Ligações de coronel após crime levaram DHPP a apontá-lo como financiador de assassinato

Josi Dias/TJMT

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O delegado Nilson Farias, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou nesta terça-feira, 28 de julho, que ligações feitas pelo coronel reformado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas antes e logo após o assassinato do advogado Roberto Zampieri foram determinantes para orientar a investigação e apontá-lo como financiador da execução.

“Foi quando surgiu o nome do Aníbal. O analista identificou que, antes do homicídio, o Caçadini ligou para o Antônio e, logo após o homicídio, ligou para o Aníbal. A partir daí, começamos a trabalhar essa situação para identificar se havia mais elementos ligando os dois”, afirmou.

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A declaração foi dada durante o júri popular de Caçadini, Antônio Gomes da Silva e Hedilerson Fialho Martins Barbosa. Os três são acusados de participação na morte do advogado, executado a tiros em dezembro de 2023, em frente ao escritório onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.

Segundo Nilson Farias, a análise levou os investigadores a uma disputa judicial envolvendo a Fazenda Lagoa Azul, em Paranatinga, avaliada em cerca de R$ 100 milhões. A DHPP passou a tratar o conflito fundiário como possível motivação do crime.

Outro ponto destacado pelo delegado foi uma pesquisa encontrada no celular de Caçadini sobre o endereço do escritório de Zampieri. Conforme o depoimento, a consulta foi feita em 9 de outubro de 2023, mesmo dia em que o advogado protocolou um pedido de apresentação de provas no processo relacionado à disputa da fazenda.

“Foi aí que identifiquei que esse pode ter sido o estopim de tudo. Quando o Zampieri entra com o pedido de apresentação de provas, no mesmo dia aparece a pesquisa do endereço do escritório dele no celular do Caçadini”, disse o delegado.

A perícia também encontrou no aparelho do coronel fotografias da cena do crime, imagens do corpo de Zampieri, trechos do processo cível envolvendo Aníbal Manoel Laurindo e o comprovante de passagem aérea de Hedilerson Fialho Martins Barbosa, apontado pela acusação como intermediário entre os mandantes e o executor.

Questionado sobre a origem do material, Nilson Farias afirmou que Caçadini chegou a prestar esclarecimentos durante o interrogatório, mas depois optou por permanecer em silêncio por orientação da defesa.

A acusação sustenta que Antônio Gomes da Silva executou os disparos, Hedilerson intermediou a contratação do atirador e Caçadini financiou o homicídio de Roberto Zampieri.



Estadão MT