Justiça marca para agosto júri popular do Tenente-coronel Paccola por morte de agente socioeducativo

 

A Justiça de Mato Grosso marcou para o dia 27 de agosto de 2026 o julgamento do tenente-coronel da Polícia Militar Marcos Eduardo Ticianel Paccola pela morte do agente socioeducativo Alexandre Miyagawa de Barros, conhecido como “Japão”. A sessão do Tribunal do Júri será realizada às 9h, no Fórum de Cuiabá, por determinação da juíza Mônica Catarina Perri, da 1ª Vara Criminal da Capital.

Na decisão, a magistrada afirmou que o processo está pronto para julgamento após o encerramento da fase de recursos. Ao longo da tramitação, a defesa de Paccola tentou reverter a decisão que o levou ao Tribunal do Júri por meio de recursos apresentados ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), incluindo pedidos de absolvição sumária e de reconstituição do crime. Todos foram negados.

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Paccola responde pela morte de Alexandre, ocorrida em 1º de julho de 2022, em frente a uma distribuidora de bebidas, na esquina das ruas Artur Bernardes e Filinto Müller, em Cuiabá. Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o agente socioeducativo foi atingido por três tiros disparados pelas costas, sem possibilidade de defesa.

Na época, Alexandre estava embriagado e tentava conter a companheira, que discutia com outras pessoas. A defesa do militar sustenta que ele agiu em legítima defesa e no cumprimento do dever legal, acreditando que a mulher estava sendo agredida.

Entretanto, laudos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) apontaram que a vítima foi baleada pelas costas e que um dos disparos atravessou o pescoço quando Alexandre já estava caído no chão, versão que embasa a acusação.

O Ministério Público também afirma que Paccola agiu por motivo torpe e utilizou o episódio como um suposto ato de heroísmo, chegando a discursar na Câmara de Cuiabá dizendo que havia impedido uma agressão contra uma mulher.

A repercussão do caso levou à cassação do mandato de vereador de Paccola por quebra de decoro parlamentar. O militar já estava na reserva remunerada da Polícia Militar desde março de 2021, após ser eleito para a Câmara Municipal de Cuiabá.

Estadão MT