Golpes digitais mudam perfil do tráfico humano e ampliam número de homens entre vítimas; Goiás registra 80 denúncias

O tráfico humano no Brasil tem mudado de perfil, impulsionado pelo avanço de golpes digitais e pela crescente presença de homens entre as vítimas. Em Goiás, foram registradas ao menos 80 denúncias do crime, além de 244 atendimentos pela assistência social. Os números, ainda que fragmentados, já refletem uma transformação no funcionamento das redes criminosas, cada vez mais baseadas no aliciamento online e na exploração em esquemas virtuais no exterior.

No país, o total de denúncias chegou a 1.758, com crescimento nos últimos anos: foram 220 registros em 2020, 140 em 2021, 191 em 2022, 330 em 2023, 398 em 2024 e 479 em 2025. Os estados com mais ocorrências são São Paulo (377), Minas Gerais (271) e Rio de Janeiro (178). Goiás aparece com 80 notificações.

Embora mulheres ainda sejam maioria entre as possíveis vítimas (54,15%), a presença masculina tem ganhado espaço, especialmente nos casos ligados ao trabalho escravo e à exploração em ambientes digitais. Entre os grupos mais vulneráveis, crianças e adolescentes concentram 54,34% dos registros.

O ambiente virtual se consolidou como uma das principais portas de entrada para o crime. Apenas em denúncias relacionadas ao meio digital, foram 6.132 registros processados, envolvendo 2.662 páginas, 1.087 domínios e 1.299 IPs distintos. O volume revela a escala do uso da internet como ferramenta de aliciamento.

Na prática, o recrutamento ocorre por meio de promessas de emprego com salários altos e benefícios atrativos. Segundo o secretário executivo do projeto Resgate Brasil, Marco Aurélio de Sousa, as propostas são construídas para convencer rapidamente. “É o seguinte: de 2 a 3 mil dólares, três refeições por dia, hospedagem incluída, possibilidade de crescimento na empresa, de aprender um novo idioma. Tudo isso está nas ofertas. Imagina um cara que ganha um salário mínimo, trabalhando em call center.”

Ele explica que o apelo financeiro é decisivo. “O cara faz a conta: 2 ou 3 mil dólares, você faz seis por um, dá mais de 10 mil reais por mês. Ele pensa: eu ganho um salário mínimo aqui, é dez vezes mais. Se eu ficar lá um ano, eu arrumo a minha vida.”

A realidade, no entanto, é de exploração. Ao chegar ao destino, vítimas têm documentos retidos, passam a viver sob ameaça e são forçadas a trabalhar em condições degradantes.

A superintendente de Direitos Humanos da Secretaria de Desenvolvimento Social de Goiás, Ana Luísa Freire, relata casos de goianos vítimas desse tipo de crime. Em um deles, uma mulher levada para Portugal foi submetida à exploração sexual intensa. “Ela era obrigada a fazer de 10 a 15 relações sexuais por dia. Cada alimento que consumia tinha um valor absurdo. Ela estava sempre devendo, porque o que ganhava não pagava o que consumia. Ficou presa, com o passaporte confiscado.”

fotos capa (6)

A vítima só conseguiu fugir com a ajuda de um cliente.

Segundo Ana Luísa, o aliciamento frequentemente envolve pessoas próximas. “O aliciador é alguém conhecido, que está ganhando dinheiro em cima.”

Ela cita um caso em que uma jovem quase foi levada ao exterior por uma amiga. “Uma moça foi convidada para trabalhar como recepcionista de hotel em Barcelona. Ela ia aceitar, mas desconfiou e procurou a mãe. Depois descobrimos que essa amiga ganhava cerca de R$ 150 por pessoa que indicava.”

Além da exploração sexual, o tráfico para trabalho escravo tem crescido com a expansão de centros de fraude digital no exterior. Segundo Marco Aurélio, essas estruturas se concentram principalmente no Sudeste Asiático, em regiões de fronteira com baixa fiscalização. “É uma terra de ninguém. Não é nem do Laos, nem do Camboja, nem de Mianmar. Quem controla tudo são máfias chinesas.”

Nesses locais, vítimas são forçadas a aplicar golpes pela internet, sem acesso a liberdade ou direitos básicos. Esse modelo ajuda a explicar o aumento da presença masculina entre os resgatados.

Dados de vítimas brasileiras identificadas no exterior mostram crescimento recente: foram 63 registros em 2024 e 84 em 2025, totalizando 147 casos.

Após o resgate, vítimas passam a ter acesso a assistência social, atendimento psicológico e apoio financeiro. Programas específicos oferecem suporte para reconstrução da vida. “Esse valor pode ser usado para tratamento médico, estudo ou para começar um pequeno negócio. É para atender as primeiras necessidades da pessoa”, explica Marco Aurélio.

Na assistência social, foram registrados 4.019 atendimentos no país, com 427 apenas em 2025. Goiás aparece com 244 registros, indicando presença consistente do problema também no estado.

Apesar do avanço das políticas públicas, especialistas alertam que a principal forma de combate ainda é a prevenção. A recomendação é desconfiar de propostas com ganhos elevados e pesquisar a origem das ofertas. “Se receber uma proposta, pesquise a empresa, veja quem está por trás. Não entregue seu passaporte para ninguém. Ao chegar ao país, procure o consulado brasileiro e informe onde está”, orienta Marco Aurélio.

A mudança no perfil das vítimas indica que o tráfico humano não diminuiu — apenas se adaptou. Hoje, mais do que nunca, o crime começa no ambiente digital e se concretiza fora do país, atingindo um público cada vez mais amplo.

Veja imagens da campanha Coração Azul que divulga os riscos e cuidados contra o tráfico humano:

/**
* nwe-wp-gallery.js
*
* Extraído do bundle (public.js) para uso em arquivo separado.
* Requer:
* – jQuery (window.jQuery)
* – Viewer (a lib usada no bundle; pode ser importada ou estar em window.Viewer)
*
* Estrutura esperada no HTML:
* .nwe-wp-gallery
* .nwe-wp-gallery-img img (imagem principal)
* .nwe-wp-gallery-cont-list
* .nwe-wp-gallery-arrow.left/.right (setas)
* .nwe-wp-gallery-list (container com scroll horizontal)
* .nwe-wp-gallery-list-item (thumb)
* data-original=”URL” (imagem grande)
* data-pos=”1″ (posição para o contador)
* .page span (contador/posição)
*/

(function (global) {
const DEFAULTS = {
selector: “.nwe-wp-gallery”,
viewerOptions: { title: true, url: “src” },
animation: {
scrollMs: 200,
fadeMs: 200,
arrowFadeInMs: 300,
scrollPadding: 10,
scrollMultiplier: 2,
},
};

function getJquery($) {
const jq = $ || global.jQuery;
if (!jq) {
throw new Error(“[nwe-wp-gallery] jQuery não encontrado (window.jQuery).”);
}
return jq;
}

function getViewer(ViewerClass) {
// No bundle ele aparece como “new y.a(…)”.
// Aqui aceitamos via injeção ou via global window.Viewer.
return ViewerClass || global.Viewer;
}

/**
* Liga os eventos e o comportamento do “thumb strip” + setas.
* @param {jQuery} $gallery – container .nwe-wp-gallery
* @param {object} opts
*/
function bindGalleryControls($gallery, opts) {
const $ = $gallery.constructor; // jQuery ref
const $list = $gallery.find(“.nwe-wp-gallery-list”);

// Clique nas setas para scroll horizontal
$gallery
.find(“.nwe-wp-gallery-cont-list .nwe-wp-gallery-arrow”)
.off(“click.nweGallery”)
.on(“click.nweGallery”, function () {
const itemWidth = $list.find(“.nwe-wp-gallery-list-item”).outerWidth();
const step = opts.animation.scrollMultiplier * itemWidth;

let next = $list[0].scrollLeft + step + opts.animation.scrollPadding;
if ($(this).hasClass(“left”)) {
next = $list[0].scrollLeft – step – opts.animation.scrollPadding;
}

$list.animate({ scrollLeft: next }, opts.animation.scrollMs);
});

const $items = $gallery.find(“.nwe-wp-gallery-list .nwe-wp-gallery-list-item”);

// Mostra as setas quando o usuário scrolla a lista
$list
.off(“scroll.nweGallery”)
.on(“scroll.nweGallery”, function () {
const $arrows = $(this).parent().find(“.nwe-wp-gallery-arrow”);
if ($arrows.is(“:visible”) === false) {
$arrows.fadeIn(opts.animation.arrowFadeInMs);
}
});

// Força um pequeno scroll inicial (como no bundle)
$list.scrollLeft(1);

// Clique em um thumb: ativa, troca imagem principal, atualiza contador
$items
.off(“click.nweGallery”)
.on(“click.nweGallery”, function () {
$items.removeClass(“active”);
$(this).addClass(“active”);

const $main = $gallery.find(“.nwe-wp-gallery-img”);
const data = this.dataset || {};
const original = data.original;
const pos = data.pos;

if (!original) return;

const $caption = $main.find(“span”);
const $img = $main.find(“img”);
$img.fadeOut(opts.animation.fadeMs, () => {
$img.attr(“src”, original);
$caption.html(data.caption);
$img.fadeIn(opts.animation.fadeMs);
});

if (pos != null) {
$gallery.find(“.page span”).html(pos);
}
});
}

/**
* Inicializa UMA galeria: Viewer + controles.
* @param {Element|jQuery} galleryEl
* @param {object} options
* @returns {void}
*/
function initSingleGallery(galleryEl, options = {}) {
const opts = mergeDeep({}, DEFAULTS, options);
const $ = getJquery(opts.$);
const ViewerClass = getViewer(opts.Viewer);

const $gallery = $(galleryEl);
if ($gallery.length === 0) return;

// 1) Viewer (clique na imagem e abre lightbox)
if (ViewerClass) {
// Evita duplicar Viewer caso você reinicialize via AJAX/hook
// (a lib geralmente seta “element.viewer”, mas isso depende da versão).
try {
// eslint-disable-next-line no-new
new ViewerClass($gallery[0], opts.viewerOptions);
} catch (e) {
// Se o Viewer não estiver disponível/compatível, segue só com os controles
// para não quebrar a página.
}
}

// 2) Controles (setas + thumbs)
bindGalleryControls($gallery, opts);
}

/**
* Inicializa TODAS as galerias que existem no DOM.
* @param {object} options
*/
function initAllGalleries(options = {}) {
const opts = mergeDeep({}, DEFAULTS, options);
const $ = getJquery(opts.$);

$(opts.selector).each(function () {
initSingleGallery(this, opts);
});
}

/**
* Reproduz o comportamento do bundle:
* – Ao DOMContentLoaded inicializa tudo
* – Se existir wp.hooks, registra o addAction para reinicializar galerias inseridas dinamicamente
*/
function bootstrapNweWpGallery(options = {}) {
const opts = mergeDeep({}, DEFAULTS, options);

global.addEventListener(“DOMContentLoaded”, function () {
initAllGalleries(opts);
});

// Hook usado no bundle: “nwe_next_post_after_insert”
if (global.wp && global.wp.hooks && typeof global.wp.hooks.addAction === “function”) {
global.wp.hooks.addAction(
“nwe_next_post_after_insert”,
“theme_next_post_after_insert”,
(containerEl) => {
if (!containerEl) return;

const galleries = containerEl.querySelectorAll(opts.selector);
if (!galleries || galleries.length === 0) return;

galleries.forEach((el) => initSingleGallery(el, opts));
}
);
}
}

// Helpers simples (sem depender de libs)
function isObject(item) {
return item && typeof item === “object” && !Array.isArray(item);
}

function mergeDeep(target, …sources) {
if (!sources.length) return target;
const source = sources.shift();
if (isObject(target) && isObject(source)) {
for (const key in source) {
if (isObject(source[key])) {
if (!target[key]) Object.assign(target, { [key]: {} });
mergeDeep(target[key], source[key]);
} else {
Object.assign(target, { [key]: source[key] });
}
}
}
return mergeDeep(target, …sources);
}

// Exports globais (pode trocar para export default se estiver em bundler)
global.NweWpGallery = {
initSingleGallery,
initAllGalleries,
bootstrapNweWpGallery,
};
})(window);
window.NweWpGallery.bootstrapNweWpGallery();

Projeto Resgate Brasil

O Projeto Resgate Brasil também oferece apoio financeiro às vítimas após o retorno ao país. Segundo o secretário executivo Marco Aurélio de Sousa, o programa pode disponibilizar até 3 mil euros para atender necessidades imediatas. O recurso pode ser utilizado para tratamento médico, continuidade dos estudos, moradia ou início de uma atividade profissional, com o objetivo de auxiliar na reconstrução da vida.

Além do suporte material, a orientação é que a prevenção comece ainda no primeiro contato com propostas de trabalho. A recomendação é verificar a procedência das ofertas, pesquisar empresas e evitar compartilhar documentos pessoais. Em caso de viagem ao exterior, especialistas orientam que o trabalhador procure o consulado brasileiro logo na chegada e informe sua localização e condições de trabalho, como forma de reduzir riscos e facilitar eventual assistência.

Leia mais: Redes sociais são usadas para exploração sexual e tráfico de pessoas em Goiás

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