“Jhonny Bonitão”, conheça o mafioso contratado pela CIA para tentar matar Fidel

Muito antes de seu corpo ser encontrado dentro de um tambor metálico na costa da Flórida, em 1976, Johnny Roselli, ou “Handsome Jhonny”, já ocupava um lugar singular na história dos Estados Unidos. Integrante da máfia ítalo-americana, ele foi recrutado pela CIA no início dos anos 1960 para colaborar em um plano secreto que pretendia assassinar o líder cubano Fidel Castro, tornando-se um improvável elo entre o crime organizado e o governo americano durante a Guerra Fria.

Na época, Roselli já era um dos principais articuladores da máfia fora de Chicago. Conhecido pela habilidade para negociar e construir relações, transitava entre empresários, executivos de Hollywood, políticos e grandes chefes do crime organizado. Também cultivava amizades com personalidades como Frank Sinatra.

Por trás da imagem pública, porém, havia um mistério que intrigou o FBI durante décadas. Os investigadores descobriram que “Johnny Roselli” era uma identidade falsa. Sua certidão de nascimento havia sido forjada e praticamente não existiam registros sobre sua vida antes de chegar ao crime organizado.

Roselli nasceu como Filippo Sacco, em 1905, na Itália, e imigrou ainda criança para os Estados Unidos. Depois de crescer em Boston e se aproximar da criminalidade, mudou-se para Chicago após ficar ligado a uma investigação de homicídio. Foi na cidade que adotou um novo nome e iniciou sua trajetória ao lado da organização liderada por Al Capone.

Sua capacidade de negociar fez com que fosse enviado para Los Angeles, onde passou a representar os interesses da máfia junto aos estúdios de cinema. Em vez de atuar diretamente em crimes violentos, Roselli aproximava empresários, políticos e integrantes do crime organizado. Também participou dos esquemas de extorsão contra Hollywood por meio do controle de sindicatos e chegou a trabalhar como produtor de cinema.

Sua influência nos bastidores ficou evidente quando intermediou uma crise envolvendo a série The Untouchables. Incomodados com a forma como italianos eram retratados na produção, mafiosos chegaram a cogitar o assassinato do produtor Desi Arnaz. Roselli negociou o fim da ameaça e ajudou a encerrar o conflito.

Após a Revolução Cubana, a CIA buscava pessoas com influência sobre antigos interesses da máfia em Havana, onde organizações criminosas haviam perdido milhões de dólares em cassinos e hotéis. Roselli participou das articulações para eliminar Fidel Castro, mas nenhuma das tentativas foi bem-sucedida. Anos depois, confirmou detalhes da operação ao Comitê Church, comissão criada pelo Senado americano para investigar ações clandestinas das agências de inteligência.

Seu nome também passou a aparecer em teorias relacionadas ao assassinato de John F. Kennedy, embora nunca tenha sido apresentada qualquer prova de seu envolvimento no crime. Enquanto isso, o FBI seguia tentando descobrir sua verdadeira origem. A investigação só avançou quando um antigo mafioso que atuava como informante revelou que Roselli enviava dinheiro regularmente para a mãe, em Boston, permitindo aos agentes reconstruir parte de sua história.

Em julho de 1976, Roselli desapareceu durante um passeio de barco na Flórida. Dez dias depois, seu corpo foi encontrado dentro de um tambor metálico de 55 galões, boiando próximo à costa. Morto por estrangulamento, ele foi vítima de uma execução atribuída à própria máfia. O assassinato nunca foi oficialmente esclarecido.

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