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“Efeito MP”: setor de apostas registra mais de 3,5 mil demissões em menos de duas semanas e culpa governo por crise

Levantamento inédito da ANJL aponta corte de 23% da força de trabalho após edição de medida provisória em 25 de setembro; entidade alerta para risco de novos desligamentos e cobra intervenção urgente do STF.

A indústria de apostas esportivas e jogos online no Brasil enfrenta uma onda drástica de cortes de postos de trabalho na esteira da ofensiva regulatória do governo federal. Dados parciais divulgados nesta quarta-feira (7) pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) revelam que mais de 3,5 mil trabalhadores do setor foram dispensados em todo o país desde a edição da Medida Provisória 1.394, anunciada pela gestão federal em 25 de setembro.

O volume de desligamentos mapeado até o momento representa 23% de toda a força de trabalho contabilizada pelo levantamento da entidade, que reuniu informações repassadas pelas próprias empresas do ecossistema de apostas até o encerramento do prazo de envio nesta quarta-feira. As projeções da associação são ainda mais pessimistas: o impacto acumulado pode atingir 5,6 mil demissões em um horizonte de 90 dias, o equivalente a 37% dos empregos mapeados.

Férias coletivas e o fantasma de novos cortes

Além dos postos já eliminados de forma definitiva, o estudo aponta que 4.167 funcionários foram colocados em regime de férias coletivas. A ANJL alerta que grande parte desses profissionais corre sério risco de também perder o emprego nas próximas semanas, dependendo da evolução dos negócios e do ritmo de tramitação das ações judiciais que contestam a constitucionalidade da MP no Supremo Tribunal Federal (STF).

Para o presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, a medida governamental gerou um efeito dominó que extrapola as chamadas betting houses (plataformas de apostas), atingindo toda uma cadeia paralela de serviços que movimenta a economia digital:

“Não é à toa que usamos o termo ‘indústria de apostas’ porque realmente é isso. O setor abrange diversas empresas, como as de meios de pagamento, marketing, compliance, agências, afiliados e veículos de comunicação especializados. Cada uma dessa famílias está vendo um dos seus membros perder o emprego por uma decisão que consideramos inconstitucional”, criticou o dirigente.

A entidade classifica os efeitos econômicos imediatos como reflexos de uma decisão governamental de forte apelo político na reta final do calendário eleitoral, embora o Palácio do Planalto e a equipe econômica defendam a necessidade de rigor na fiscalização e na tributação do segmento.

Pressão sobre o STF por liminar

Com o fantasma de uma desestruturação em larga escala do setor, a cúpula da ANJL intensificou a pressão jurídica sobre a Suprema Corte. A entidade argumenta que uma demora na apreciação dos pedidos de suspensão cautelar da Medida Provisória — cujos processos estão sob a relatoria do ministro Luiz Fux — poderá tornar irreversível a situação dos milhares de trabalhadores atualmente afastados em férias coletivas.

“Trata-se, portanto, de mais um fator que reforça a urgência da apreciação do pedido de suspensão da MP”, concluiu Lemos Jorge, cobrando celeridade do STF para estancar a sangria de vagas de trabalho enquanto o mérito da norma não é julgado em definitivo.

Fonte: cenariomt.com.br