A Justiça dos Estados Unidos condenou Daniel Sikkema, de 56 anos, à prisão perpétua por planejar e financiar o assassinato do ex-marido, o galerista americano Brent Sikkema, morto a facadas dentro da própria residência, no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio de Janeiro, em janeiro de 2024. A sentença foi divulgada na quarta-feira, 4, pelo Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York.
A condenação ocorre após Daniel ter sido considerado culpado, em maio deste ano, por um júri federal. Ele respondeu por homicídio por encomenda e duas acusações de conspiração, uma delas relacionada à organização de um assassinato fora do território americano.
De acordo com as investigações, o crime foi motivado por conflitos envolvendo o processo de separação do casal. A acusação demonstrou que Daniel contratou o cubano Alejandro Triana Prevez para executar o galerista e realizou transferências financeiras para viabilizar o assassinato.
As negociações teriam começado ainda em 2023. Conforme a Procuradoria americana, Daniel efetuou 11 pagamentos destinados ao executor e a uma pessoa com quem ele mantinha um relacionamento em Cuba. Para dificultar o rastreamento do dinheiro, utilizou nomes de amigos, familiares e funcionários sem que eles soubessem da operação.
Galerista recebeu 18 facadas dentro de casa
Brent Sikkema foi encontrado morto em 14 de janeiro de 2024, na residência que mantinha no Rio de Janeiro. Segundo a investigação, o responsável pela execução desferiu 18 golpes de faca contra a vítima.
A promotoria americana apontou que, poucos minutos depois do assassinato, Alejandro entrou em contato diversas vezes com Daniel por meio de um número telefônico reservado para as conversas sobre o planejamento do crime.
Ainda conforme os investigadores, Daniel transferiu US$ 5 mil ao executor após a morte do galerista e teria prometido novos repasses financeiros.
Alejandro foi localizado e preso pela Polícia Civil brasileira quatro dias depois do homicídio. Em depoimento na ocasião, ele afirmou ter recebido US$ 9 mil para cometer o assassinato. O processo criminal contra o cubano continua em tramitação no Brasil.
Defesa alegou que pagamentos eram por serviços prestados
Durante o julgamento em Nova York, os advogados de Daniel sustentaram que os valores enviados a Alejandro correspondiam a serviços realizados por ele, e não ao pagamento pela morte do galerista.
A versão, entretanto, não convenceu os jurados. Após duas semanas de julgamento, Daniel foi considerado culpado em 22 de maio.
Na ocasião, a procuradora federal assistente Meredith Foster afirmou que o acusado havia organizado a execução do próprio marido e utilizado outras pessoas para colocar o plano em prática.
Antes da decisão, a defesa insistia na inocência de Daniel. Após o veredicto, os representantes jurídicos não esclareceram se apresentariam recurso.
Quem era Brent Sikkema
Aos 75 anos, Brent Sikkema era reconhecido no mercado internacional de artes e havia construído uma carreira de destaque em Nova York. Ele foi um dos fundadores da galeria Sikkema Jenkins, responsável por representar artistas de projeção mundial, como o brasileiro Vik Muniz e a americana Kara Walker.
O marchand mantinha uma residência no Rio de Janeiro, cidade que visitava com frequência.
A apuração do assassinato envolveu uma cooperação entre autoridades dos Estados Unidos e do Brasil. Além do FBI, participaram das investigações a Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público Federal brasileiro.
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