Justiça mantém apreendida moto de casal investigado por delivery de drogas em Cuiabá

A Justiça negou o pedido de devolução de uma motocicleta apreendida com um casal investigado por tráfico de drogas e associação para o tráfico em Cuiabá. A decisão é do juiz Francisco Alexandre Ferreira Mendes Neto, da 13ª Vara Criminal da capital.

O pedido foi feito por L.M.T. e M.M.O.B., que solicitaram a restituição de uma motocicleta Shineray XY150, ano 2025, alegando que o veículo foi adquirido legalmente e que não havia prova de uso no crime.

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O magistrado, porém, apontou indícios de que a moto era usada no esquema investigado. Segundo a decisão, o veículo foi apreendido durante o cumprimento de mandados de busca autorizados pela Justiça no curso da investigação.

Um dos principais pontos considerados foi o fato de a motocicleta ter sido encontrada sem placa de identificação.

“Trata-se de circunstância objetiva e concreta que, por si só, já afasta a narrativa de que o veículo era utilizado de forma regular e lícita”, escreveu o juiz.

A decisão também cita relatório policial que descreveu intensa movimentação de motocicletas no endereço dos investigados, com entradas e saídas rápidas em horários compatíveis com entrega de drogas.

De acordo com a investigação, a dinâmica identificada pela polícia indicava funcionamento de tráfico na modalidade delivery, sistema em que a entrega da droga é feita diretamente ao comprador.

Outro elemento considerado foi a extração de dados do celular de M.M.O.B.. Segundo o processo, foram encontradas mensagens sobre venda e distribuição de drogas, envio de comprovantes de transferências via Pix e fotografias de drogas.

O juiz também apontou incompatibilidade patrimonial. Segundo a decisão, os investigados não comprovaram renda compatível com a compra da motocicleta zero quilômetro, modelo 2025.

“Há incompatibilidade patrimonial relevante”, registrou o magistrado ao afirmar que existem indícios de que o bem pode ter sido adquirido com dinheiro da atividade criminosa.

Com isso, a Justiça manteve a apreensão do veículo e decidiu que eventual destino da motocicleta será definido apenas no julgamento final da ação penal.



Estadão MT