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Embrapa orienta produtores a ajustar manejo e investimentos diante dos riscos do El Niño

Manter o solo coberto por vegetação viva ou palhada é uma das principais recomendações para reduzir os riscos climáticos na safra 2026/2027. A orientação foi apresentada por Ernestino Guarino, coordenador da Plataforma Colaborativa Sul, iniciativa idealizada pela Embrapa, durante uma transmissão on-line sobre estratégias para mitigar os efeitos do El Niño na agropecuária.

Segundo o pesquisador, a cobertura do solo ajuda a reduzir o impacto das gotas de chuva sobre a superfície, favorece a infiltração da água e diminui a velocidade do escoamento superficial. A prática também contribui para regular a temperatura do solo durante o verão e preservar suas características físicas e biológicas.

“De forma geral, a principal sugestão e orientação que nós damos é, independente da cultura, que o solo esteja sempre protegido, coberto”, afirmou Guarino.

As recomendações fazem parte de uma nota técnica elaborada pela Plataforma Colaborativa Sul, que reúne unidades da Embrapa para desenvolver estratégias de enfrentamento aos efeitos de eventos climáticos adversos. O documento considera experiências acumuladas desde 2024 e orienta produtores da Região Sul do Brasil no planejamento da próxima safra.

Planejamento antes do prejuízo

A nota técnica organiza as recomendações em três frentes: prevenção, mitigação e monitoramento. A proposta é antecipar decisões para diminuir a exposição aos riscos climáticos e adequar o manejo das lavouras às condições esperadas.

Na prevenção, as orientações incluem respeitar as janelas de semeadura indicadas pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), avaliar a contratação de seguro rural e escolher cultivares adaptadas às condições previstas.

A recomendação também envolve avaliar os investimentos necessários para a safra, considerando os riscos e as expectativas de produtividade. A intenção é evitar que o produtor mantenha despesas baseadas apenas nos resultados de ciclos anteriores, sem considerar possíveis mudanças nas condições climáticas.

Na etapa de mitigação, o foco está em ajustar as decisões tecnológicas e os gastos com insumos às expectativas de rendimento da lavoura.

Monitoramento climático deve orientar decisões na lavoura

A terceira frente é o monitoramento das condições meteorológicas ao longo do ciclo produtivo. Segundo Guarino, as decisões agronômicas precisam considerar informações atualizadas de fontes oficiais e confiáveis.

“Tomar decisões agronômicas diárias, sempre amparadas em fontes oficiais e confiáveis de dados meteorológicos”, recomendou.

Entre as fontes indicadas estão o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e a Embrapa.

O acompanhamento das previsões pode ajudar o produtor a planejar operações agrícolas e ajustar práticas de manejo conforme as condições observadas, reduzindo a exposição a situações adversas.

Soja e arroz exigem cuidados específicos

Nas lavouras de grãos, as recomendações incluem selecionar cultivares adaptadas às condições climáticas previstas e ajustar o manejo conforme as características de cada cultura.

No arroz, a orientação é priorizar materiais resistentes ao acamamento — quando as plantas tombam — e a doenças foliares. Também é recomendado parcelar a adubação nitrogenada de cobertura, especialmente quando são utilizadas doses elevadas, para reduzir perdas de nutrientes.

A drenagem das áreas de cultivo é outro ponto de atenção. O sistema deve permitir o escoamento rápido do excesso de água durante períodos de chuva intensa.

Na soja, as orientações incluem utilizar densidades de semeadura médias a baixas, conforme a cultivar e o sistema produtivo, para reduzir os riscos de estiolamento e acamamento. O manejo fitossanitário deve considerar as condições encontradas na lavoura, evitando aplicações de agroquímicos baseadas exclusivamente em calendários predefinidos.

O planejamento da colheita também deve levar em conta as previsões meteorológicas, buscando evitar que a maturação dos grãos coincida com períodos de chuva.

Fruticultura depende de cobertura vegetal e drenagem

Na fruticultura, as recomendações destacam o manejo das copas para favorecer a circulação de ar e reduzir a pressão de doenças. A manutenção da cobertura vegetal do solo durante todo o ano também é considerada importante.

Outro cuidado é verificar as condições dos sistemas de drenagem dos pomares, identificar áreas críticas e avaliar a necessidade de novos drenos para evitar o acúmulo excessivo de umidade.

As medidas devem ser adaptadas às características de cada cultura e às condições da propriedade, especialmente diante dos riscos associados ao excesso de chuva e à umidade elevada.

Conservação do solo deve considerar toda a bacia hidrográfica

Além das medidas adotadas dentro das propriedades, Guarino defende que o planejamento da conservação do solo e do manejo da água considere toda a paisagem, incluindo as áreas que integram uma mesma bacia hidrográfica.

“Todas as ações de conservação e uso do solo também devem ser pensadas em toda a paisagem, em toda a bacia hidrográfica”, afirmou.

A proposta é ampliar o planejamento para além dos limites individuais das propriedades rurais, considerando a relação entre o uso do solo, a circulação da água e as características do território.

As recomendações da Plataforma Colaborativa Sul buscam auxiliar os produtores no planejamento da safra 2026/2027, reunindo práticas de conservação do solo, manejo das culturas, controle de investimentos e acompanhamento meteorológico para reduzir os riscos associados às condições climáticas.

Fonte: cenariomt.com.br