Facção monta base no Rio para comandar operações em Mato Grosso
Uma estrutura montada no Rio de Janeiro permitia que integrantes de uma facção criminosa foragidos de Mato Grosso encontrassem proteção em áreas dominadas pelo crime e, ao mesmo tempo, mantivessem conexões com os braços financeiros, operacionais e logísticos do grupo no Estado. O esquema é o principal alvo da Operação Dark Route, deflagrada nesta terça-feira (25) pela Polícia Civil.
As investigações da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) indicam que o Rio deixou de funcionar apenas como esconderijo. A estrutura instalada em território fluminense teria se transformado em uma base de proteção, comando e articulação, reunindo foragidos da Justiça de Mato Grosso, integrantes classificados pelos investigadores como “soldados armados” e pessoas responsáveis por dar suporte às lideranças. Parte do grupo estava instalada no Complexo do Alemão.
A operação cumpre nove mandados de prisão preventiva, três de busca e apreensão e cinco ordens de sequestro de veículos. As medidas foram determinadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cuiabá e são executadas em Várzea Grande e no Rio de Janeiro.
A investigação aponta que a organização criou uma conexão entre os dois Estados. Para o Rio seguiam foragidos e integrantes responsáveis pela segurança do grupo. Mesmo distantes de Mato Grosso, eles permaneciam ligados às atividades desenvolvidas no Estado.
Segundo a Polícia Civil, a estrutura também tinha capacidade bélica. Durante a investigação, foram identificados integrantes portando e efetuando disparos com fuzis de uso restrito. Os policiais encontraram ainda registros relacionados à guarda e ao remanejamento de armas e munições.
Foragido continuava articulando grupo
O principal alvo da Dark Route é um criminoso foragido da Justiça de Mato Grosso que não foi localizado nesta fase da operação. As investigações indicam, porém, que a fuga para o Rio não significou seu afastamento das atividades criminosas.
Segundo os elementos reunidos pela GCCO/Draco, ele continuou utilizando áreas dominadas pela facção como ponto de proteção e articulação e manteve contato com operadores financeiros, integrantes armados, familiares e pessoas que, segundo a investigação, atuavam como interpostas pessoas. Com os novos fatos apurados, passou a ter mais um mandado de prisão preventiva em aberto.
O boletim identifica esse foragido pelo apelido de “Batman”. Ele foi condenado a 13 anos de prisão, em fevereiro de 2024, por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Em setembro daquele ano, aproveitou uma saída temporária, rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu para o Rio de Janeiro, onde passou a permanecer em uma favela, conforme as informações reunidas na investigação.
A apuração procura atingir justamente a estrutura que teria permitido a continuidade dessa atuação: pessoas encarregadas da movimentação financeira, suporte logístico, proteção de foragidos e ocultação de patrimônio. A polícia descreve a ligação Mato Grosso–Rio como um eixo utilizado para circulação de integrantes, recursos financeiros, apoio logístico e veículos vinculados ao grupo.
Um dos auxiliares da liderança já havia sido preso na quinta-feira (20), antes da fase ostensiva da Dark Route. Ele foi localizado com apoio da Polícia Civil fluminense depois de deixar o Complexo do Alemão para frequentar uma academia. Nesta terça-feira, outros dois alvos foram capturados em Várzea Grande.
Carros em nome de terceiros
O braço patrimonial aparece como outra peça da estrutura investigada. A Polícia Civil identificou uma frota de veículos de luxo que circulava entre integrantes do grupo no eixo Rio–Mato Grosso.
Parte dos automóveis estava formalmente registrada em nome de terceiros, embora, segundo a investigação, fosse utilizada por pessoas próximas à liderança. Para os investigadores, os veículos serviam para deslocamento e logística, mas também para ostentação e possível ocultação patrimonial.
Foram apreendidos um Porsche Boxster GTS, duas BMWs, um Audi A3 e um Volkswagen T-Cross. A frota é avaliada em aproximadamente R$ 1,5 milhão. A operação também apreendeu cerca de R$ 100 mil em dinheiro vivo.
A Polícia Civil sustenta que a operação procura agir simultaneamente nas duas extremidades do esquema: localizar os foragidos que utilizam o Rio como proteção e atingir, em Mato Grosso, os braços financeiros, operacionais, logísticos e patrimoniais que davam sustentação à estrutura.
A ENGRENAGEM DA DARK ROUTE
REFÚGIO
Foragidos de Mato Grosso se instalam em áreas dominadas pela facção no Rio de Janeiro.
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BASE NO RIO
Estrutura reúne foragidos, “soldados armados” e pessoas encarregadas de dar suporte à liderança.
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ARMAS
Investigação registra integrantes com fuzis de uso restrito e movimentação de armas e munições.
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CONEXÃO COM MT
Liderança mantém contato com operadores financeiros, familiares, integrantes armados e interpostas pessoas.
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LOGÍSTICA E PATRIMÔNIO
Veículos circulam entre pessoas ligadas ao grupo; parte deles aparece formalmente em nome de terceiros.
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OPERAÇÃO DARK ROUTE
9 mandados de prisão preventiva
3 mandados de busca e apreensão
5 veículos sequestrados
R$ 1,5 milhão — valor aproximado da frota
R$ 100 mil — dinheiro apreendido
Veículos: Porsche Boxster GTS, duas BMWs, Audi A3 e Volkswagen T-Cross.

