Liderança de Daniel Vilela nas pesquisas diz mais do que parece

É de praxe, na política, o nascimento de “herdeiros” consanguíneos ou não que se sustentam na vida pública muito mais pela força do apadrinhamento do que pelos próprios feitos. Em Goiás, por óbvio, a coisa não é lá tão diferente.

Sobrenomes e grupos políticos não raramente impulsionam novos quadros, mas, ao longo do tempo, parecem ter a necessidade de sempre vir à tona para “revigorar” a imagem do apadrinhado. Contudo, a cada nova pesquisa de intenção de voto divulgada, e contrariando o principal argumento de seus adversários, esse não parece ser o caso de Daniel Vilela.

O emedebista filho de Maguito Vilela parecia fadado a enfrentar essa pecha quando assumiu o governo após a renúncia de Ronaldo Caiado para disputar a presidência da República. Claro que a pergunta era inevitável: Vilela conseguiria andar sozinho ou seria apenas o “governador tampão” do caiadismo?

Os levantamentos esporadicamente divulgados retratando a preferência do eleitorado em Goiás, aparentemente, respondem isso de forma. As pesquisas Real Time Big Data divulgadas em maio e julho são um exemplo.

Em maio,Daniel Vilela figurava com 38% das intenções de voto no principal cenário estimulado para o governo de Goiás, contra 22% de Marconi Perillo, do PSDB. Já no 2º turno, Daniel batia o tucano por 52% a 28%. Em tempo: a margem de erro da pesquisa era de 2 pontos para mais ou para menos.

E cerca de 2 meses depois, o levantamento do mesmo Big Data mostrou que o governador continuava liderando todos os cenários de primeiro e segundo turno, mantendo uma vantagem, no mínimo, confortável sobre os adversários.

Nos cenários de 2º turno, a vantagem sobre o tucano Perillo, que era de 52% contra 28% em maio, foi para 55% contra 29% em julho. Já contra Wilder Morais, a aposta bolsonarista para o governo do Estado, a tendência foi praticamente idêntica, saindo de 51% contra 27% para 54% contra 28% no levantamento mais recente.

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A estabilização da liderança de Daniel ao mesmo tempo emque os pré-candidatos do PSDB e do PL intensificam suas agendas de pré-campanha ajudam a deduzir que o emedebista parece ter encontrado o caminho para “andar com as próprias pernas”, sem depender diretamente da força do caiadismo.

O ex-governador, hoje no PSD de Kassab (que, inclusive, é pré-candidato a seu vice, conforme hipotetizado nos primórdios pela coluna Bastidores) está ocupado demais tentando convencer o Brasil de que pode ser presidente da República para dedicar tempo à pré-campanha estadual, e excetuando sua presença nos atos do Pra Frente Goiás, não liderou uma mobilização oficial do caiadismo em torno da pré-candidatura de Daniel.

É certo até para os mais desinteressados que isso torna a liderança do governador bem mais atraente do ponto de vista político: Daniel,ao que tudo indica, não está ganhando pesquisas apenas por ser o filho de Maguito ou por ter sido o escolhido de Caiado. Claro, há um componente que ajuda a entender e explicar esse fenômeno. Mas Daniel foi inteligente ao visualizar que o eleitor goiano não está procurando uma ruptura administrativa.

Em tempo: se há uma área em que o governador do Estado resolveu colocar suas digitais é a segurança pública, justamente aquela mais orgulhosamente exposta na vitrine por Caiado. Em poucos meses de governo, anunciou um pacote bilionário de valorização das forças de segurança, incluindo auxílio-alimentação de mil reais pra cerca de 24 mil servidores, reestruturações de carreira e benefícios funcionais. Também entregou veículos e equipamentos às corporações e intensificou uma agenda de combate ao crime organizado. Leia-se: o eleitor goiano pode discordar sobre quase tudo, mas não vai abrir mão dos (ótimos) indicadores conquistados.

Outro movimento dele está na tecnologia e inovação. O governador e pré-candidato à reeleição transformou o setor em outra vitrine administrativa. Projetos ligados ao ecossistema do Centro de Excelência em Inteligência Artificial, o Ceia, e o Distrito de Inovação ilustram bem a tentativa de posicionar Goiás como um polo tecnológico nacional.

Não se pode negar, é claro, que Daniel ainda colhe muitos dos frutos plantados por Caiado. Contudo, o que as pesquisas apontam já há algum tempo é que o atual governador já tem sua própria receita de como fazer um bom governo.



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