Justiça marca 1ª audiência de PMs acusados de forjar confronto ligado à morte de ex-presidente da OAB-MT

A Justiça de Mato Grosso marcou para o dia 19 de agosto a primeira audiência de instrução e julgamento dos quatro policiais militares da Rotam acusados de forjar um confronto armado para ocultar o uso da arma empregada no assassinato do advogado Renato Nery. A sessão será conduzida pelo juiz João Bosco Soares da Silva, da 14ª Vara Criminal de Cuiabá.

Na audiência, deverão ser ouvidas as testemunhas de acusação e de defesa, além dos policiais militares Jorge Rodrigo Martins, Wailson Alesandro Medeiros Ramos, Wekcerlley Benevides de Oliveira e Leandro Cardoso, denunciados pelo Ministério Público pelos crimes de homicídio qualificado, tentativa de homicídio, fraude processual, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e organização criminosa.

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A designação da audiência ocorre após o magistrado rejeitar os pedidos de absolvição sumária apresentados pelas defesas. Na decisão, o juiz concluiu que há indícios suficientes de autoria e materialidade para dar continuidade à ação penal.

Segundo a denúncia do Ministério Público, os policiais executaram Walteir Lima Cabral e tentaram matar Pedro Elias Santos Silva e Jhuan Maxmiliano de Oliveira Matsuo Soma, em julho de 2024, no Contorno Leste, em Cuiabá. A acusação sustenta que a ocorrência foi simulada para dar aparência de legalidade à ação policial e justificar o uso da pistola que, dias antes, teria sido utilizada na execução do advogado Renato Nery.

As investigações da Polícia Civil apontam que um laudo de confronto balístico identificou compatibilidade entre a arma utilizada na suposta troca de tiros e a empregada no homicídio do advogado. Para o Ministério Público, a falsa ocorrência teve como objetivo dificultar a identificação da arma e comprometer a apuração do assassinato.

Durante a audiência de instrução, as partes poderão produzir provas, ouvir testemunhas e interrogar os réus. Somente após essa fase o juiz decidirá se há elementos suficientes para condenar ou absolver os acusados.



Estadão MT