A disputa política do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 invadiu oficialmente o plenário do Senado Federal. A reportagem do CenárioMT apurou que a oposição na Casa intensificou a articulação para empurrar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o fim da escala 6×1 para depois do pleito, marcado para o próximo dia 25 de outubro.
A ofensiva dos oposicionistas ocorre após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizar que a pauta poderá ser colocada em votação em primeiro turno já na próxima semana, embalada por um acordo de cúpula costurado no final de agosto entre o presidente Lula (PT), o próprio Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Oposição aponta “desespero eleitoral”
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), foi um dos principais porta-vozes da resistência no Senado. Em declaração à imprensa nesta quarta-feira (7), Marinho afirmou que a pressa governista em aprovar a matéria neste momento “não faz bem ao país”.
“Nós achamos que a discussão agora é oportunista, não nos negamos a discutir jornada, esse ou outro qualquer outro assunto. Agora, o presidente Lula está desesperado para encontrar alguma forma para se reconectar com o eleitorado” , disparou o parlamentar, classificando a movimentação regimental como uma medida de apelo eleitoreiro.
Apesar da forte contestação, a estratégia exata que a oposição adotará para tentar paralisar o rito no Plenário ainda não foi detalhada pelas lideranças conservadoras.
O andamento dos debates e o cronograma regimental
Enquanto os bastidores fervem com a queda de braço política, o Senado cumpriu nesta quarta-feira (7) o seu segundo dia de discussões formais da PEC 221/2019, proposta que propõe a redução da jornada máxima semanal de trabalho de 44 para 40 horas, garantindo dois dias de descanso remunerado sem redução salarial e sepultando o formato tradicional de seis dias de labuta para um de folga.
Para que a matéria possa ser votada em primeiro turno, o regimento interno exige a realização de pelo menos cinco sessões de debate no Plenário — a primeira ocorreu na terça-feira (6) e a terceira está agendada para esta quinta-feira (8).
Durante as sessões de discussão, o clima tem sido polarizado. Parlamentares da base governista — como Paulo Paim (PT-RS), Marcelo Castro (MDB-PI), Randolfe Rodrigues (PT-AP) e Confúcio Moura (MDB-RO) — defenderam a urgência da pauta sob o argumento de que jornadas extenuantes prejudicam a saúde mental, a convivência familiar e a produtividade, rechaçando a tese de oportunismo eleitoral. Do outro lado, vozes como a de Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) apoiaram o mérito da redução, mas criticaram duramente a condução apressada da tramitação e a rejeição integral das emendas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Para ser aprovada e promulgada sem retornar à Câmara (visto que o texto principal já passou pelos deputados sem alterações de mérito), a PEC exigirá um quórum qualificado de pelo menos 49 votos favoráveis em dois turnos de votação no Plenário do Senado. Com o calendário apertado e a pressão da oposição, o desfecho da votação promete manter Brasília em estado de alerta máximo até o encerramento da corrida presidencial.
Fonte: cenariomt.com.br

