Contrafogo irregular pode ter agravado incêndio no Morro



Incêndio no Morro de Santo Antônio

O uso irregular do fogo por proprietários de áreas próximas ao Monumento Natural Estadual Morro de Santo Antônio pode ter contribuído para a propagação do incêndio florestal que atinge a região desde segunda-feira (31), em Santo Antônio de Leverger (35 km ao Sul de Cuiabá). O Corpo de Bombeiros identificou pessoas utilizando a técnica do contrafogo na tentativa de impedir que as chamas alcançassem suas propriedades.

 

A prática, realizada sem controle técnico, somou-se às condições climáticas desfavoráveis, como calor intenso e ventos fortes, e teria dificultado o trabalho das equipes de combate.

 

INFO Incêndio no Morro de Santo Antônio

 

“Devido às condições climáticas, como muito calor e muito vento, também conseguimos detectar lá o uso ilegal do fogo. Detectamos proprietários realizando a técnica do contrafogo no desespero para proteger a sua propriedade, mas acabando dificultando e piorando a situação. Todos esses fatores se somaram, com o incêndio evoluindo rapidamente”, afirmou o tenente-coronel BM Heitor Alves de Souza, comandante do Batalhão de Emergências Ambientais (BEA).

 

O contrafogo é uma técnica utilizada no combate a incêndios florestais que consiste no emprego planejado do fogo para consumir previamente a vegetação que poderia servir de combustível para o avanço das chamas.

 

A operação, porém, exige planejamento, pessoal capacitado e avaliação de fatores como direção e intensidade do vento, relevo, vegetação e comportamento do incêndio. Sem essas condições, o fogo utilizado para criar uma barreira pode escapar do controle e abrir uma nova frente de incêndio.

 

CINCO EQUIPES – O incêndio no Morro de Santo Antônio foi identificado após o sistema de monitoramento por satélite detectar focos de calor na região. Equipes foram deslocadas para realizar o reconhecimento da área e iniciar o combate.

 

Inicialmente, o Corpo de Bombeiros mobilizou efetivo terrestre e buscou apoio aéreo. Nesta terça-feira (1º), cinco equipes estavam distribuídas em pontos estratégicos da região atingida. O incêndio permanecia ativo até o início da tarde.

 

Três aeronaves do Grupo de Aviação Bombeiro Militar (GAvBM) e da Defesa Civil Estadual também passaram a atuar na ocorrência.

 

O objetivo é atacar diferentes frentes simultaneamente, conter o avanço das chamas e impedir que o fogo alcance trechos ainda preservados do monumento natural e propriedades próximas.

 

A gerência da unidade de conservação acompanha os trabalhos em conjunto com as equipes de emergência. O BEA mantém o monitoramento do comportamento das chamas para definir as estratégias utilizadas em cada trecho.

 

Até o fechamento desta edição, não havia informação sobre a extensão da área queimada nem confirmação da causa inicial do incêndio. Também não havia balanço sobre imóveis, estruturas ou propriedades rurais eventualmente atingidos ou ameaçados.

 

RESTRIÇÃO AÉREA – O combate enfrentou uma dificuldade adicional no primeiro dia. Na segunda-feira, os bombeiros buscaram ampliar a operação com apoio de aeronave, mas os voos em baixa altitude não foram autorizados naquele momento em razão das restrições operacionais relacionadas ao tráfego aéreo do Aeroporto Internacional Marechal Rondon.

 

Com a autorização e a definição das condições de segurança no dia seguinte, as aeronaves passaram a atuar diretamente no incêndio em conjunto com as equipes em terra.

 

“O reforço permite atacar as frentes de fogo em diferentes pontos e ampliar a capacidade de contenção do incêndio”, informou o Corpo de Bombeiros.

 

MUNICÍPIO ESTÁ EM EMERGÊNCIA – O incêndio no Morro de Santo Antônio ocorre cerca de uma semana depois de a prefeita de Santo Antônio de Leverger, Francieli Magalhães (Podemos), decretar situação de emergência nas áreas atingidas por incêndios florestais no município.

 

O Decreto nº 041/2026 estabeleceu situação de emergência por 90 dias, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período.

 

No documento, a Prefeitura informa não possuir recursos financeiros e materiais suficientes para atender às famílias afetadas e aponta a necessidade de apoio do Governo do Estado. A medida foi fundamentada em parecer técnico da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil.

 

Antes da ocorrência no Morro de Santo Antônio, incêndios já haviam atingido as comunidades de Varginha e Altos do Leverger, a Fazenda Experimental da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o Parque Estadual Águas Quentes e outras áreas rurais do município.

 

FOGO ATINGE OUTROS MUNICÍPIOS – O problema não está restrito a Santo Antônio de Leverger. Equipes do Corpo de Bombeiros atuaram no combate a 18 incêndios florestais registrados em diferentes municípios de Mato Grosso.

 

Entre as cidades com ocorrências estão Água Boa, Alto Araguaia, Nossa Senhora do Livramento, Barra do Garças, Paranatinga, Nova Brasilândia, Barão de Melgaço, Matupá, Itiquira, Rosário Oeste, Várzea Grande, Nova Xavantina, Novo Mundo e Cláudia.

 

Mato Grosso está no período de proibição do uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal. A restrição vigora entre 1º de julho e 30 de novembro de 2026. Nas áreas urbanas, o uso do fogo é proibido durante todo o ano.

 

O uso irregular pode configurar crime ambiental e resultar nas penalidades previstas em lei. Ocorrências podem ser comunicadas ao Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 ou à Polícia Militar pelo 190.

 



Diário de Cuiabá