Justiça mantém julgamento de acusados pela morte de personal trainer em MT

 

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raylton rozeli nunes personal

A Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso manteve a decisão que levará Raylton Duarte Mourão e Vitor Hugo Oliveira da Silva a julgamento pelo Tribunal do Júri pela morte da personal trainer Rozeli da Costa Sousa Nunes, assassinada a tiros em setembro de 2025, em Várzea Grande.

Por unanimidade, os desembargadores negaram recurso apresentado pelas defesas dos acusados, que tentavam anular provas do processo e impedir que o caso fosse levado aos jurados. O colegiado entendeu que há indícios suficientes de autoria e provas da materialidade do crime para manter a decisão de pronúncia.

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Rozeli foi morta no dia 11 de setembro de 2025, por volta das 6h30, na Rua Ariel, no bairro Canelas. Conforme a denúncia, Raylton teria efetuado os disparos contra a vítima, enquanto Vitor Hugo teria conduzido a motocicleta usada na ação.

Durante a investigação, os dois chegaram a confessar participação no crime à Polícia Civil, mas posteriormente negaram os fatos em juízo. Raylton relatou aos investigadores que teria cometido o homicídio após passar a ouvir “vozes” que ordenavam que matasse Rozeli. Ele afirmou que ficou transtornado após uma disputa judicial envolvendo a vítima e que chamou um comparsa para executar a ação.

Em juízo, porém, Raylton negou a autoria e alegou que a confissão foi feita sob pressão psicológica. Já Vitor Hugo afirmou que teria sido pressionado e que aceitou participar da versão apresentada inicialmente por dificuldades financeiras.

No processo, as defesas questionaram a validade das confissões, alegaram quebra da cadeia de custódia de provas digitais, irregularidades na busca e apreensão, ausência de perícia balística e exposição midiática dos investigados. Os desembargadores rejeitaram os argumentos e afirmaram que não houve demonstração de prejuízo ou ilegalidade capaz de anular as provas.

Segundo o relator, desembargador Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, as confissões extrajudiciais foram acompanhadas por advogados e estavam corroboradas por outros elementos, como imagens de videomonitoramento e depoimentos colhidos durante a instrução.

A decisão também destacou que Raylton teria relatado, durante o interrogatório policial, que matou Rozeli motivado por uma disputa judicial envolvendo uma empresa ligada a ele. Além das “vozes”, ele afirmou que teria planejado a ação e contado com a participação de Vitor Hugo para chegar até o local do crime.

A investigação apontou que câmeras de segurança registraram uma motocicleta com dois ocupantes aguardando a saída da vítima de casa. Conforme os autos, os disparos foram feitos quando Rozeli estava dentro do veículo, sem possibilidade de reação.

Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão, a polícia encontrou objetos que, segundo a investigação, teriam relação com o crime. A arma utilizada nos disparos, no entanto, não foi localizada.

Para o TJMT, a existência de versões conflitantes deverá ser analisada pelos jurados, já que cabe ao Tribunal do Júri decidir sobre crimes dolosos contra a vida. A Corte destacou que, nesta fase, não é feita uma condenação antecipada, mas apenas a análise da existência de provas e indícios suficientes para levar o caso ao julgamento popular.

Estadão MT