“O pagamento está comprovado”, afirma delegado sobre assassinato de advogado
O delegado da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Bruno Abreu, afirmou nesta quarta-feira, 15 de julho, que reuniu provas suficientes para comprovar que os empresários Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi foram os mandantes do assassinato do advogado Renato Gomes Nery. Segundo ele, a investigação conseguiu demonstrar, inclusive, o pagamento pela execução do crime, considerado um dos pontos mais difíceis de comprovar em homicídios sob encomenda.
“Hoje eu tenho total certeza, absoluta, que a Julinere e o marido mandaram matar o Renato Nery. A prova do pagamento está comprovada”, declarou o delegado.
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Bruno Abreu afirmou que, ao longo de quase dois anos de apuração, a DHPP conseguiu identificar todos os envolvidos na execução do advogado, desde o atirador até os intermediários e os supostos mandantes.
“Nós temos a comprovação do executor, dos intermediários, tanto que estão todos presos. No final da investigação conseguimos a cereja do bolo, que é a prova do mando e do pagamento”, disse.
Segundo o delegado, a investigação identificou que o dinheiro utilizado para pagar a execução saiu da conta de Julinere Goulart Bastos e foi transferido ao policial militar Jackson Pereira Barbosa, apontado como responsável por distribuir os valores aos demais envolvidos.
“O dinheiro do mando sai da conta da Julinere, vai para a conta do Jackson, que fez a distribuição. As pessoas que foram usadas como laranja confirmaram isso. Encontramos os exatos R$ 200 mil mencionados nas investigações”, afirmou.
O delegado também destacou a complexidade da investigação, que contou com a análise de imagens de câmeras de segurança para reconstruir o trajeto percorrido pelo executor após o crime.
“Foi uma investigação muito difícil e muito complexa. Conseguimos descobrir para onde a moto foi, fizemos o trajeto por exclusão e chegamos ao autor. Hoje praticamente tenho certeza de que todos serão condenados pelo Tribunal do Júri.”
Apesar de afirmar que o inquérito está praticamente concluído, o delegado informou que ainda existem diligências em andamento.
“Eu diria que 95% da investigação está encerrada. Ainda aguardamos algumas medidas cautelares para verificar se existe outro envolvido.”
O crime
Renato Gomes Nery foi assassinado na manhã de 5 de julho de 2024, quando chegava ao escritório de advocacia, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. Baleado na entrada do prédio, ele chegou a ser socorrido, mas morreu em decorrência dos ferimentos.
De acordo com a investigação da Polícia Civil e a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o homicídio foi encomendado em razão de uma disputa judicial envolvendo uma propriedade rural localizada no município de Novo São Joaquim.
Segundo a acusação, os interesses econômicos contrariados pela atuação do advogado motivaram o planejamento da execução.
Alex Roberto de Queiroz Silva é apontado como o autor dos disparos.
Ainda conforme a denúncia, os empresários Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi são acusados de contratar os policiais militares Jackson Pereira Barbosa, Ícaro Nathan Santos Ferreira e Heron Teixeira Pena Vieira para organizar o assassinato. O grupo teria sido responsável por recrutar o executor, intermediar os pagamentos, fornecer a arma utilizada no crime e coordenar toda a logística da execução.
As investigações também apontam que o homicídio envolveu uma estrutura organizada, com divisão de funções entre os participantes.
“O que vimos foi um homicídio empresarizado, como se fosse uma empresa criada para dividir tarefas e executar o crime. Foi muito bem planejado, mas conseguimos reunir provas robustas da participação de todos os envolvidos”, concluiu o delegado.

