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OPINIÃO

Diversificação internacional: uma estratégia para além dos momentos de turbulência

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O ideal é que a exposição internacional seja vista como um componente permanente da estratégia de investimentos. (Foto: Imagem criada utilizando Open AI/Gazeta do Povo)

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Em períodos de maior volatilidade, é comum que o interesse por investimentos no exterior ganhe força. Oscilações no câmbio e incertezas sobre os cenários econômico e político no Brasil costumam incentivar os investidores a buscar proteção para seu patrimônio fora do país. Mas o papel dos investimentos internacionais vai além dos períodos de turbulência. Sua principal função é ampliar a diversificação da carteira.

Nesse contexto, os fundos de investimento são uma forma prática e acessível de investir em mercados globais, sem a necessidade de abrir conta em outro país, operar diretamente em bolsas estrangeiras ou acompanhar individualmente os ativos. Em julho de 2026, os fundos mantinham R$ 228 bilhões em ativos internacionais em suas carteiras, segundo dados coletados pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

Diversificar globalmente não significa tentar prever qual país ou moeda terá o melhor desempenho amanhã, mas construir uma carteira mais equilibrada

A importância da diversificação internacional é evidente quando se observa a dimensão do mercado global. Apesar da relevância da economia brasileira, o país representa apenas uma pequena parcela dos ativos negociados no mundo. Ao investir exclusivamente no mercado doméstico, o investidor abre mão de participar de setores, empresas e tendências que podem estar despontando no exterior. A exposição internacional dá acesso a essas oportunidades e reduz o risco de concentração em uma única geografia, economia ou moeda.

Nos fundos que investem no exterior, o gestor de recursos define como essas oportunidades são capturadas, selecionando os ativos que melhor se alinham aos objetivos e à política de investimento do fundo. Vale lembrar que investir no exterior não significa seguir uma estratégia única. Há fundos de renda fixa, ações, multimercados e offshore (fundos constituídos fora do Brasil, mas geridos localmente) com propostas, níveis de risco e formas de exposição aos mercados internacionais bastante distintos. Por isso, a escolha do produto pelo investidor, com base em seu perfil e em sua tolerância a riscos, importa tanto quanto a decisão de diversificar geograficamente.

Dados da Anbima mostram que, de janeiro a setembro deste ano, os fundos de ações, renda fixa e multimercados classificados como investimento no exterior registraram, em conjunto, R$ 26,7 bilhões de captação líquida. O comportamento, porém, não foi igual entre as diferentes estratégias: os fundos de ações com investimento no exterior tiveram entradas de cerca de R$ 13,2 bilhões no período, e os multimercados, de R$ 19,8 bilhões, enquanto os de renda fixa tiveram saída líquida próxima de R$ 6,3 bilhões.

Ao procurar um fundo com exposição internacional, também é importante que o investidor tenha em mente que tentar acertar o momento ideal para aplicar com base em fatores conjunturais, como a expectativa de valorização do dólar, costuma ser uma estratégia pouco eficaz. Quando a decisão de investir é guiada por esse tipo de circunstância, a diversificação internacional deixa de cumprir seu papel estratégico de longo prazo e passa a refletir uma tentativa de antecipar a reação dos mercados, algo difícil de fazer, já que as expectativas dos agentes econômicos costumam ser incorporadas aos preços dos ativos com antecedência.

Por isso, o ideal é que a exposição internacional seja vista como um componente permanente da estratégia de investimentos. Diversificar globalmente não significa tentar prever qual país ou moeda terá o melhor desempenho amanhã, mas construir uma carteira mais equilibrada e preparada para atravessar diferentes ciclos econômicos ao longo do tempo.

Soraia Barros, gerente-executiva de Fundos de Investimento da Anbima.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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Fonte: www.gazetadopovo.com.br