evidências sobre mortalidade, morbidade hospitalar e implicações para o SUS”, ela nos assusta.
Desenvolvida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a pesquisa atribuiu ao calor, 2.122 mil mortes ocorridas em Mato Grosso, nos últimos 20 anos.
Na Europa, onde agora é verão, a população está vivendo uma onda de temperaturas altas extremas.
Nesta semana, a Polônia, no Leste do Estado de Brandemburgo, registrou 41,7°C.
Na República Tcheca, em Doksany, ao Norte de Praga, os termômetros chegaram a registrar 41,1°C.
A Organização Mundial de Saúde(OMS) informou que mais de 1.300 mortes associadas à alta temperatura já ocorreram neste ano desde o início do Verão, 21 junho.
Mortes, especialmente de pessoas com idade acima dos 60 anos e alguma doença associada.
Alguém saberia dizer o que está acontecendo com o clima no planeta?
Com tudo isso acontecendo, ainda tem muita gente que está certa de que a terra é plana e não acredita em aquecimento global.
ALECY ALVES é jornalista e bacharel em Serviço Social.

