Investimento em segurança cresce 12,5% em Goiás enquanto homicídios e roubos recuam
No 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, Goiás registrou redução em diversos indicadores criminais, como mortes violentas intencionais (MVI) e crimes contra o patrimônio. Os resultados vieram acompanhados de um aumento dos investimentos estaduais na área de segurança.
O levantamento foi divulgado nesta quinta-feira, 23, com dados referentes aos anos de 2024 e 2025, reunidos a partir das secretarias estaduais de Segurança Pública.
Entre 2024 e 2025, Goiás ampliou em 12,5% os gastos com Segurança Pública, totalizando aproximadamente R$ 5,05 bilhões. O crescimento colocou o estado significativamente acima da média nacional de aumento das despesas das unidades da Federação, que foi de 6,2% no mesmo período.
Segundo o criminalista e conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Cássio Thyone, o aumento dos investimentos estaduais, observado também em unidades da Federação como Alagoas (20,7%) e Roraima (20,5%), ocorreu paralelamente à retração de 17,7% nas despesas federais com segurança pública.
Esse desequilíbrio fez com que o crescimento dos gastos da União na área, considerando também municípios e o Distrito Federal, fosse de apenas 2,1%.
Apesar disso, o especialista observa que houve dois movimentos simultâneos: o aumento dos investimentos estaduais e a redução de parte dos indicadores criminais. Segundo ele, a proximidade de anos eleitorais também influencia esse cenário, já que a segurança pública costuma figurar entre as principais preocupações da população. “Entendemos que provavelmente os estados direcionem recursos a mais, aumentando os seus gastos sazonalmente em anos específicos ligados a áreas onde a própria população aponta serem prioritárias.”
Em Goiás, por exemplo, o maior crescimento ocorreu na área de Informação e Inteligência, que recebeu aumento de 14,6%, acima da média nacional de 6,1% para essa subfunção. O investimento inclui a implementação de sistemas de inteligência artificial, como o IA Contra o Crime, voltados ao reconhecimento de imagens e ao apoio às forças policiais.
Além disso, dos mais de R$ 5 bilhões investidos, cerca de R$ 464,6 milhões foram destinados à segurança ostensiva, incluindo a ampliação das operações policiais.
Ao mesmo tempo, houve retração de diversos índices criminais. Para Cássio, esse resultado “é o esperado” quando há aumento dos investimentos, mas ressalta que essa relação não é automática.
Segundo ele, é preciso diferenciar gasto de investimento, já que o segundo pressupõe aplicação estratégica dos recursos públicos. “Notamos que em muitos momentos o país gastava muito, mas gastava mal. Então, você simplesmente pegar o gasto bruto não significa que você está gastando de uma forma inteligente.”
“Se você não utilizar dados e evidências para sustentar as suas despesas, arrisca gastar e não ter uma resposta direta em relação ao que você espera, sendo a diminuição dos índices.”
Em Goiás, por exemplo, a taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVI) caiu 12,7% entre 2024 e 2025, uma das maiores reduções do país. Na avaliação de Cássio, o desempenho acompanha a tendência nacional, que registrou queda de 8,2%, podendo ser explicado pela maior integração entre as forças policiais, pelo uso de inteligência, pelo compartilhamento de dados e pelas apreensões de armas.
Os crimes contra o patrimônio também apresentaram redução. Segundo o anuário, houve queda de 20,7% nos roubos e furtos de veículos e de 19,6% nos roubos de celulares, além de redução nos roubos a transeuntes e de cargas. A taxa de crimes patrimoniais em Goiás foi de 222,2 ocorrências por 100 mil habitantes, abaixo da média nacional, de 389,3.
Já os registros de tráfico de drogas seguiram movimento contrário. O estado contabilizou aumento de 9,5% nas ocorrências, que passaram de 5.682 para 6.222 casos entre 2024 e 2025. A taxa subiu de 77,3 para 83,8 registros por 100 mil habitantes, embora permaneça inferior à média nacional, de 97,0.
As polícias de Goiás também apreenderam 4.081 armas de fogo em 2025, queda de 8,8% em relação ao ano anterior, enquanto o país registrou aumento de 5,4% nas apreensões.
Para o especialista, entretanto, a melhora de alguns indicadores não significa que a população passe a se sentir mais segura. Crimes como estelionato e feminicídio seguem em alta tanto nacionalmente quanto em Goiás.
Para Cássio, a mudança dessa percepção depende de anos de investimentos inteligentes e de políticas públicas consistentes. “A sensação de insegurança persiste e é natural que ela persista por muito tempo mesmo. Mesmo depois de conseguirmos reduzir esses números para níveis razoáveis, aceitáveis ou comparáveis com países mais desenvolvidos”, disse.
“Demora para você transformar o imaginário das pessoas e para elas se sentirem seguras, para que caminhem na rua com o celular sem estarem preocupadas se vão ser roubadas, por exemplo.”
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