“Ele via a filha como posse”, diz delegado sobre pai que matou adolescente

O delegado Nilson Farias, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou que o assassinato da adolescente Olga Beatriz Santos da Silva, de 12 anos, pelo próprio pai, Claudinei Santos da Silva, foi motivado por um sentimento de posse e controle que o suspeito exercia sobre a filha.

Em entrevista, a autoridade policial afirmou que Claudinei teria interpretado uma conversa da adolescente com um rapaz como uma ameaça à relação que mantinha com a filha.

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“Ele via a filha como posse dele. Quando ele viu uma conversa dela com outra pessoa, entendeu que a estava perdendo”, declarou.

Segundo Nilson Farias, esse comportamento está ligado ao mesmo padrão observado em diversos casos de violência doméstica e feminicídio registrados no país.

“No caso da violência doméstica, essa sensação de posse gera agressão na maioria dos casos. O homem se sentir dono da mulher, se sentir dono da filha. E quando vê outra pessoa querendo tomar um espaço que ele entende ser dele, ele acredita que, por meio da agressão, ele consegue reverter isso. E infelizmente é onde nós temos tragédias de feminicídio. Essa mentalidade machista tem que mudar”, destacou.

Relembre o caso

Olga Beatriz foi morta na noite do último domingo (7), no bairro Serra Dourada, em Várzea Grande. Conforme as investigações, a adolescente passava o fim de semana na casa do pai quando ele teria descoberto uma conversa da menina com um rapaz por meio das redes sociais.

Antes do crime, Claudinei havia passado o dia ingerindo bebidas alcoólicas em uma confraternização. Ao retornar para casa, iniciou uma discussão com a filha, que acabou sendo agredida e enforcada.

A adolescente chegou a ser levada para atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos. Claudinei foi preso em flagrante e autuado por feminicídio.

A Polícia Civil continua investigando o caso e apura todos os detalhes que antecederam o assassinato da adolescente, considerado um dos crimes de maior repercussão registrados em Mato Grosso neste ano.



Estadão MT